Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que deve buscar a reeleição no próximo pleito, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter dificuldades para montar palanques no Estado e ter capilaridade com os grupos políticos do Estado fora do PT e dos partidos de esquerda.
Mesmo sendo um nome conhecido pela massa por ter ficado oito anos na Presidência da República e por ser uma liderança histórica do Partido dos Trabalhadores, em Mato Grosso do Sul, Lula encontrará um PT muito diferente da época em que ele e a ex-presidente Dilma Rousseff disputavam cargos eletivos.
Se naquela época, Lula tinha uma base forte nos partidos de centro, e o PT tinha dezenas de vereadores e prefeitos no Estado, desta vez, o partido – embora ao lado do PSL seja a agremiação com maior naco do fundo partidário – terá uma infraestrutura bem menor em MS.
Do outro lado, Jair Bolsonaro, que embora esteja muito atrás de Lula nas pesquisas no cenário nacional, está à frente do petista em Mato Grosso do Sul e poderá ter pelo menos dois grupos muito estruturados com cabos eleitorais em seu favor.
Se a ministra Tereza Cristina (DEM, mas de saída para o PP), de fato, compor aliança com o secretário de Infraestrutura Eduardo Riedel (PSDB), boa parte dessa estrutura deverá contribuir para a campanha de Bolsonaro.
Situação similar ocorre no União Brasil, partido que pretende lançar a deputada federal Rose Modesto (atualmente, no PSDB) a governadora. Rose tem se mostrado uma fiel aliada das pautas bolsonaristas no Congresso.
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No Estado, o Partido dos Trabalhadores aposta, por enquanto, em seu nome mais ilustre: o ex-governador Zeca do PT, que se coloca como pré-candidato ao governo e que diz que está buscando alianças mais ao centro.
O PT ainda pretende lançar a vereadora da Capital Camila Jara para o cargo de deputada federal e ainda apostará na reeleição de Pedro Kemp e Amarildo Cruz para Assembleia Legislativa.
Encontro com Lula
Após um encontro com a executiva nacional e o ex-presidente Lula (PT), Zeca destacou que a conversa com então pré-candidato foi produtiva.
Ele pontuou como está montando as chapas nas proporcionais no Estado e na federal, além de reafirmar seu desejo ao governo do MS, sem projetar uma futura aliança para o Senado.
“Foi algo produtivo para nós aqui de MS, estive com Lula e Vander Loubet [PT] explicando como estão sendo construídas nossas chapas. Em particular, reafirmei minha candidatura ao governo de MS e expliquei o meu desejo, recebendo todo o apoio do dele [Lula], que pediu calma na hora de anunciar candidatos políticos ligados ao PT do Estado”, disse.
“Ainda não temos uma majoritária ao Senado, mas estamos conversando com outros partidos e visualizando possíveis alianças, podemos apoiar o PDT, PSDB ou outra legenda, depende do candidato”, frisou.
Pacífica
O deputado federal Vander Loubet (PT) reforçou o discurso, em que, apesar de conversar com várias siglas em MS, ainda não há nenhuma aliança firmada.
“Não vejo problemas em conversar com os partidos, isso faz parte, e a única coisa que o PT não faz é conversar com a direita extremista”, afirmou Loubet.
“O ano está acabando, e no encontro mesmo com o Lula, ele nos pediu informações sobre como estamos desenvolvendo nosso trabalho aqui e como estão sendo as conversas políticas, então pontuamos todas as questões, e nosso objetivo é ocupar parte do centro. Já temos conversado com MDB nacionalmente e espero que isso progrida por aqui também”, comentou.
Mesmo sem a base de apoio e tentando firmar público para as eleições em 2022, o presidente do PT em MS, Vladimir Ferreira, diz que ainda não foi procurado por nenhuma liderança política no Estado.
“Não cogitamos alianças com partidos de centro ou direita, não fomos procurados por ninguém, pelo menos até o momento, e acho pouco provável que queiram somar com a gente, pois já vimos uma polarização no cenário político de MS entre André Puccinelli [MDB] e o nosso candidato, que é o Zeca do PT”, afirmou o deputado.
“Então acredito mais que esses líderes busquem o apoio da direita mais para frente, quando verem que os resultados não serão tão bons quanto esperavam”, finalizou.