O deputado federal Luiz Ovando (PSL-MS) disse que vê com naturalidade a consolidação do Centrão na estrutura do governo Jair Bolsonaro.
De mudança do PSL desde que Jair Bolsonaro deixou o partido pelo qual foi eleito, Ovando confirmou que pode se transferir para o PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (Alagoas), e do novo ministro-chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira (Piauí).
“Eu vejo com naturalidade [o convite de Bolsonaro a Ciro Nogueira]. Eu digo sempre que política é a arte do possível, e não do ideal, e Bolsonaro está em uma fase em que ele precisa articular”, observou Luiz Ovando.
Sobre se acompanharia Jair Bolsonaro em uma eventual transferência ao PP, Luiz Ovando disse que aguarda até abril de 2022 para decidir para qual partido vai. “Nós temos conversado com vários partidos, entre eles o próprio PP”, confirma.
O deputado federal ainda ressaltou que o terreno já está sendo preparado para a transferência, e que, inclusive, tem mantido conversas com o prefeito de Dourados, Alan Guedes (PP).
“Tivemos uma convivência com Alan Guedes aqui em Dourados, participamos da campanha dele, temos bom relacionamento com o deputado [estadual] Evander Vendramini [presidente do PP no Estado]”, relatou.
“Temos caminhado de uma forma que se possa abrir portas, caminhos pelos quais a gente possa andar sem grandes problemas”, complementou.
Outro interlocutor de Ovando para uma possível transferência para o PP é o líder do governo na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).
Apesar de ter seu nome citado no escândalo de compras de vacinas da Covaxin, investigado pela CPI da Covid-19, no Senado, Barros ainda é um dos grandes líderes do Centrão, e pode ajudar a pavimentar a entrada dos bolsonaristas no partido.
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SOBREVIVÊNCIA
Luiz Ovando ainda manteve a defesa da aproximação do presidente Jair Bolsonaro com o Centrão. Ao responder as críticas sobre uma suposta traição ao discurso de campanha de Bolsonaro, quem criticava o “toma lá, dá ca” do Congresso, praticado, sobretudo, pelo bloco informal conhecido como Centrão, Ovando é flexível.
“Eu digo: olha meu amigo, em política não é que você tem de se descaracterizar, perder seus fundamentos, mas tem de ceder para continuar caminhando”, afirma Ovando, citando algumas de suas conversas com o presidente da República.
O deputado federal por Mato Grosso do Sul ainda fez questão de salientar que há bons quadros no Centrão. “Então eu digo que a questão de Bolsonaro, de uma forma muito estratégica e sábia, é trazer aqueles que poderiam em princípio dar problema para participar, desde que sejam competentes, e eles são”, destacou.
Por fim, o deputado afirmou que, neste momento, negociar com o Centrão é uma estratégia de sobrevivência do presidente. “Política nós temos de negociar de qualquer forma, senão o governo não subsiste”, frisou.
BRAÇOS ABERTOS
Quem está empolgado com a possível vinda do deputado federal Luiz Ovando ao PP é o presidente do partido em Mato Grosso do Sul, deputado estadual Evander Vendramini. Com Ovando na legenda, o grupo ganharia um deputado federal.
Atualmente, entre seus postos mais relevantes, o PP tem a prefeitura de Dourados (Alan Guedes) e dois deputados estaduais: o próprio Vendramini e Gerson Claro.
Vendramini e Ovando acompanharam a visita do ministro das Minas e Energia, Bento Ribeiro, a Campo Grande, para “reinaugurar” a termelétrica William Arjona.
“O ministro me disse que o presidente Jair Bolsonaro cogita, sim, a sua vinda para o PP, em que ele terá, certamente, um bom retorno [Bolsonaro pertenceu ao partido por mais de 10 anos]”, revelou o deputado estadual.
“Luiz Ovando também é muito bem-vindo. É uma pessoa centrada, e ele só decidirá na janela eleitoral do ano que vem, em abril”, complementou.