Política

DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS

Deputados triplicam fundão eleitoral para bancar eleições em 2022

Fundo eleitoral passou de R$ 2 bilhões em 2018 para R$ 5,7 bilhões em 2022; em MS, Fábio Trad, Vander, Dagoberto e Trutis foram contra

Eduardo Miranda

15/07/2021 - 17h00

A Câmara dos Deputados deu, nesta quinta-feira (15), o primeiro passo para quase triplicar o valor do fundo eleitoral para as eleições de 2022. De aproximadamente R$ 2 bilhões nas eleições municipais, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada por 278 a 145 votos, o fundo que banca as campanhas passou para R$ 5,7 bilhões.  

Falta agora a votação no Senado da República, que ocorre na tarde desta quinta-feira (15).  

Na bancada de Mato Grosso do Sul, os deputados federais se dividiram: Fábio Trad (PSD), Dagoberto Nogueira (PDT), Vander Loubet (PT) e Loester Trutis (PSL) foram contra a medida. Já a bancada do PSDB: Beto Pereira, Rose Modesto e Bia Cavassa, mais o deputado federal Luis Ovando (PSL), foram favoráveis.  

Como a divisão do Congresso nas últimas eleições (no caso, a de 2018) é a base para a distribuição dos recursos, PSL e PT devem ficar com a maior fatia do bolo, caso a triplicação dos valores se concretize.  

Acompanhe as últimas notícias

“Absolutamente inoportuno e despropositado o aumento do fundo eleitoral neste momento em que 33 milhões de brasileiros estão subutilizados, 14,7 milhões estão sem emprego e 24 milhões estão vivendo em insegurança alimentar”, disse o deputado Fábio Trad (PSD). 

2020

Em 2020, ano de eleição municipal, o Congresso tentou emplacar uma transferência de quase R$ 4 bilhões. Mas teve que recuar por causa da repercussão negativa e do desgaste político. O valor foi então estabelecido em R$ 2 bilhões.

O valor almejado por líderes partidários para o fundo em 2022 também é bem superior ao repartido em 2018, última campanha para eleição presidencial e do Congresso. Em 2018, os recursos somaram cerca de R$ 2 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.

Até 2015, as grandes empresas, como bancos e empreiteiras, eram as principais responsáveis pelo financiamento dos candidatos. Naquele ano, o Supremo Tribunal Federal proibiu a doação empresarial sob o argumento de que o poder econômico desequilibra o jogo democrático.

Para as eleições de 2018 foi criado então o fundo eleitoral, de R$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 2 bilhões com correção pela inflação), que se somou aos recursos já existentes do fundo partidário, em torno de R$ 1 bilhão.

 

Brechas

Apesar da proibição do STF, há brechas que mantêm o desequilíbrio em favor dos mais ricos, devido às doações de empresas feitas por meio de seus executivos, como pessoa física, além do autofinanciamento –ou seja, a possibilidade de os candidatos bancarem suas próprias campanhas, limitados apenas pelo teto estabelecido para cada candidatura.

A estratégia do Congresso para elevar o fundo eleitoral em 2022 envolve a votação da LDO (lei que dá as diretrizes para elaboração do Orçamento) do próximo ano e que deve ocorrer nesta quinta.

O relator do projeto, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), alterou a versão original da proposta, enviada pelo governo em abril. A mudança prevê que o fundo de financiamento da campanha eleitoral terá o valor de 25% da verba da Justiça Eleitoral em 2021 e em 2022, além de uma parte das emendas de bancada estaduais.

Segundo técnicos do Congresso, isso estabeleceria um piso mínimo para o fundo eleitoral do próximo ano, que deve ser superior a R$ 5,7 bilhões.

Sem a mudança feita por Juscelino Filho, não haveria um patamar mínimo para o financiamento da campanha.

Se o Congresso aprovar a LDO com essa mudança feita pelo relator, o Orçamento de 2022, a ser enviado pelo governo em agosto, teria que já prever quase R$ 6 bilhões para o financiamento da campanha. Isso porque o Orçamento tem que seguir as regras previstas na LDO (lei de diretrizes orçamentárias).

O aumento foi criticado pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) durante a análise do parecer de Juscelino Filho na CMO (Comissão Mista de Orçamento).

“A gente acredita que dinheiro público tem que ser usado para aquilo que é essencial, que é educação, saúde e segurança”, afirmou.

 

Crise

Nelsinho Trad aponta preocupação com crise no Paraguai e possíveis reflexos em MS

Presidente do país vizinho renunciou ao cargo em meio à crise

05/11/2026 15h44

Nelsinho Trad

Nelsinho Trad Saulo Cruz/Agência Senado

Continue Lendo...

Eleições 2026

Eleitor que faltou no 2º turno tem até 8 de janeiro para justificar o voto

Pessoas, de 18 a 69 anos, que viajaram, mudaram de cidade, ficaram doentes ou por qualquer outro motivo deixaram de votar, devem justificar o voto

05/11/2026 10h25

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica Paulo Ribas

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).