Se para muitos a composição de uma chapa com o secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel (PSDB), no governo, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), como senadora ainda estava no plano da especulação, a cada fim de semana a aliança entre os dois, visando as eleições de 2022, fica mais visível.
Na sexta-feira, no sábado e no domingo, Riedel e Tereza estiveram juntos em dois eventos no interior do Estado e em um na Capital.
O acordo entre o governo do PSDB de Mato Grosso do Sul e a ministra Tereza Cristina também avança na acomodação de aliados.
Um cargo de primeiro escalão na administração de Reinaldo Azambuja continua disponível, e nos próximos dias, deve ser ocupado pelo aliado da ministra da Agricultura e integrante da executiva do DEM de Mato Grosso do Sul Marco Aurélio Santullo.
O Correio do Estado adiantou, em primeira mão, essa informação no mês passado.
O futuro cargo de Santullo, provavelmente uma secretaria adjunta de governo, estava aberto ao atual presidente da Associação Nacional de Extensão Rural (Anater), Ademar Silva Júnior.
Ele, porém, não assumiu o cargo por questões ligadas à sua saúde.
Perguntada sobre a aliança com Riedel, Tereza Cristina elogiou o secretário e disse que a possibilidade é grande, pois na política todo mundo conversa.
“O Eduardo [Riedel], além de ser um ótimo secretário, é meu amigo pessoal há muitos anos”, disse a ministra da Agricultura.
Lado a lado
Quem acompanhou Riedel e Tereza Cristina viu uma sintonia tão forte que é capaz de cravar que os planos de ambos já estão selados para o próximo ano, mudem eles ou não de partido.
O perfil dos eventos também vai ganhando contornos de campanha político-eleitoral: na sexta-feira, em Campo Grande, aproveitaram para se reunir com empresários e outros políticos em uma entrega de premiações e homenagens da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).
No sábado, foram a Sidrolândia para entregar títulos de regularização fundiária em um dos assentamentos da cidade.
No domingo, estiveram em Coxim em um evento promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo consórcio de municípios do Alto Taquari, lançando um programa que deu consultoria a agricultores e a empresários da região norte do Estado.
De quebra, Tereza Cristina e Eduardo Riedel encontraram-se com os 14 prefeitos da região. Na semana passada, também estiveram juntos em outras entregas de títulos, em cidades como Nova Alvorada do Sul, por exemplo.
Enquanto falam sobre o desenvolvimento das regiões de Mato Grosso do Sul nesses eventos, e viajam juntos, Tereza e Riedel têm aproveitado para acertar os pontos da aliança para o próximo ano, e já atuam na consolidação de apoiadores também no interior do Estado.
Por enquanto, Riedel é o pré-candidato a governador com mais chance de oficializar sua candidatura.
Desde o início do ano, quando o secretário migrou da Pasta de Governo e Gestão Estratégica para a de Infraestrutura, o plano passou a ser colocado em prática.
Tereza Cristina, que já foi cogitada para enfrentar Riedel na disputa para o governo, mas nunca escondeu o desejo de ser senadora, dá sinais de que o plano de concorrer ao Senado será mesmo efetivado.
Resta saber se ambos continuarão no PSDB e no DEM, respectivamente. O destino, inclusive, poderá colocá-los no mesmo partido: o PP. Apesar de ser uma chance mais remota, ela não é descartada.
Tereza deve deixar o DEM por dois motivos: por enquanto, tudo indica que o União Brasil (partido resultante da futura fusão entre DEM e PSL) deve se opor ao presidente Jair Bolsonaro nas próximas eleições.
A segunda razão é que a primeira investida dela para ficar com o comando do novo partido em Mato Grosso do Sul esbarrou em decisão já tomada pelo futuro presidente do União, deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE): o novo partido, por aqui, será comandado pela atual presidente regional do PSL, senadora Soraya Thronicke.
Já Eduardo Riedel poderia deixar o PSDB para ter mais facilidade de fazer alianças e para não ter a obrigação de subir no palanque de Eduardo Leite ou de João Doria (os dois pré-candidatos à Presidência favoritos no partido).
Mas a saída dele do ninho tucano é mais remota: por enquanto, continua no PSDB, como parte do projeto de fortalecer o partido no Congresso em 2022.