Política

PLANALTO

Parte do eleitorado pode ficar confusa com aproximação entre Bolsonaro e centrão, diz Mourão

Antes de ficar fragilizado e se ver obrigado a se unir ao grupo de partidos, aliados recriminavam centrão

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta sexta-feira (23) que parte do eleitorado que levou ele e Jair Bolsonaro (sem partido) ao Palácio do Planalto em 2018 pode ficar confusa com a aproximação do presidente com o centrão.

"O eleitor do presidente Bolsonaro, vamos dizer assim, que é uma parcela de 25%, 30% da população, ele olha a pessoa, independente do partido em que ela está. Agora, a outra parte dos eleitores que também votaram no presidente, aí foi uma questão mais programática, vamos dizer assim, de visão do futuro do país, estes podem até se sentir um pouco confundidos. Vai depender, obviamente, das ações daqui pra lá", afirmou Mourão ao chegar à Vice-Presidência, pela manhã.

Antes de ficar fragilizado e se ver obrigado a se unir ao grupo de partidos que têm como uma das principais características o fisiologismo, Bolsonaro e aliados recriminavam o centrão e o toma lá, dá cá.

"Qual é a nossa proposta? é indicar as pessoas certas para os ministérios certos. Por isso, nós não integramos o centrão, tão pouco estamos na esquerda de sempre", disse o candidato Jair Bolsonaro, em propaganda política antes de assumir a Presidência.

"Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão", cantou na campanha de 2018 o hoje ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno.

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Ameaçado por mais de uma centena de pedidos de impeachment, por uma CPI da Covid que avança sobre denúncias de corrupção envolvendo o governo e com a necessidade de ver o Senado aprovar seus indicados para o STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, e para a PGR (Procuradoria-Geral da União), Augusto Aras, Bolsonaro cedeu ainda mais espaço ao centrão.

Ele anunciou o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP), como futuro ministro da Casa Civil, sistema nervoso do governo, responsável pela conexão entre os demais ministérios e com atuação também na articulação política.

Na quinta-feira (22), após confirmar as mudanças em seu ministério, Bolsonaro mudou de discurso.

"O centrão é um nome pejorativo. Eu sou do centrão. Eu fui do PP metade do meu tempo. Fui do PTB, fui do então PFL. No passado, integrei siglas que foram extintas, como PRB, PPB. O PP, lá atrás, foi extinto. Depois, nasceu novamente da fusão do PDS com o PPB, se não me engano", afirmou em uma entrevista. "Eu nasci de lá", prosseguiu o mandatário.

Para acomodar um dos líderes do centrão no Planalto, Bolsonaro teve que acomodar o general Luiz Eduardo Ramos na Secretaria-Geral da Presidência, uma espécie de zeladoria do palácio, e o titular atual da pasta, Onyx Lorenzoni, ficará com o novo Ministério do Trabalho e Previdência, desmembramento do Ministério da Economia.

Apesar de ver seu status de superministro abalado, Paulo Guedes (Economia) minimizou o esvaziamento de sua pasta e assegurou que a política econômica está mantida.

"Os dois principais setores continuam na mão do Paulo Guedes. Antiga Fazenda e Planejamento e Indústria e Comércio Exterior", disse Mourão nesta sexta.

Para o vice-presidente, esta primeira concessão envolvendo o Ministério da Economia por uma pressão do centrão não abre a porteira para novas investidas do Congresso na pasta.

"A maioria dos políticos, em abril, vai sair do governo", afirmou Hamilton Mourão, lembrando o prazo de desincompatibilização para ministros que pretendem disputar algum cargo nas eleições de outubro.

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