Política

Política

Alckmin indica preocupação com discurso de Lula sobre reforma trabalhista

Alckmin disse que há apreensão no mercado sobre a possibilidade de revisão da reforma trabalhista conduzida pelo ex-presidente Michel Temer (MDB)

Thais Libni

10/01/2022 - 20h00

Cotado para a vice da chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) manifestou preocupação com a proposta de revogação da reforma trabalhista encampada por setores petistas.

Em café da manhã nesta segunda-feira (10) com o presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SP), "Paulinho da Força", Alckmin pediu informações sobre a revogação de pontos da reforma trabalhista na Espanha e quis saber a opinião das centrais sindicais sobre o tema.

Segundo Paulinho, Alckmin disse que há apreensão no mercado sobre a possibilidade de revisão da reforma trabalhista conduzida pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). O ex-governador também pediu que o deputado lhe encaminhasse material sobre o assunto, como suas sugestões de emendas.

Na conversa, Paulinho oficializou o convite para que Alckmin se filie ao Solidariedade, onde, segundo o presidente do partido, o ex-tucano teria total liberdade e poderia compor a chapa com Lula.

A percepção de interlocutores de Alckmin é a de que ele abandonou de vez a ideia de concorrer ao Governo de São Paulo e tem mirado no plano nacional, falando de questões federais, como desemprego e isolamento em relação a outros países.

Ainda de acordo com Paulinho, o entendimento de Alckmin é o de que a chamada terceira via não tem chances na eleição -que deve ser decidida entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com Alckmin vice, a vitória petista poderia vir no primeiro turno na avaliação dos aliados do ex-governador.

O movimento para unir Alckmin e Lula partiu do PSB, que filiaria o ex-tucano e estuda formar uma federação com o PT na eleição de 2022. Para isso, porém, os partidos teriam que unificar candidaturas a governador em cinco estados.

O cenário mais difícil é o de São Paulo, em que Márcio França (PSB) e Fernando Haddad (PT) pleiteiam a candidatura a governador.

O encontro com Paulinho sinaliza que Alckmin não depende da filiação ao PSB para compor a chapa com Lula -Solidariedade e PV também são opções, sobretudo num contexto em que as negociações entre PT e PSB estão travadas diante do impasse paulista.

Paulinho argumentou que o PSB tem se valido da negociação com o ex-governador de São Paulo para exigir apoio do PT a seus candidatos a governos estaduais. Alckmin admitiu a possibilidade de se filiar ao Solidariedade. Mas não deu resposta.

"Aqui [no Solidariedade], Alckmin não seria usado como moeda de troca", disse Paulinho à reportagem.

Segundo Paulinho, Alckmin não mencionou as recentes manifestações de Lula e da presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), favoráveis à iniciativa do governo espanhol, que revogou a reforma trabalhista local. O dirigente partidário foi quem iniciou a conversa sobre o tema.

No último dia 4, Lula publicou nas redes um post afirmando ser "importante que os brasileiros acompanhem de perto o que está acontecendo na reforma trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro Sanchez está trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores".

"Alckmin disse que está preocupado com a discussão que surge nos últimos dias sobre a revogação da reforma trabalhista", afirmou Paulinho.

Em resposta, o ex-presidente da Força Sindical afirmou que as centrais não defendem a revogação da reforma, mas a regulamentação da possibilidade de fixação, em assembleia, do valor de contribuição sindical por categoria.

Para Paulinho, deveria haver liberdade de negociação entre os sindicatos e representações patronais -o valor da contribuição seria estabelecido em assembleias. "Revogar a reforma não nos agrada, achamos que não é necessário", afirmou

Alckmin se disse preocupado com a crise econômica, chegando a ressaltar a existência de moradores de rua até mesmo em Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal.

Na Espanha, a nova reforma, chamada também de "contrarreforma", revisa mudanças feitas em 2012 e que teriam impulsionado a precarização das condições de trabalho no país.

Entre as medidas, extingue os contratos por obra, limita os contratos temporários (que correspondem a cerca de 25% dos empregos no país) e estabelece regras mais rigorosas nas terceirizações.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou que quatro anos depois da entrada em vigor da reforma trabalhista, completados em novembro, o saldo é de queda no número de ações na Justiça do Trabalho, mas o número de empregos anunciado pelo governo à época ficou só na promessa.

Assine o Correio do Estado

Eleições 2026

Eleitor que faltou no 2º turno tem até 8 de janeiro para justificar o voto

Pessoas, de 18 a 69 anos, que viajaram, mudaram de cidade, ficaram doentes ou por qualquer outro motivo deixaram de votar, devem justificar o voto

05/11/2026 10h25

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica Paulo Ribas

Continue Lendo...

mato grosso do sul

Pessoas físicas doaram R$ 5,36 milhões para candidatos ao governo e ao Senado

O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e o senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) concentraram 75,3% das contribuições

05/11/2026 08h00

Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel

Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel Marcelo Victor

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).