Política

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Bolsonaro se reúne com Valdemar, e PL anuncia filiação para dia 22

Bolsonaro está sem partido desde que rompeu com o PSL no final de 2019

Thais Libni

10/11/2021 - 15h20

Após uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o chefe do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou a filiação do mandatário ao partido em um ato em 22 de novembro, em Brasília.

Valdemar e Bolsonaro se encontraram nesta quarta-feira (10) no Palácio do Planalto para fechar os últimos detalhes da entrada do presidente no PL. Além de Bolsonaro, políticos aliados devem migrar para a mesma legenda.

Bolsonaro está sem partido desde que rompeu com o PSL no final de 2019. Sem conseguir estruturar uma nova legenda, o Aliança pelo Brasil, Bolsonaro iniciou conversas com partidos do centrão, entre eles o PL e o PP.

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Seu filho Flávio Bolsonaro chegou a se filiar a outros dois partidos enquanto tentavam negociar a filiação do presidente: Republicanos e Patriota.

De acordo com o próprio Bolsonaro, na manhã desta quarta, a ida para o PL estava 99,9% confirmada e depende de detalhes.

Em entrevista a uma rádio do Espírito Santo, na manhã desta quarta-feira (10), ele disse que pretendia concluir algumas negociações sobre São Paulo para bater o martelo.

"Se eu vier a disputar a reeleição, eu quero ter um candidato ao governo do estado em São Paulo, um candidato ao Senado e uma boa bancada de indicados", disse. "Está faltando acertar esse pequeno detalhe com o Valdemar, que eu acredito que a gente acerte no dia de hoje."

Tanto o PP quanto o PL são aliados do governador João Doria (PSDB), em São Paulo. Mas havia ainda uma movimentação, em especial do partido de Ciro Nogueira (Casa Civil), para lançar o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) para o Senado, numa chapa com Geraldo Alckmin.

O ex-governador está bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, mas é adversário político de Bolsonaro. O presidente quer lançar Tarcísio para o governo de São Paulo, mas o ministro resiste à ideia e prefere sair para o Senado.

Além disso, experientes lideranças do centrão acham que as chances de uma candidatura de Tarcísio prosperar para o governo do Estado são baixas.

Bolsonaro quer um candidato a governo para ter palanque no maior colégio eleitoral do País.

Também participaram do encontro no Planalto na manhã desta quarta o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), e Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência).

O ministro foi um dos principais fiadores da ida do presidente para a legenda -ele também deve se filiar para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul.

Um dos principais temas discutido na reunião foi eleger o maior número de senadores possível. Auxiliares palacianos entendem ser essencial para um eventual segundo mandato consolidar uma bancada no Senado.

Hoje Bolsonaro não consegue aprovar propostas na Casa, que é presidida por um possível adversário em 2022, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG)

A ideia de aliados do presidente é que a entrada de Bolsonaro no PL consolide uma chapa à reeleição que também deve ter o PP e o Republicanos como pilares de sustentação. O plano é que o PP indique o vice de Bolsonaro.

Auxiliares palacianos dizem acreditar que a filiação ao PL é a forma mais garantida de amarrar a sigla com o presidente em 2022, evitando uma eventual neutralidade ou, pior, debandada para apoiar outro candidato, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Aliados também veem certa dose de pragmatismo na escolha do partido. A avaliação é que o tempo de televisão será crucial na disputa e o PP já é dado como certo na coligação. Assim, com o PL, Bolsonaro teria ainda mais exposição no horário eleitoral.

A provável filiação de Bolsonaro e seus apoiadores ao partido consolida ainda mais a mudança de postura do presidente, eleito com a promessa de acabar com o que chama de "velha política", moldada no toma lá dá cá.

O "toma lá" são os vários cargos de segundo e terceiro escalão da máquina federal, postos cobiçados por caciques partidários para manter seu grau de influência em Brasília e nos estados.

O "dá cá" é uma base de apoio mínima no Congresso para, mais do que aprovar projetos de seu interesse, evitar a abertura de um possível processo de impeachment.

O general Augusto Heleno (GSI), na campanha de 2018, cantou: "Se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão". O PL e o PP ocupam as principais cadeiras no Palácio do Planalto: Casa Civil, com Ciro Nogueira, e Secretaria de Governo, com Flávia Arruda.​

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