A ida do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro para o Podemos animou os integrantes do partido em Mato Grosso do Sul, que têm um projeto ambicioso para o próximo ano: posicionar a legenda, que ainda está entre as pequenas do Estado, entre as grandes.
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Para isso, o diretório regional da sigla está trazendo novos nomes, como o ex-vereador e ex-tucano André Salineiro.
A “quase ex-tucana” e deputada federal Rose Modesto (PSDB) é o plano A do partido para o governo do Estado.
A meta do presidente estadual do partido, Sérgio Murilo, é eleger pelo menos dois deputados estaduais e um deputado federal. Atualmente, o MDB, que governou Mato Grosso do Sul por oito anos seguidos e por 16 anos ao longo da história, não tem nenhum cargo na Câmara dos Deputados, a título de comparação.
Nas eleições passadas para prefeito, o Podemos surpreendeu em Campo Grande, elegendo três vereadores, mesma quantidade do PSDB.
A candidata do partido à prefeitura, na ocasião, Delegada Sidnéia, ficou à frente de nomes tradicionais da política local, como o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) e o deputado estadual Marcio Fernandes (PSDB).
EUFORIA
Nesta sexta-feira (5), o partido promoveu uma grande reunião visando às eleições de 2022.
No encontro, que acabou não contando com a deputada federal Rose Modesto, mas que teve a participação de quase todos os funcionários do gabinete do irmão dela, o deputado estadual Rinaldo Modesto (PSDB), os dirigentes do partido mostraram-se eufóricos com a chegada de Sergio Moro, provável candidato à Presidência.
É o caso do secretário-geral da legenda, Luís França, e do secretário de Política, Bruno Ornelas.
“O Moro está trazendo uma nova cara para o Podemos, vai engrandecer ainda mais o nosso partido, que foi um dos que mais cresceram no Brasil desde a última eleição", disse França.
Além do mais, teremos uma ideologia marcada e isso vai se sobressair não só em âmbito nacional, mas em alguns estados, como em MS, que tem a ideologia voltada para centro-direita”, complementou.
COLIGAÇÃO
Sérgio Murilo, presidente do Podemos em Mato Grosso do Sul, afirmou que a possível aliança com o União Brasil (partido que deve surgir a partir da fusão do DEM e do PSL) em nível nacional, deve se reproduzir em Mato Grosso do Sul, com Rose Modesto como candidata a governadora pelo Podemos ou pelo próprio União.
“Converso com a Soraya Thronicke [PSL] antes mesmo de eles terem a ideia dessa fusão, e ela já tinha me falado sobre o interesse na candidatura da Rose ao governo do Estado, fazendo com que ela se retirasse de cena, e apostaria as fichas nela, assim como o Podemos", pontuou Sérgio Murilo.
"Após eles firmarem a ideia do partido, o qual ela vai comandar aqui no Estado, o diálogo se aprofundou e estamos seguindo nas tratativas, se Rose tiver que ir para o União, apoiaremos até o fim”, acrescentou Murilo.
Mesmo com a ida de Moro para o Podemos, as chances de a legenda emplacar uma candidatura na majoritária estadual ainda são baixas, e o diálogo com o PSL/União Brasil vem sendo intensificado, o que demonstra que a sigla visa mesmo coligar na principal candidatura do Estado e dar ainda mais destaque a Rose Modesto.
“Se lá ela tem mais condições de destaque, muito mais chances de ter uma boa campanha, o que atualmente não temos como oferecer, é maravilhoso. Tiro como exemplo o seguinte, se ela pode jogar no Maracanã [União Brasil], por que ela vai querer abrir o jogo no Morenão [Podemos]? Então seguimos juntos”, disse Luís França.
Em entrevistas anteriores, Rose afirmou ter condições de apostar em uma candidatura majoritária, agradecendo pelo apoio político e deixando nas entrelinhas a sua saída do PSDB.
“Toda essa popularidade é natural e tudo isso é muito expressivo em relação ao meu trabalho, pois tenho focado bastante nas ações do meu mandato e quero encerrar bem este ano".
"Ainda estou analisando o que será feito em 2022, até lá estarei mais em condições de avaliar todo esse contexto que está sendo construído, mas atualmente digo que tenho condições de apostar em uma candidatura na majoritária".
"Então não é o momento para se decidir, e sim conversar com os partidos que me convidaram para compor a legenda, com as lideranças, e articular os assuntos para estarmos prontos no ano que vem para escolher o melhor caminho a ser seguido”, finalizou.