Se no plano nacional DEM e PSL ensaiam uma fusão, criando o maior partido de direita dos últimos 20 anos no Brasil, em Mato Grosso do Sul, os caciques das duas legendas ainda tentam não falar publicamente sobre o tema.
Eles seguem “em cima do muro” quando são questionados sobre o assunto.
No plano nacional, os presidentes das duas legendas, o ex-prefeito de Salvador (BA) Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) e o deputado federal Luciano Bivar (PSL) têm conversas avançadas sobre a fusão.
Com a junção das legendas, seriam 81 deputados na Câmara (53 do PSL e 28 do DEM). Ainda que alguns dos deputados dos dois partidos não concordem com a fusão e desembarquem dela, a bancada poderia continuar como a maior da casa, uma vez que o PT tem 53 parlamentares.
A união também engordaria os fundos partidário e eleitoral das legendas.
O advogado Marco Aurélio Santullo, filiado ao DEM e ligado às articulações políticas do partido, disse que a sigla está em um processo de análise e é muito cedo para tratar sobre o tema (pelo menos oficialmente).
“A executiva nacional está recebendo essas propostas e segue conversando com os outros partidos, como PSL, entre outros. Digo que, diante desse cenário, nenhum partido quer ficar pequeno, mas existem vários parâmetros que precisam ser estudados para isso, como carta de intenção, análise do cenário político nos estados, entre outros”, pontuou.
Questionada, a presidente estadual do PSL, Soraya Thronicke, preferiu não comentar sobre o assunto.
“Ainda não vou me pronunciar sobre isso porque não há nada definido e nenhum dos presidentes dos dois partidos deram um posicionamento oficial sobre a decisão. Então, mesmo sendo presidente do PSL em MS, não posso opinar sobre o assunto”, frisou.
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As outras lideranças políticas dos dois partidos no Estado, a ministra Tereza Cristina, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta e os deputados do PSL Luiz Ovando (federal) e Renan Contar (estadual) não retornaram os contatos e também não quiseram comentar a possível fusão.
Entre os motivos da reserva está que parte deles pretende seguir o atual presidente, caso da ministra e dos dois deputados, enquanto Mandetta deve seguir caminho oposto, distante de Bolsonaro nas próximas eleições.
ANÁLISE
Advogado especialista em Direito Eleitoral, Laércio Guilhem afirmou que a fusão se trata de jogo de interesses e traz uma nova identidade partidária à direita brasileira.
“Alguns políticos podem avaliar isso como perda de identidade partidária, mas, na minha opinião, isso soma ideologias e traz uma nova cara para a direita no Brasil. A fusão partidária tem autorização legal do Tribunal Superior Eleitoral e geralmente é feita entre partidos que estão enfraquecidos no cenário político atual, então, eles se unem e se tornam um só".
"Como tudo é um jogo de interesse, no caso, o fundo partidário e o tempo disponibilizado para mídia pública, esses partidos alteram até mesmo o estatuto interno para fazer essa fusão e não perderem uma disputa eleitoral”, disse.