O deputado Coronel David (sem partido), aliado de Jair Bolsonaro (também sem partido) desde muito antes de o até então deputado do baixo clero ser alçado à Presidência da República, anunciou que em breve participará de uma reunião com o chefe do Executivo Nacional para definir estratégias de construção da campanha eleitoral em 2022.
O deputado afirmou ao Correio do Estado que o presidente disse que o principal foco dessa articulação política é olhar com uma “lupa” todos os possíveis aliados e candidatos ao governo do Estado, senadores e deputados estaduais e federais.
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Com essa afirmação, o parlamentar revela que o presidente está buscando fugir de, nas palavras dele, aproveitadores que em 2018 surfaram na onda bolsonarista e pouco tempo depois romperam com Bolsonaro e com as bandeiras de campanha.
Essa crítica pode ser interpretada como uma indireta à senadora Soraya Thronicke (PSL), que acabou se afastando do presidente e de suas bandeiras, principalmente em 2020.
No contexto nacional, outras figuras também se utilizaram da popularidade do então candidato para alçar seus objetivos políticos, como os deputados Alexandre Frota (PSDB) e Joice Hasselmann (PSL) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
“O que posso adiantar é o fato de o presidente evitar os candidatos caroneiros. Ele me disse que cuidaria pessoalmente desse trabalho e nos passaria todas as diretrizes. Aqui no Estado, iremos cumprir todas essas demandas e construir a melhor campanha possível para 2022”, disse.
Reunião
O deputado afirmou que a reunião contará com outro sul-mato-grossense ligado a Bolsonaro, o ex-presidente do PSL estadual e gerente internacional de Projetos Especiais na Embratur, Rodolfo Nogueira.
Ainda em relação ao encontro, o deputado afirmou que não existe uma data específica, tudo dependerá do presidente definir qual legenda ele ingressará e isso poderá ocorrer nos próximos dias.
“O presidente quer que eu desempenhe o mesmo papel que ocupei em 2018, de construir sua campanha no Estado, que foi bem-sucedida, pois emplacamos deputados estaduais, federais e uma senadora. Além disso, o presidente teve uma votação bem acima dos seus adversários e, devido a esses números, Bolsonaro ficou bem satisfeito. Agora, queremos consolidar aqueles que já temos e buscar mais apoio na sociedade civil, como o setor produtivo”, disse.
Candidato bolsonarista
Sobre 2022, o deputado afirmou que o caminho será diferente e mais árduo em relação ao ano de 2018, quando o presidente era apenas um deputado federal e candidato à Presidência da República. “Porém, agora o embate será diferente, pois ele pode colher frutos nos seus feitos positivos, mas também tem desgastes negativos, o que é natural a todos os governantes”, afirmou.
Além disso, o deputado adiantou que o partido ao qual o presidente se filiará também poderá vir com um candidato ao governo do Estado em 2022, primeiro ano sem coligações nas eleições proporcionais para deputados federais e estaduais.
“Com essa mudança, é inviável um partido não concorrer à majoritária estadual, pois pode perder muita força e conquistar poucas cadeiras na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Precisamos conquistar o maior número de cadeiras nos parlamentos para que as pautas do presidente não fiquem travadas, como ocorreu em algumas ocasiões”, analisou.
Futuro pessoal
Ao ser perguntado pelo Correio do Estado se ele poderia ser o possível candidato ao governo de Mato Grosso do Sul do presidente Bolsonaro, o deputado preferiu ser pragmático em sua resposta, porém, não deu como descartada a possibilidade.
“Eu aprendi que em política você precisa fazer parte de um grupo, e hoje faço parte do que o presidente pertence. Ou seja, as decisões nunca são unilaterais, mas a palavra do Bolsonaro tem um peso maior, pelo cargo que ele exerce hoje”, concluiu.