Embora tenha aumentado nos últimos meses sua exposição com políticos de outros partidos, a deputada federal Rose Modesto (PSDB) ainda negocia sua permanência no ninho tucano, mesmo tendo evitado todos os eventos e as aparições públicas com o partido em que construiu sua carreira política.
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O Correio do Estado apurou que, apesar de ser alçada como possível candidata ao governo de Mato Grosso do Sul ou ao Senado – opções em que as pesquisas internas dos partidos que a assediam a apontam em boa posição –, Rose Modesto avalia permanecer no PSDB.
Assim, ela partiria para a reeleição para deputada federal e teria caminho livre para se candidatar à Prefeitura de Campo Grande em 2024, o seu grande objetivo.
No PSDB, os problemas de Rose são com o atual presidente estadual do partido, o secretário-chefe da Casa Civil do governo do Estado Sérgio de Paula, e seu colega de bancada federal na Câmara dos Deputados Beto Pereira.
Em 2019, os tucanos assistiram a uma guerra fratricida entre Rose Modesto e Beto Pereira pela presidência do partido, disputa que gera efeitos até hoje.
Na época, Sérgio de Paula foi alçado como “solução” do partido para pôr fim aos conflitos públicos entre Rose Modesto e Beto Pereira. Os conflitos, porém, não cessaram.
De lá para cá, Rose também se indispôs com o cacique do PSDB, embora mantenha bom relacionamento com outros integrantes do governo, como o secretário de Infraestrutura e pré-candidato Eduardo Riedel.
Interlocutores do Correio do Estado afirmaram que Rose mantém um bom diálogo com Riedel e que ela teria confidenciado que sua intenção era a Prefeitura de Campo Grande, e não o governo.
Ocorre que, nos últimos meses, caciques de outros partidos, como o ex-governador André Puccinelli (MDB) e a senadora Soraya Thronicke (PSL, futuro União Brasil), têm aumentado o assédio a Rose, que tem retribuído.
Além disso, desde que suas rusgas com Beto Pereira começaram, Rose Modesto tem mantido o Podemos, presidido pelo empreiteiro Sérgio Murilo, como “linha auxiliar”.
Questionada sobre o assunto, Rose desviou das especulações e continuou reforçando que ainda aguarda a abertura da janela partidária em abril de 2022 para anunciar sua decisão.
“Fiquei honrada com o convite para ir para o União Brasil. Eu não decidi ainda sobre essa questão de partido e nem de cargo que disputarei: tenho até abril do ano que vem para decidir o melhor caminho”, disse.
Sobre a reunião com os filiados do PSL, a deputada afirmou ter sido convidada especialmente pela presidente da sigla em MS, Soraya Thronicke, para comparecer ao evento e dar uma palestra sobre a política atual.
Aproveitando a deixa, a senadora anunciou o desejo da sigla em ter a parlamentar como candidata e articulou pontos políticos, destacando ser anticorrupção.
“Estou falando da luta contra a corrupção, da defesa da liberdade econômica e da propriedade privada e de conservadorismo", pontuou Soraya na reunião de filiados do PSL.
Quero tranquilizá-los e mostrar os caminhos e rumos que estamos tomando neste momento aqui em Mato Grosso do Sul, onde vamos construir uma chapa completa para 2022 que será encabeçada pela deputada federal Rose Modesto”, acrescentou.