Com a criação do União Brasil a partir da fusão de DEM e PSL, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) tornou-se um dos “alvos” dos candidatos à Presidência em 2022.
Com Fundo Eleitoral que poderá passar dos R$ 900 milhões e um generoso tempo de TV, Mandetta tem sido chamado nos bastidores dos pré-candidatos da terceira via de “melhor via”, caso aceite ocupar a posição de vice-presidente em uma eventual chapa.
João Doria (PSDB) e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro são dois pré-candidatos que têm mantido intensas conversas com o médico sul-mato-grossense e ex-ministro de Jair Bolsonaro (sem partido).
Além de conversar com todos os partidos de centro, centro-direita e de outros espectros políticos, Mandetta destacou que não descarta futuras alianças, porém, não se vê como um possível parceiro apenas por aquilo que o União Brasil tem a oferecer.
“Não me enxergo como alvo de interesse para esses candidatos, principalmente, por conta de tudo que o União Brasil tem a oferecer. Se eu estou me tornando um nome em potencial para essas pessoas, significa que eles prezam por minha competência e inteligência, e não olham somente o benefício próprio".
"É o que eu digo: se estou oferecendo apoio, a pessoa também tem que estar preparada a me oferecer também”, disse.
Questionado sobre ser um possível candidato a “melhor via”, o ex ministro desviou o enfoque da amplitude nacional e ressaltou que pode apostar na majoritária de MS, enfatizando os atributos do União Brasil.
“Estamos criando um partido que tem um potencial muito bom, se temos condições de escolher um nome à Presidência, também temos competência para disputar na majoritária estadual".
"Não sei se estou apto ao cargo, mas acredito que o partido vai tentar se destacar ainda mais na próxima eleição”, frisou, sobre o partido que está sendo criado a partir da fusão de DEM e PSL.
Trabalhando diretamente na fusão das siglas, o ex-ministro acompanha toda a trativa e reforça que permanecerá no partido e que aguarda pela definição de posicionamento para se pronunciar abertamente sobre o futuro dos diretórios de MS.
“O meu interesse agora é acompanhar os desfechos do União Brasil no âmbito [estadual]. Reforço aqui que a fusão não está sendo uma porta de entrada, e sim de saída [referindo-se também à ministra da Agricultura, Tereza Cristina – DEM]".
"Se tem muitos candidatos interessados no que temos a oferecer, que eles venham atribuídos com desejo de somar e uma carga surpreendente. Continuarei no partido e aguardo a decisão sobre o posicionamento, depois aprofundaremos a questão em MS”, pontuou.
O Correio do Estado apurou que Soraya Thronicke será a presidente do partido em Mato Grosso do Sul. No entanto, Mandetta ressaltou que não há nenhuma decisão concreta sobre o assunto enquanto não houver uma resposta plausível sobre a fusão na Justiça Eleitoral.
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O partido
De acordo com Mandetta, a conversa sobre a fusão de DEM e PSL começou há 90 dias e ganhou força nas executivas nacionais. O maior enfoque do União Brasil é a oposição ao presidente Jair Bolsonaro, ressaltando que o partido já nascerá sabendo que não será base de apoio à reeleição do chefe do Executivo.
“Estamos conversando sobre isso há algum tempo, hoje [ontem] votaremos com a executiva nacional e, depois, vamos aguardar a tramitação na Justiça Eleitoral".
"Reitero mais uma vez que o partido já nasce com o objetivo de ser oposição ao atual presidente Jair Bolsonaro e que não apoiaremos a reeleição dele, então, quem é alinhado a ele vai sair do partido, como a própria Tereza Cristina”.
Com a soma de 81 deputados federais, o União Brasil se tornará o maior partido da Câmara dos Deputados. Do total, 53 são do PSL e 28 do DEM.
A sigla também terá o maior tempo de campanha televisionada gratuita, além do maior Fundo Eleitoral. Alguns desses parlamentares, porém, devem deixar o novo partido.
O princípio ideológico segue as orientações de centro-direita, um posicionamento econômico mais liberal e não deixando de priorizar as demandas sociais, focado em trabalhar na recuperação do País.