A senadora Simone Tebet (MDB) é uma das parlamentares que sempre fez coro para a abertura da CPI da Covid-19. Desde o início do ano, ela afirma que o objetivo do grupo de trabalho é evitar colapsos no sistema de saúde ainda mais graves, como o ocorrido em janeiro, com a falta de oxigênio nos hospitais do Amazonas.
Porém, ela afirmou que não deve pertencer ao grupo que comandará os trabalhos na comissão parlamentar de inquérito, na presidência ou na relatoria, pois o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, é senador pelo Amazonas, local onde aconteceu o estopim para a necessidade dessa apuração mais profunda do Senado.
Além disso, também está no MDB o líder do governo federal na Casa de Leis, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE).
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“Em uma CPI existem poucas vagas, que no caso dessa são 11, mas nosso partido tem essas duas figuras, que estão diretamente ligadas a ela. Além disso, nosso partido ainda abarca o líder da maioria, que é o senador Renan Calheiros [MDB-AL]".
"Eles têm a prerrogativa de lutar por um cargo na Mesa Diretora dela, e, por esse motivo, resolvi tirar meu time de campo. Isso não quer dizer que não acompanharei de perto essa investigação, que é muito importante para o País”, afirmou Simone Tebet.
Sobre a abrangência da investigação e esse pedido do presidente ao senador Kajuru, a parlamentar afirmou que ela tem como base um fato determinado, que é a gestão do governo federal na pandemia e seus efeitos sobre a crise do Amazonas. Naquele estado, todos os entes federativos terão seus trabalhos analisados.
“A CPI, como já disse, necessita de um fato determinado. O que justificaria abrir esse escopo para outros estados e municípios? Qual caso grave ocorreu neles para justificar essa investigação?”, questionou.
“Outro ponto, o Congresso Nacional tem como uma das suas prerrogativas fiscalizar ações do governo federal. Porém, se durante as investigações aparecerem indícios de possíveis crimes e irregularidades em outros entes federativos, poderá ser feito um relatório, que será entregue ao Ministério Público do estado citado e encaminhado para as Assembleias Legislativas e para as Câmaras Municipais”, acrescentou.
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Para o líder do PSD no Senado, Nelson Trad Filho (PSD), a função das lideranças das legendas é indicar os parlamentares para compor comissões na Casa de Leis, como a CPI.
“Eu indiquei do meu partido dois membros: Omar Aziz, que é do Amazonas, e Otto Alencar, que é médico. Portanto, são as pessoas mais indicadas da minha legenda para estarem à frente desse trabalho”. Trad Filho complementou a fala justificando sua defesa de abertura de investigação para todos os entes federativos.
“Eu acredito que todos [os estados] devam ser investigados, caso haja indícios de irregularidades. Eu acredito que a CPI poderá avançar em toda as esferas, assim, sanando dúvidas ou punindo irregularidades que possam ter ocorrido ao longo do combate à Covid-19”, opinou.
Já a senadora Soraya Thronicke (PSL) analisa que a pandemia foi utilizada para fazer “politicagem” e que é preciso cautela para que isso não ocorra com a comissão de investigação.
“Desde o início defendi que, se for para iniciar uma CPI neste momento tão delicado da pandemia, em que o foco deveria estar voltado aos cuidados com a saúde da população e o combate ao coronavírus, a apuração deveria abranger também estados e municípios. São os prefeitos e governadores os ordenadores de despesa na ponta".
"Acredito que a pandemia já foi muito usada para politicagem, e não devemos deixar que a CPI siga por este caminho. Então, havendo fato determinado para apuração, que seja instalada a CPI e investigada a atuação de todos. Se é para investigar, por que poupar quem é o responsável direto pela aplicação dos recursos enviados?”, questionou.