Política

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Bolsonaro ataca CPI em dia de relatório e diz não ter culpa de nada na pandemia

O texto do relator, Renan Calheiros, aponta Bolsonaro como um dos principais responsáveis pelo agravamento da pandemia

Alex Nantes

20/10/2021 - 13h31

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a CPI da Covid nesta quarta-feira (20), em resposta ao relatório final da comissão.

"Como seria bom se aquela CPI tivesse fazendo algo de produtivo para nosso Brasil. Tomaram tempo de nosso ministro da Saúde, de servidores, de pessoas humildes e de empresários."

"Nada produziram, a não ser o ódio e o rancor entre alguns de nós. Mas sabemos que não temos culpa de absolumente nada, fizemos a coisa certa desde o primeiro momento", disse o presidente.

O texto do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), aponta Bolsonaro como um dos principais responsáveis pelo agravamento da pandemia e sugere que o presidente seja responsabilizado e investigado por nove crimes.

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Na lista, há crimes comuns, previstos no Código Penal; crimes de responsabilidade, previstos na Lei de Impeachment, e crimes contra a humanidade, previsto pelo Estatuto de Roma.

A fala de Bolsonaro ocorreu enquanto Renan lia o parecer da comissão de inquérito que será votado pelos senadores na semana que vem.

Bolsonaro criticou a CPI durante evento em Russas, no Ceará, a 180 km da capital, Fortaleza. O presidente disse que a comissão "nada fez" de produtivo e que o colegiado gerou "ódio e rancor". Ele ainda se eximiu de culpa.

Enquanto Bolsonaro falava, apoiadores presentes ao evento proferiam xingamentos a Renan, algoz do governo na comissão. 

"A voz do povo é a voz de Deus", disse Bolsonaro depois de aguardar que as centenas de pessoas cessassem as críticas ao relator da comissão.

No evento, o presidente voltou a defender o tratamento precoce, comprovadamente ineficaz contra a Covid. 

"Defendi que os médicos brasileiros tivessem autonomia para receitar os remédios, uma decisão que pode ter salvado a vida de muitas pessoas", disse Bolsonaro.

As falas de Bolsonaro foram durante o evento que lançou um edital de trecho da transposição do rio São Francisco.

Bolsonaro chegou a Russas de helicóptero. O avião que o levou de Brasília pousou em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, próximo à divisa com o Ceará.

Em Russas, o presidente cumprimentou apoiadores nas ruas até chegar ao local do evento.

Sem usar máscara de proteção contra a Covid, o presidente estava acompanhado no palco do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, e de deputados federais e estaduais aliados.

Barros ataca relatório e ameaça processar senadores que votarem a favor de texto

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), afirmou nesta quarta-feira (20) não haver "uma vírgula" no parecer do senador Renan Calheiros (MDB-AL) que o comprometa, mas ameaçou processar o relator e os senadores que votarem a favor do texto.

Em seu relatório, Renan pediu o indiciamento de Barros por incitação ao crime, advocacia administrativa, formação de organização criminosa e improbidade administrativa.

"Estou tranquilo, adorei o relatório, não tem uma vírgula do relatório que me comprometa. Zero", disse. "Isso é um circo. Vou repetir, é um circo. E um circo não vai influenciar as decisões do governo."

Barros falou com jornalistas ao deixar reunião do conselho de ética que adiou, por uma semana, a leitura do relatório do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP). O parecer diz respeito à representação protocolada pelo PSOL contra Barros pelo caso da vacina Covaxin.

Segundo Barros, o relatório tem erros crassos. "Todas as pessoas ouvidas por ele negaram a minha participação, ele não se conforma. 

A tese dele não se confirmou, nem quebra de sigilo nem depoimentos confirmaram a minha participação", ressaltou.

"Então, obviamente, se eles persistirem nessa conduta, vou processá-lo por abuso de autoridade e vou processá-lo também por denunciação caluniosa, porque ele sabe que eu sou inocente", complementou.

"Vai responder juridicamente. E os outros senadores que votarem a favor do relatório também, na sucessão. Ele eu processo agora, quando ele divulga seu relatório, os outros eu processo depois, quando votarem a favor do relatório dele sabendo que não têm os elementos."

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