Sem pré-candidatos estabelecidos e ameaçado pela cláusula de barreira, o Podemos é um dos partidos que estão andando na corda bamba do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para não perder a vez em 2022.
Apesar de eleger 36 vereadores e dois prefeitos no Estado, o diretório de MS segue trabalhando duro nas articulações para sustentar a executiva nacional, que corre risco de extinção por não alcançar a meta nacional estabelecida nas eleições passadas.
O presidente do Podemos estadual, Sérgio Murilo, desde 2019 vem trabalhando arduamente pelo partido, que nas eleições municipais superou o número estipulado pela cláusula de barreira.
“O Podemos já tinha um nome estruturado em 2019. Quando eu entrei, o partido estava fraco, tinha passado por reformulações, e literalmente apostamos tudo para conseguir cumprir as metas em 2020. Foi trabalho difícil, mas das 39 chapas puras que lançamos, tivemos resultados muito bons e garantimos 36 vereadores e dois prefeitos", pontuou
"Estamos na mira da cláusula, sim, mas isso não significa que mudaremos o ritmo de como estamos trabalhando para fazer as coisas acontecerem em 2022. Nosso desempenho foi muito bem avaliado e auxiliou a trativa nacional”, completou.
Sérgio Murilo reforçou as suas apostas para as próximas eleições e falou sobre a dificuldades nas articulações de votos no ano que vem. “Estamos visando nomes políticos importantes de MS, como a deputada federal Rose Modesto [PSDB]. Além dela, o partido vem trabalhando com as articulações para fazer ao menos três ou quatro deputados estaduais e um federal", ressaltou.
"Não tem essa, política é um cenário eterno de mudança, então, não dá para afirmar que uma sigla como o PSDB consiga eleger novamente três deputados federais em uma mesma chapa. O mínimo de votos é 140 mil, então, para você fazer três candidatos são necessários uns 420 mil votos", disse.
"Veja só a dificuldade disso: como apenas um partido vai fazer 40% do colégio eleitoral em um Estado com aproximadamente 2,5 milhões de pessoas?”, questionou.
“Vamos apostar forte nas majoritárias, como governo, Senado e Presidência. Nós temos o favoritismo declarado pela Rose Modesto, a quem convidamos para compor nossa trajetória em 2022. Além das metas preestabelecidas, estamos articulando muito bem com os partidos e, se der certo, em 2022 o Podemos virá mais forte e concorrerá por igual com os demais”, disse Sérgio Murilo.
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DECISÃO
Apesar de ser contrário às mudanças da reforma eleitoral, o presidente do Podemos de MS disparou que apostará na estratégia do “tudo ou nada” caso Rose Modesto não aceite o convite feito pelo partido.
“Mesmo diante deste retrocesso na nossa reforma eleitoral, não podemos perder o ritmo, e falo novamente aqui que o partido deixa as portas abertas para que ela [Rose Modesto] escolha e decida da melhor maneira seu novo desafio. Se não vier para o partido, fortaleceremos as alianças com a legenda, mas ainda estamos aguardando decisões e, se aprovada a PEC [proposta de emenda à Constituição] da reforma, vamos coligar com a sigla para qual ela for e trabalharemos juntos para eleger a primeira governadora de MS”, reforçou.
CLÁUSULA DE BARREIRA
Em vigor desde 2019, a cláusula de barreira (ou de desempenho) é um dos pontos que pode sofrer alterações com as novas regras da PEC da Reforma Eleitoral. A medida atua na extinção dos famosos “partidos de aluguel”, estabelecendo novas normas de acesso dos partidos políticos aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Com a primeira votação na Câmara dos Deputados na semana passada, a PEC retrocedeu em pontos importantes, aprovando a volta das coligações – ajudando partidos menores a atingir a cláusula de barreira, criada para extinguir legendas que não tenham um desempenho mínimo a cada eleição.
Conforme o advogado Ary Raghiant, a aprovação da PEC vai trazer impactos mais profundos para as próximas eleições.
“A cláusula de barreira é um instrumento que fortalece partidos que têm representação no parlamento e restringe o acesso a recursos do Fundo Partidário e à propaganda eleitoral, entre outros pontos, aos chamados ‘partidos de aluguel’. Com essas novas postulações, modifica totalmente a função exercida pela regra, porque não tem como falar em desempenho partidário se novamente as eleições se darão por coligação”, frisou o advogado.