Mesmo com sua possível saída do PSDB, a deputada federal Rose Modesto vem ganhando força política nos bastidores tucanos de Mato Grosso do Sul.
Hoje, a parlamentar é tida como uma espécie de “plano B” dos caciques psdbistas e até mesmo do governador Reinaldo Azambuja, caso o pré-candidato ao governo do Estado pela sigla e secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel, não se viabilize com força para o pleito do ano que vem.
Além disso, caso realmente saia do PSDB, a deputada poderia ingressar em uma sigla aliada, como o Podemos, do secretário de Governo e Relações Estratégicas, Sérgio Murilo, e ser indicada como vice de Riedel.
Esse capital político de Modesto, que além de deputada federal é terceira-secretária da mesa diretora da Câmara Federal, fez com que a parlamentar chegasse ao segundo turno das eleições pela Prefeitura de Campo Grande em 2016, contra o prefeito reeleito Marcos Trad (PSD).
FRUSTRAÇÃO
O descontentamento de Modesto com os tucanos do Estado ficou nítido no ano passado. A deputada nunca escondeu a vontade de ser prefeita da Capital sul-mato-grossense, mas, apesar de sua força política, o PSDB decidiu não indicá-la para concorrer ao cargo no ano passado e apoiar Trad.
Para analistas e políticos, essa manobra do PSDB foi fundamental para a reeleição no primeiro turno de Trad, algo raro em Campo Grande e nas principais capitais brasileiras.
Em entrevistas concedidas ao Correio do Estado logo após as eleições de 2020, Modesto nunca escondeu a sua frustração por não concorrer ao Executivo da Capital e seu desejo de desembarcar da legenda tucana.
No entanto, a deputada federal, sobretudo nos últimos meses, baixou o tom e prefere agora adotar um discurso mais pragmático envolvendo o tema.
“Só vou discutir isso para frente. Hoje, estou focada no mandato de deputada federal e, por esse meu cargo, preciso ajudar meu país e principalmente o Estado, que neste momento atravessa um momento delicado”, disse, enfatizando as crises política, econômica e sanitária, em decorrência da pandemia de Covid-19.
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PODEMOS
Uma das legendas que Modesto poderia integrar, caso realmente confirme sua saída do PSDB, seria o Podemos, partido hoje aliado do governador Reinaldo Azambuja.
A sigla tem como cacique o secretário Sérgio Murilo, que já havia ventilado que seu partido estaria atrás de nomes importantes para crescer ainda mais no Estado e, com isso, aumentar seu capital e influência política.
Um dos nomes que foram conquistados por Murilo é o do prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (Podemos). O acordo entre os dois provocou desgastes com os caciques tucanos, já que Iunes pertencia ao quadro do PSDB. Porém, tanto ele quanto o prefeito negaram esse impasse com o governo estadual e afirmaram que a saída já havia sido comunicada por Iunes.
PERDA POLÍTICA
Fontes psdbistas ouvidas pelo Correio do Estado afirmaram que Modesto pode dar um passo atrás em relação à decisão de sua saída do seu atual partido. Segundo a análise desses políticos, a deputada tem grande entrada no governo estadual, com indicados em cargos importantes na máquina estadual.
Além disso, saindo do PSDB e indo para uma legenda “menor”, a deputada ainda corre o risco de perder recursos para uma eventual disputa a um cargo no Executivo nas próximas eleições, em razão da divisão de proporcionalidade da verba partidária.