A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Eleitoral, que traz de volta as coligações às eleições proporcionais, segue dividindo opiniões entre os dirigentes partidários de MS.
Dos nove presidentes de partidos que atenderam o Correio do Estado, oito se mostraram contra a PEC que tem gerado polêmica e apenas um foi a favor da proposta que poderá trazer novamente a mistura de chapas nas eleições de 2022.
Favoráveis às eleições compostas por chapas puras, presidentes de legendas no Estado apostam em “fazer política” da maneira que for decida pelo Congresso.
Oito dirigentes partidários se mostraram contra a PEC: Sérgio Murilo (Podemos); Vladimir Ferreira (PT); Dagoberto Nogueira (PDT); Nelson Trad Filho (PSD); Junior Mochi (MDB); Sérgio de Paula (PSDB); Evander Vendramini (PP); e Papy (Solidariedade). Somente Delcídio do Amaral (PTB) apoia o retorno das coligações.
Presidente regional do PSDB de Mato Grosso do Sul, Sérgio de Paula afirmou que as trativas passaram pela Câmara dos Deputados, mas não devem ser aprovadas pelo Senado.
“O Senado não tem interesse em aprovar coligações. Está certo que tem alguns pontos que agradam, mas acredito que essa PEC não seja aprovada pelos senadores. Volto a falar que o PSDB vai fazer as eleições em 2022 de acordo com o que ficar decidido no Congresso Nacional", frisou.
"Independentemente de ser chapa pura ou coligações, estamos preparados para o que for decidido. Porém, é algo que devemos estranhar, pois fizeram os testes nas eleições municipais e próximo às gerais querem mudar a regra do jogo. É um retrocesso, mas vamos aguardar as votações”, completou.
O ex-deputado estadual Junior Mochi, que comanda o MDB de Mato Grosso do Sul, diz que a pauta já está acordada entre os parlamentares e que provavelmente passará com boa aprovação no Senado.
“Eu vejo isso como retrocesso. E digo mais, voltamos à estaca zero, porque o retorno das coligações vai trazer toda aquela confusão e a mistura de chapas", ressaltou.
"É mais fácil para lançar os nomes, é sim, mas, por outro lado, a identidade partidária se perde. Infelizmente, é uma pauta que já está acordada entre os senadores e os deputados, a questão era que, se derrubassem o distritão, a porta estaria aberta para passar outras questões, então é o que está acontecendo.", disse.
"O Senado não tem interesse na PEC, porque a coligação é vantajosa apenas para as proporcionais”, finalizou.
Nelson Trad Filho voltou a falar que o sistema atual visa fortalecer as siglas, mas não revela o voto diante da proposta.
“No Brasil não cabem tantas ideologias partidárias. Então, entendo que apenas uma eleição passou por mudança e devemos permanecer do jeito que está, para dar oportunidade de experimentar essa questão que está colocada hoje participando das eleições. Mas, se aprovada, faremos conforme for estipulado pelo Congresso”, explicou.
Últimas Novidades
PARTIDOS MENORES
Com partido menor, o dirigente do Solidariedade no Estado, Papy, destacou que a proposta vai ser barrada no Senado exatamente por conter pontos desconexos, como a volta das coligações.
“Conforme estava sendo conversado com a executiva nacional, os senadores não vão aprovar a pauta. Digo, não no prazo estipulado para que isso venha a influenciar nas eleições em 2022", pontuou Papy.
"Acreditar na volta das coligações é dar margens para crescimento dos pequenos partidos, não tem lógica porque o Brasil não tem tantas linhas de pensamento assim e, com isso, voltaremos àquela mistura, chapas sem ideologia partidária e que não conseguem se sustentar para concorrer às eleições”, completou.
A FAVOR
Entre os nove entrevistados, apenas Delcídio do Amaral (PTB) foi favorável à PEC da Reforma Eleitoral e disse que essa é a melhor opção para as próximas eleições.
“À luz das regras atuais, que proíbem coligações e permitem só financiamento público, é só ligar um ponto ao outro e analisar: a volta das coligações é melhor. O sistema atual exige muitas candidaturas e é um custo que inviabiliza o Fundo Eleitoral", disparou o ex-senador.
"Chegamos na tempestade perfeita quando foram proibidas as doações privadas. Se isso possibilita corrupção, então, que se estabeleçam regras mais rígidas de controle. Temos a capacidade de querer complicar tudo, isso é lamentável. De todos os itens, esse é o menos pior e conseguiremos fazer eleições mais justas”, finalizou.
A PEC
Aprovada na Comissão Especial, a matéria foi levada ao Plenário e recebeu 339 votos favoráveis e 123 contrários na primeira votação.
Entre várias mudanças, a PEC permite o retorno das coligações nas eleições proporcionais. Antes, sua principal proposta era eleger somente os deputados (estaduais e federais) e os vereadores mais votados, independentemente do partido, o chamado distritão.