A permanência de Campo Grande há pelo menos cinco anos com a nota C no Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais, do Tesouro Nacional, gerou reclamação de vereadores, que prometeram averiguar o status negativo da capital de Mato Grosso do Sul. Camila Jara (PT) e Marcos Tabosa (PDT), ativos na visão política social, reprovam a situação crítica dos cofres públicos do município.
Na prática, é como se a cidade estivesse em um cadastro de potenciais “maus pagadores”, em razão do seu alto grau de endividamento, e por isso poderá ter dificuldades para fazer empréstimos futuros, de acordo com a avaliação realizada com ano-base de 2020, mas que também tem validade para 2021.
Integrante da Comissão permanente de Finanças e Orçamento, Camila Jara (PT) mostrou-se crítica à situação e reforçou que tentará levar a discussão para a Câmara Municipal.
“Mesmo diante de todos os problemas vindos com a crise e a pandemia, o parlamento e o Executivo adotaram várias medidas fiscais para tentar equilibrar essa conta, mas, se mesmo assim nós ainda não estamos conseguindo, a Prefeitura de Campo Grande deveria adotar outra medida de administração financeira”, afirmou Camila Jara.
“Um dos pontos que mais se bate é o de priorizar pessoas e políticas de transparência de renda, então, sem investimento na área social não temos o retorno vindo dos pequenos e a economia não gira, a arrecadação cai e as dívidas se sobressaem”, complementou a parlamentar.
Da oposição do prefeito Marcos Trad, Marcos Tabosa (PDT) colocou a discussão em panos quentes e disse que os munícipes são os que mais sofrem com a falta de empenho do Poder Executivo, referindo-se ao atual quadro econômico de Campo Grande.
“A população que paga seu imposto em dia e vê uma situação como essa se desgosta. E não é um problema atual, é antigo. Desde 2017 estamos no quadro negativo e como inadimplentes. Aí fica a pergunta, é falta de arrecadação ou de empenho da gestão pública?”, criticou Tabosa.
“Quem sofre é o pobre, que paga seus impostos em dia, precisa de um serviço público e fica à mercê, porque o Poder Executivo não tem condições de arcar”, completou o parlamentar.
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OUTRA OPINIÃO
Tiago Vargas (PSD) e Ronilço Guerreiro (Podemos) também fazem parte da Comissão Permanente de Finanças e Orçamentos, mas preferiram amenizar a situação, destacando que a gestão já enfrentava uma crise, a qual foi agravada com a pandemia. Além disso, defenderam que o Poder Executivo faz o que pode para conseguir manter o um bom quadro econômico.
Diferentemente dos discursos feitos nas redes sociais, Tiago Vargas adotou um tom mais pacífico quando falou do trabalho desenvolvido por Marcos Trad (PSD).
“A questão da inadimplência é delicada. A pandemia veio para deixar a população ainda mais comprometida financeiramente. Muitos perderam os seus empregos e tiveram a economia familiar afetada", pontuou.
"Tivemos também vários empresários e comerciantes que foram obrigados a fechar as portas pela situação do novo coronavírus. Entendemos as dificuldades dos munícipes e estamos buscando soluções para amenizar os prejuízos. Como sempre digo, a educação é fator primordial para todos, inclusive para a economia”, completou.
Sem levar em consideração as informações disponíveis nos relatórios do Tesouro Nacional, o vereador Carlos Augusto (PSB) afirmou que não está por dentro do assunto e aguarda mais informações. “Não posso comentar algo se não tenho dados concretos sobre essa inadimplência. Estou em busca de informação”, pontuou.
O Correio do Estado procurou pelo secretário municipal de Finanças, Pedro Pedrossian Neto, e pelo prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.