Presidente estadual do PSD, o senador Nelson Trad Filho afirmou que o partido “não vai levar bola nas costas de ninguém”, em relação à candidatura ao governo do Estado em 2022 e à formação das chapas.
Apesar dos atritos entre o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), o senador ressalta que a aliança com os tucanos permanece ativa, e trabalha de forma alinhada para não haver descontentamentos entre as duas partes.
Procurado pelo Correio do Estado, o senador disse não haver atritos e nem motivos para um possível afastamento entre o PSD e o PSDB.
“Não temos problemas com a sigla nem motivos e nem atritos para romper nossa aliança com o PSDB, nem eles conosco. Digo sempre que política fazemos muito por entendimento, então se existe uma boa relação, o apoio é recíproco”, argumentou o senador.
Nelsinho Trad diz que as articulações com PSDB para 2022 ainda estão mantidas, mas que o PSD também pode apostar na majoritária estadual, indicando como pré-candidato ao governo seu irmão Marquinhos Trad, atual prefeito de Campo Grande. O senador afirma que o irmão está bem avaliado nas pesquisas.
“Se for o caso de apostar em algum nome para o governo, indicaremos o de Marquinhos como pré-candidato, porém ainda é algo que está sendo estudado”, pondera.
“Apesar de o PSDB já ter um candidato oficial, não há problema nenhum se a aliança for apartada durante eleição estratégica. Se for o caso de indicar o nome de Marcos, vamos chegar na diretoria do PSDB e falar diretamente, sem rodeios sobre nosso candidato, o importante é otimizar o relacionamento”, acrescentou Nelsinho.
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Relação estremecida
Os atritos entre Prefeitura de Campo Grande e governo do Estado começaram na pandemia de Covid-19. Marquinhos e a administração do governador Reinaldo Azambuja divergiram em várias ocasiões.
Na mais recente, ele chegou a publicar um decreto autorizando a abertura do comércio, na contramão de decreto de Azambuja, o qual tinha o objetivo de reduzir a incidência da pandemia de Covid-19, no auge da pandemia, em junho.
Depois da “guerra dos decretos”, a relação entre prefeito e governador não voltou à normalidade. Marquinhos Trad deixou de ir a dois eventos públicos com Reinaldo Azambuja neste mês. Em um deles para comemorar 2 milhões de doses aplicadas no Estado e o avanço da vacinação, mandou sua vice-prefeita, Adriane Lopes (Patriota). Em outro, não enviou ninguém.
“Marcos é muito envolvido com administração pública, ele realmente quer fazer o trabalho dele, e não afetar ninguém. É de se notar que não esteja comparecendo em agendas, pois está resolvendo outras situações municipais que pedem pela sua atenção. A parceria entre Prefeitura de Campo Grande e governo do Estado é ótima. O trabalho está sendo feito em conjunto para dar certo”, justificou Nelsinho.
Os atritos entre tucanos e aliados dos irmãos Trad ocorrem também entre filiados aos partidos e assessores. Recentemente, o vereador Tiago Vargas (PSD), um dos maiores defensores de Marquinhos Trad na Câmara de Municipal de Campo Grande, tem intensificado seus recorrentes ataques à Azambuja.
Neste mês, Vargas criticou blitze realizadas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) para prevenir crimes de trânsito e acidentes, insinuando que a fiscalização prejudica pessoas que têm moto em situação irregular.
Devido a ataques pessoais, Azambuja foi à Justiça contra Vargas, e a bancada do PSD na Câmara cogitou abrir um processo na comissão de ética por quebra de decoro.