Com muitas características em comum, apesar da quase eterna rivalidade política, os ex-governadores José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, e André Puccinelli (MDB) parecem estar “condenados” a estarem em lados opostos, porém, em situações semelhantes.
Desta vez, ambos se colocam como pré-candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul em 2022, mas, por enquanto, somente com seus nomes, sem a estrutura de apoio necessária.
Neste mês, ambos confirmaram suas pré-candidaturas. O petista, movido pelo embalo do bom desempenho de seu amigo e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas para a Presidência da República; e o emedebista, por motivos semelhantes: Puccinelli diz ter pesquisas disponíveis que o colocam em boa situação na disputa pelo governo.
Até mesmo a “liberação” de Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF) favorece ambos. Enquanto Zeca pega carona na popularidade do correligionário, Puccinelli espera que os processos a que ele responde sejam beneficiados por essa “guinada” no Poder Judiciário, cada vez menos punitivo.
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Estrutura
Muito distantes do poder que tinham na época em que governavam o Estado, ambos têm colocado seus nomes à disposição de seus partidos, mas ainda não contam com uma estrutura robusta de apoio na Capital e no interior.
O MDB, que há dez anos já foi o partido com a maior quantidade de prefeitos no Estado, agora só comanda sete municípios. No caso do PT, a situação é pior, o partido se desidrata desde o impeachment de Dilma Rousseff e é menos votado a cada ano no Estado. Não comanda atualmente nenhuma prefeitura.
Partidos
O presidente estadual do MDB, Junior Mochi, dispara que André Puccinelli é oficialmente o nome que disputará o cargo ao governo do Estado pelo partido em 2022.
“O André é nosso candidato natural, não teria explicações plausíveis para deixar de lançar ele como candidato ao governo em 2022. É uma decisão de duas partes, tanto dele quanto nossa, e vai ser uma candidatura extremamente competitiva para o Estado, que vem trabalhando com nomes fortes para concorrer ao cargo”, disse o ex deputado.
Já para Vladimir Ferreira, presidente do Partido dos Trabalhadores, o nome do Zeca do PT já era falado desde 2018, quando tentou uma vaga no Senado e foi considerado inelegível.
“Zeca do PT é a nossa aposta para 2022, apesar de o partido ainda estar tentando firmar alianças com siglas de centro e centro-esquerda. As pesquisas mostram a opinião do eleitor, que atualmente está perdido e se sentindo arrependido pelo resultado das eleições de 2018”, disse o petista.
Os candidatos
Questionado sobre ser um dos nomes cogitados ao governo de MS, Zeca do PT diz que as pesquisas mostram dois lados de uma população que está desapontada com a atual gestão e estão com “saudades” dos tempos bons.
“Digo que essas pesquisas pequenas mostram como o eleitor sul-mato-grossense reconhece os bons tempos e está com saudade de ter uma gestão competente, alinhada com a população e que garante o direito de todos", disse o ex-governador.
Acho importante essa questão de dar essa receptividade ao meu nome, principalmente com o nosso cenário atual, e isso se deve a duas situações, que é a absolvição do ex-presidente Lula e como a população está se sentindo enganada e arrependida, em partes, por rejeitar uma das maiores lideranças que o Brasil já teve”, completou.
Sem muita delonga, Zeca escapa do assunto e não fala sobre os planos para 2022, mas bate na tecla de que o povo sente “saudades dos oito anos de governo do PT no Estado”.
“Ainda não decidi o que será feito e gosto de ver como a população está colocando em destaque um nome de esquerda para as próximas eleições. Eu digo que é saudade dos oito anos de governo do PT em MS”, afirmou o petista.
Procurado pelo Correio do Estado, o ex-governador André Puccinelli (MDB) não quis se pronunciar, ressaltando que a questão será discutida em outro momento.
Outros nomes
Além de Zeca do PT e André Puccinelli, outros nomes estão surgindo para concorrer ao governo do Estado em 2022. O secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel, é o pré-candidato do PSDB para a sucessão de Reinaldo Azambuja. Embora sua pré-candidatura não esteja confirmada, suas intenções estão claras nas ações do governo.
Outro nome que chegou a ser cogitado nos bastidos é o do atual prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD). A candidatura de Trad, porém, seria mais difícil pois, para que ele se lance como candidato, ele teria de abrir mão de dois anos de mandato na prefeitura da cidade.
Irmão de Marcos Trad, o senador Nelson Trad (PSD) não nega, mas também não confirma o seu desejo de se candidatar a governador.
Outro nome praticamente confirmado para a disputa é o da senadora Soraya Thronicke (PSL). Assim como Nelson Trad, ela terá mais quatro anos de mandato no Senado pela frente em 2022, e uma candidatura à governadora, no mínimo, ajudaria a manter seu nome “vivo” em boa parcela da população.