Política

INVESTIGAÇÃO

Conselheiros do TCE serão ouvidos durante processo da Omertà

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) foram intimados para serem ouvidos pela Justiça como testemunhas

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) Flávio Esgaib Kayatt e Ronaldo Chadid foram intimados para serem ouvidos pela Justiça como testemunhas em processo decorrente da Operação Omertà. 

Ambos estão como testemunhas de defesa do também conselheiro Jerson Domingos, que figura como réu no processo por ter auxiliado Jamil Name e Jamil Name Filho em um plano de atentado contra autoridades envolvidas na investigação.

Além de Jerson, também são investigados o empresário Jamil Name Filho, acusado de ser um dos chefes de milícia armada que executou várias pessoas ao longo de anos, e um dos chefões da região da fronteira com o Paraguai, Fahd Jamil Georges, 79 anos, conhecido como Rei da Fronteira.  

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga a suposta participação do conselheiro em um plano para assassinar autoridades envolvidas na Omertà. 

O delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), Fábio Peró, o promotor de Justiça do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Tiago Di Giulio Freire, e o defensor público Rodrigo Antônio Stochiero seriam os alvos.

A investigação também tinha como alvo Jamil Name, acusado de, ao lado do filho, chefiar a milícia armada que teria assassinado, pelo menos, três pessoas nos últimos anos. Entretanto, com a morte do pecuarista, tudo que estava ligado a ele perdeu o objeto.

A convocação feita pela 1ª Vara Criminal de Campo Grande indica que a audiência à qual os conselheiros vão participar será feita de forma remota, no dia 4 de agosto, às 8h30min. O documento que determinou a intimação é datado de terça-feira (29).

Em caso de não comparecimento das testemunhas que foram formalmente oficiadas, a Justiça prevê a determinação de uma condução coercitiva e pagamento de multa de um salário mínimo.

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INVESTIGADO

Jerson também é investigado por supostamente ter auxiliado Jamil Name Filho a se esconder na casa de Fahd Jamil, além da sua suposta participação no jogo do bicho. O conselheiro também atuaria como mensageiro de Jamil Name e teria vantagens financeiras por causa das atividades da organização criminosa.

A defesa de Jerson Domingos nega todas as acusações e pede a impugnação integral da denúncia contra seu cliente, porque ele seria “inocente, não tendo praticado o crime objeto da denúncia”.

Em documento encaminhado ao juiz da 1ª Vara Criminal da Capital, a defesa de Domingos chamou de “tremenda balela” o pedaço de papel higiênico, encontrado no Presídio Federal de Mossoró (RN), em que haveria um plano para assassinar autoridades de MS ligadas à investigação da organização criminosa.

“Essa história do personagem Kauê é uma tremenda balela – para dizer o mínimo –, sequer estando nos autos o tal ‘documento’. Eis o perfil do sujeito protegido: extensos antecedentes criminais [defesa detalha crimes]; duas condenações criminais (…); variadíssimo rol de outros processos criminais em curso”, afirma a defesa, como forma de desqualificar a testemunha.

Além disso, sobre o fato de o conselheiro ser muito presente na defesa dos Name, os advogados lembram que eles são familiares, sendo Jerson irmão de Tereza Name, mulher de Jamil e mãe de Jamil Name Filho, o Jamilzinho.

OUTRAS TESTEMUNHAS

Além dos colegas conselheiros, a defesa de Jerson Domingos também chamou policiais militares e policiais civis, assim como outras autoridades do Estado, como Jorge Razanauskas Neto, corregedor de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).

A defesa também arrolou como testemunha o prefeito de Rio Negro, Cleidmar Camargo da Siva, e Kauê Vitor Santos da Silva, que cumpre pena no Presídio Harry Amorim Costa, em Dourados, e que informou sobre o plano para polícia. 

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