O tabuleiro político em Mato Grosso do Sul pode ter mais reviravoltas após a decisão da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no caso do tríplex de Guarujá.
O petista, que já havia obtido no próprio Supremo a anulação de todos os seus processos, agora obteve uma nova vitória, que pavimentará seu caminho para as eleições de 2022, caso o PT escolha lançá-lo candidato.
Na análise do presidente do PSDB no Estado, Sergio de Paula, sete anos depois, a Operação Lava-Jato vive o momento mais agudo de críticas e questionamentos judiciais.
Ele afirmou ainda que, embora entre no campo político, a questão reside hoje nas decisões judiciais, em que a esfera maior, o Supremo Tribunal Federal (STF), já deferiu a resposta que o Brasil esperava, para aprovação da maioria ou da minoria do povo.
De Paula esquivou-se sobre os planos políticos do partido, não comentou sobre uma possível candidatura tucana à presidência, algo que perdeu força com a volta de Lula ao cenário e a retirada do governador João Dória (PSDB) de cena.
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Os deputados federais do partido, porém, Beto Pereira e Rose Modesto, além do governador Reinaldo Azambuja, têm mantido uma postura pragmática com o governo federal, sem críticas, mas também com ênfase em políticas sociais, algo que remete à esquerda.
Já sobre as possíveis mudanças no cenário político em Mato Grosso do Sul com esse novo panorama, De Paula explicou que o momento não é traçar alianças e vislumbrar eleições em 2022, mas, sim, tentar reverter o quadro caótico da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Estado.
“Quero reforçar que neste momento não há outra urgência que possa suplantar o combate à Covid-19. Se pode ou não alterar o tabuleiro de 2022, esta decisão só será tomada depois que todos os sul-mato-grossenses receberem a vacina. Eu acredito que outros dirigentes políticos estão com esse mesmo pensamento. Não podemos ignorar o caos nos hospitais em troca de conjecturas eleitorais para 2022. Não temos clima e nem é o momento”, revelou.
PT comemora
Do outro lado do polo político, lideranças petistas em Mato Grosso do Sul avaliam que essa nova derrota do “lavajatismo” pode fortalecer sua legenda, bem como toda a esquerda no Brasil e, consequentemente, nos estados.
Em relação à política local, esse panorama não será diferente, pelo menos é o que avalia o deputado estadual e líder do PT na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Pedro Kemp, e para a nova figura da legenda na política local Camila Jara, vereadora de Campo Grande.
Para o cacique petista, o processo só fez justiça ao que o partido já vinha denunciando durante todo o processo da Lava Jato, que ocorreu na 13ª Vara Federal do Paraná.
Um dos fatos relembrados pelo parlamentar foi a decisão do então juiz Moro de determinar condução coercitiva (imposta) ao ex-presidente que, segundo ele, foi abuso de autoridade, “já que Lula nunca se negou a prestar depoimentos”.
Agora ele acredita que não só o PT saiu fortalecido com essas decisões do Supremo, mas também toda a esquerda brasileira e sul-mato-grossense.
“Essa decisão demonstra que a justiça foi feita ao ex-presidente e nos deixa ainda mais estimulados para construir uma coalizão para o processo eleitoral de 2022 e romper com a política que vem dominando o Estado nos últimos anos. Agora iremos sentar à mesa e teremos cartucho para negociar entre todos os partidos do campo progressista, bem como de centro”, analisou.
Camila Jara tem uma análise muito parecida com a do colega de legenda, e afirma que agora é a chance de a esquerda debater um novo modelo para a política do Estado.
“Nós estamos indo na contramão do mundo em questão de políticas públicas. Esse novo cenário, porém, pode mudar as posturas dos gestores brasileiros e com certeza terá reflexo no Estado. Podemos voltar a mostrar que, sim, podemos ter uma economia forte e crescimento, mas não precisamos ter tanta desigualdade como vimos nos últimos anos”, projetou a vereadora.
Bolsonarismo
Um dos representantes do bolsonarismo no Estado, o deputado estadual Coronel David (sem partido), avaliou que a decisão demonstra que o País está se distanciando cada vez mais do combate eficiente à corrupção. Sobre o cenário para 2022, o parlamentar afirmou que ainda é cedo para fazer qualquer tipo de análise.
“Entendo que foi lamentável a decisão ser baseada em supostas provas que foram conseguidas de forma criminosa. Parece que cometer crime é o correto. Sobre o jogo político no Estado, acredito que está cedo ainda para avaliar”, concluiu.