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Lira vê pior momento de Bolsonaro e políticos de MS analisam o cenário

Consenso entre situação, oposição e centro é de que qualquer análise do pleito, hoje, é prematura

Líderes políticos de Mato Grosso do Sul avaliaram as declarações dadas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em que ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), bem como seu governo, “atravessam o pior momento desde o início do mandato, em janeiro de 2019”. 

Ainda de acordo com Lira – figura emblemática do chamado centrão e um dos principais aliados do Planalto no Congresso Nacional –, essa análise pode se fazer com base nas últimas pesquisas que apontam um avanço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Bolsonaro.

Um desses levantamentos foi feito pelo Datafolha, divulgado em 12 de maio, mostrando Lula à frente do atual presidente, com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% do atual presidente. Em um eventual segundo turno contra Bolsonaro, Lula levaria ampla vantagem, com uma margem de 55% a 32%.  

TERCEIRA VIA

Além disso, o presidente da Câmara também disse não acreditar “em terceira via” no País, pois “desde 1989 nunca houve essa opção eleitoral, pois os pleitos nacionais sempre foram polarizados”. 

Essa opinião é compartilhada pelo deputado federal Fábio Trad (PSD), pois, segundo ele, o centro democrático ainda não apresentou uma figura política que “bata de frente” com os atuais dois polos políticos brasileiro.  

“Depende muito de quem seria essa terceira via, que ao meu ver não significa necessariamente três candidatos, mas o surgimento de um outro ou mais nomes. Acredito que ainda é prematura qualquer avaliação, mas não me parece prudente descartar um cenário em que nomes com qualidade e potencialidade eleitorais alterem a polarização atual”, avaliou.

PESQUISA

Sobre as pesquisas que apontam um enfraquecimento do governo federal, o também deputado federal Beto Pereira (PSDB) analisou que elas refletem um momento, ou seja, um retrato do atual cenário. 

Analistas afirmam que essa queda de Bolsonaro tem relação nos depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, falta de imunizantes para toda a população, a demora para retomada e fim, para boa parcela da população carente, das parcelas menores do Auxílio Emergencial. Além da crise econômica que se anuncia, com falta de empregos e inflação.

“Esses números apontam um desgaste que o governo vem tendo no atual momento. Essa análise, porém, é prematura, já que temos pouco mais de um ano para a realização efetiva das eleições. O governo tem ferramentas para reverter esse quadro, porém temos de ver se tem capacidade para isso”, avaliou o tucano.

Sobre uma terceira via, uma vontade dita pelos caciques do PSDB em todas as entrevistas, Pereira reconheceu o fato de que desde a redemocratização nunca houve de fato um terceiro nome que pudesse romper o protagonismo latente entre os dois principais candidatos. 

Foi assim em 1989, entre Collor e Lula; em 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, entre PSDB e PT; e, por fim, 2018 entre PT e Bolsonaro.  

“Nunca houve um candidato que pudesse romper a bolha polarizada, inerente às eleições presidenciais no Brasil, apesar de ter diversos partidos. No entanto, sempre existe a primeira vez, e acredito que a população brasileira esteja indicando essa possibilidade, pois os níveis de insatisfação é grande tanto a Bolsonaro quanto a Lula”, resumiu Pereira.

Dagoberto Nogueira (PDT) também compartilha de uma visão parecida do colega tucano. Segundo o aliado de um dos presidenciáveis que tentam romper a polarização, Ciro Gomes (PDT), a população está com “raiva” em relação aos últimos acontecimentos envolvendo o governo, e a tendência é polarizar.

“Hoje, é natural o ex-presidente Lula, que tem o seu capital político, sair à frente e ser a primeira escolha de quem esteja descontente com Bolsonaro. No entanto, ainda temos um ano para as eleições, e acredito que o bolsonarismo nem vá ao segundo turno, abrindo espaço a essa terceira via”, analisou Nogueira.

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BOLSONARO

O aliado de Bolsonaro – desde que o presidente era um deputado do chamado baixo clero na Câmara Federal –, Coronel David (sem partido) não reconhece a legitimidade das últimas pesquisas. Ele afirma que as “ruas mostram outra coisa”. 

O deputado estadual baseou sua análise no último discurso feito por Bolsonaro no domingo (22), na capital do Rio de Janeiro, onde reuniu milhares de apoiadores.  

“Não vejo enfraquecimento do Presidente. Se isso foi baseado nas pesquisas divulgadas, posso dizer que as ruas mostram outra coisa. Mas não discuto pesquisa. Acredito que vamos vencer a pandemia e recuperar a economia. Chegaremos fortes ano que vem”, projetou.  

Petismo

Para o representante sul-mato-grossense do petismo na Câmara deputado Vander Loubet (PT), a frase de Lira pode denotar a indicação de que os comandos nacionais dos partidos do centrão vão liberar as direções estaduais para ficar com quem tem mais chance.

“Para nós, do PT, é importante trabalhar para não deixar que se viabilize a chamada terceira via. Temos de disputar o apoio de uma parte do centro – aqueles partidos que consideramos mais democráticos –, e Lula está fazendo isso muito bem. 

Para nós interessa a polarização com Bolsonaro, até porque ele apresenta um alto índice de rejeição. Aliás, é bom que se diga que a polarização não é nenhuma novidade no Brasil, como alguns analistas querem fazer parecer. Todas as eleições presidenciais, desde a redemocratização do nosso País, foram polarizadas, e o PT sempre esteve em todas elas”, concluiu.

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