Política

pronome neutro

'Bem-vindx' em site do MEC acirra indisposição de conservadores com ministro-pastor

Uso de "x" faz parte da linguagem neutra, que propõe extinguir as terminações masculina (o) e feminina (a)

Ana Karla Flores

23/04/2021 - 16h53

O uso do termo "bem-vindx" em um texto do MEC (Ministério da Educação) deflagrou uma nova indisposição entre conservadores e a pasta comandada por um pastor presbiteriano, Milton Ribeiro.

O uso de "x" faz parte da linguagem neutra, que propõe extinguir as terminações masculina (o) e feminina (a) e adotar "e" ou "x" no lugar. A ideia é usar uma terceira letra para abolir o gênero na língua, abrangendo pessoas que não se reconhecem no binômio masculino-feminino.

O "bem-vindx" aparecia numa apresentação sobre o Qualifica Mais, publicada no site do MEC. O projeto é voltado para trabalhadores de até 29 anos e oferece vagas gratuitas em cursos de qualificação profissional.

Em nota, a pasta diz que o material não foi produzido por ela, e, sim, por órgão parceiro dentro do programa. "Imediatamente após termos ciência do fato, o MEC solicitou a sua correção."

Alas conservadoras travam uma batalha para derrubar a nomeação da advogada Claudia Mansani Queda de Toledo para a presidência do Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão dedicado à pós-graduação.

No pastorado evangélico, ela é chamada de "feminista, paulofreireana e defensora da pauta LGBT", o que é visto como demérito. O chefe do MEC não é conhecido por posições amigáveis à comunidade LGBT+. Ele já disse, por exemplo, que a homossexualidade não seria normal e atribuiu sua ocorrência a "famílias desajustadas". Desculpou-se depois.

Mesmo sendo evangélico, Ribeiro não tem respaldo expressivo no segmento. O ministro luta com fogo amigo dentro do próprio MEC, onde o secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, trabalha para desidratar sua gestão. Nadalim é aluno de Olavo de Carvalho, referência ideológica de bolsonaristas.

O deputado Marco Feliciano (Republicanos-SP), por exemplo, diz à Folha que "se essa mulher não for trocada até segunda-feira [26], eu vou entregar meu cargo de vice-líder do governo".

"Continuarei leal a Jair Bolsonaro, mas não me submeterei aos que, sendo ministros de estado, coloquem cavalos de Troia dentro do governo", afirma o deputado, que é também pastor. "Perco o cargo, mas não perco o juízo! Perco o cargo, mas não nego a fé!"

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