O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, deixou Mato Grosso do Sul como o favorito entre os que têm votos de maior peso nas prévias do PSDB dentro do Estado. A diferença em favor de Leite ocorre por causa dos tucanos que estão com o bico fora do ninho, mas poderão votar nas prévias antes de seguirem seus planos para 2022.
O Correio do Estado apurou que a tendência de Leite ter maior adesão em Mato Grosso do Sul ocorre entre os filiados que mais se alinham ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Apesar de, assim como seu adversário na disputa, João Doria, Eduardo Leite também fazer ataques ao presidente Jair Bolsonaro, a rejeição do gaúcho é menor por dois fatores: o primeiro por conta das críticas e da defesa do impeachment de Bolsonaro por parte dele serem mais recentes, e o segundo pelo tom mais moderado de Leite em relação ao governador de São Paulo, que se opõe a Bolsonaro desde meados de 2019.
Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Leite terá votos de parlamentares que não escondem de ninguém que negociam sua ida a outros partidos, caso das deputadas federais Rose Modesto e Bia Cavassa, e do irmão de Rose e deputado estadual Rinaldo Modesto. Leite, inclusive, citou as duas deputadas ao desembarcar em Mato Grosso do Sul na sexta-feira
“Mato Grosso do Sul é um dos estados dentro das prévias do PSDB que tem mais força eleitoral, e isso é resultado do trabalho dos tucanos por aqui. Aqui o partido cresceu e tem uma representatividade muito expressiva, com o governo, nas prefeituras, com os vereadores e deputados estaduais e federais, como Rose Modesto, Bia Cavassa e Beto Pereira”, disse Leite ao Correio do Estado na ocasião.
Dos três deputados federais tucanos de Mato Grosso do Sul, somente Beto Pereira prestigiou Eduardo Leite durante sua visita, nos dias 10 e 11, mas ele deve ter o voto das duas ausentes nas prévias. Já Pereira ainda não abriu seu voto, mas não esconde a proximidade com integrantes do PSDB paulista, locomotiva da pré-candidatura de João Doria à Presidência.
Últimas notícias
IMPEACHMENT
No fim de semana, em Campo Grande, Eduardo Leite disse ser favorável ao impeachment de Jair Bolsonaro, desde que exista o clima político para isso. Segundo ele, as falas do presidente no dia 7 deste mês configuram crime de responsabilidade.
O governador gaúcho ainda criticou a tensão que o País tem vivido.
“O presidente não pode falar o que falou na terça-feira e dois dias depois pedir desculpas e tá tudo bem. Não estou defendendo que o processo de impeachment simplesmente ocorra, não quero o pior para o Brasil. Eu quero serenidade, mas pergunto: até quando vai esse recuo do presidente?”, questionou Eduardo Leite.
TERCEIRA VIA
Sobre a terceira via, movimento pela qual Eduardo Leite quer viabilizar sua candidatura, ele afirma que tentará construir um caminho nas rejeições de Lula e de Bolsonaro, que são tão grandes quanto suas intenções de voto.
“Não tenho dúvida que, no momento em que começar a conhecer mais as candidaturas, o povo brasileiro vai virar seus olhos para as alternativas. Caberá a nós conectar com o Centro os sentimentos da população brasileira”, disse.