O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse ontem que não teme uma possível investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no Senado, que pretende apurar crimes e negligências relacionadas ao combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no governo federal, estados e municípios.
Em entrevista à Rádio FM Educativa 104, o governador disse que o foco da investigação deveria estar voltado ao combate à crise sanitária, porém “vários políticos têm politizado a Covid-19, o que vem atrapalhando uma união ao enfrentamento da doença”.
Na entrevista, ele revelou que, durante sua visita a Brasília na terça-feira, o clima estava tensionado por conta da instalação da CPI.
“Nós sentimos que o ambiente era pesado. Investiga ou não investiga, vai atrás ou não vai. Nesse momento, nós todos devemos estar focados na saúde, em vacina, isolamento, precaução da população para evitarmos mortes. No entanto, infelizmente, a política não é no ritmo que a gente quer. Além disso, eu não tenho preocupação nenhuma com CPI, podem vir investigar aqui em Mato Grosso do Sul, pois nosso Estado é transparente”, afirmou.
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Em outro momento, o governador – que se reuniu com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na ida à capital Federal, na terça-feira – lamentou algumas posturas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na relação com os representantes de outros entes federativos.
“Eu respeito as posições do presidente, porém vejo que hoje não há um diálogo entre o Planalto com estados e os municípios brasileiros. Caso haja um alinhamento de posições, ficaria mais fácil combatermos esse inimigo em comum, que é a Covid-19. Todos temos o dever de enfrentá-la, mas infelizmente temos esses conflitos que politizam a doença”, explicou.
Fábrica de Fake News
Em outro momento da sua fala, Azambuja afirmou que hoje existe um “fábrica de fake news” e relembrou o caso em que o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, denunciou à Polícia Federal um possível grupo de extrema direita que havia propagado informações falsas contra ele em grupos de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp.
“Existe uma fábrica de fake news 24 horas por dia. Nosso secretário de Saúde, que está no foco no combate à doença, por exemplo, teve de ir à polícia fazer uma denúncia contra milicianos digitais que estavam propagando informações mentirosas em seu desfavor, em grupos de WhatsApp".
"Essas pessoas não têm comprometimento com a vida, pois nós temos de ficar desmentindo essas informações e perdendo tempo. Nosso foco deveria ser, única e exclusivamente, a de desenvolver ações para proteger as pessoas contra essa terrível doença”, lamentou.
Prestação de contas
Para combater essas possíveis falsas informações, o governo do Estado emitiu uma nota em que detalha a quantia enviada pelo governo federal a Mato Grosso do Sul no combate à crise sanitária.
No texto, o órgão afirmou que, o simples detalhamento dos recursos transferidos pelo Planalto em 2020 derruba a fake news sobre o repasse bilionário da União ao Estado, desmascarando aqueles que buscam tumultuar o ambiente e atrapalhar o desenvolvimento do Estado”.
Na oportunidade, o governador Azambuja também se posicionou e lamentou que as informações sejam manipuladas.
“Não podemos aceitar notícias falsas, que são feitas por pessoas inconsequentes. Dos recursos federais, ficaram R$ 2,9 bilhões para Mato Grosso do Sul, sendo R$ 190 milhões no combate à Covid-19. Todos os nossos gastos estão disponíveis para a população acompanhar”, destacou.
Esse detalhamento aponta que foram repassados no ano passado R$ 11,9 bilhões de recursos federais ao Estado. Deste montante, R$ 5,2 bilhões (43,70%) foi enviado aos municípios de Mato Grosso do Sul, por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e no reforço para tratamento e gastos com a Covid-19.
Dessa quantia, R$ 3,4 bilhões (28,60%) seguiu direto para os cidadãos, por meio de auxílios e benefícios individuais. O Estado recebeu R$ 2,9 bilhões (média de R$ 241,6 milhões por mês), o que representa 24,20% do montante.
Já na partilha de recursos, o detalhamento alegou que, R$ 400 milhões estão relacionados à suspensão temporária das dívidas dos estados e municípios (3,30%).
Dos R$ 2,9 bilhões destinados ao governo do Estado, R$ 1,25 bilhão se refere ao Fundo de Participação dos Estados (FPE), que se trata de um repasse constitucional obrigatório da União.
Foram mais de R$ 130 milhões de convênios e emendas federais, R$ 200 milhões do Fundo Nacional de Saúde, R$ 400 milhões em relação a outras transferências constitucionais e legais, além de R$ 740 milhões para compensação por perdas de arrecadação de Mato Grosso do Sul.