A voracidade de candidatos em busca de votos é algo que se repete em todas as eleições e já não surpreende mais. Contudo, chamam atenção as estratégias adotadas, seguindo linhas diferentes e de olho em nichos de eleitores.
Enquanto uns procuram ser mais pragmáticos e comedidos, outros partem para o ataque e querem mais do que propor algo: querem desconstruir imagens de rivais em busca de conquistar os votos.
É esse o caminho que pretensos representantes da “terceira via” ensaiam adotar na campanha presidencial deste ano.
Se, por um lado, conforme já abordado pelo Correio do Estado em edição anterior, o mote deste ano será a pauta econômica para os candidatos ao Executivo (governo do Estado e Presidência), por outro, os ataques ao que representam espectros políticos como o lulopetismo e o bolsonarismo também parecem que vão dominar o debate.
Ciro Gomes (PDT), por exemplo, vem indicando tal caminho em suas falas públicas. O pedetista, quarto colocado nas pesquisas, aponta problemas e faz duras críticas aos dois líderes na corrida presidencial, inclusive, chegando a alegar haver um pacto de paz entre Lula e Bolsonaro para que ambos cheguem ao segundo turno.
“Esse é o caminho que todos que querem se posicionar como terceira via vão adotar. Essa polarização não é boa para o Brasil, e creio que até junho e julho esta será uma das estratégias adotadas por eles. Chegar ao patamar do Lula é difícil, mas o Bolsonaro vem caindo e é possível ultrapassá-lo e ir para um segundo turno. Ali, todos se unem contra essa polarização. É uma condição que incomoda a todos”, revela o líder do PDT em Mato Grosso do Sul, deputado federal Dagoberto Nogueira.
Nas redes sociais, é comum ver os termos “bolsolula” e “bolsolulismo” sendo proferidos por militantes do ex-juiz Sergio Moro, como é o caso do ex-vereador Vinicius Siqueira – que outrora militou por Bolsonaro e, surfando nessa onda, até candidato a prefeito de Campo Grande foi.
Costumeiramente, ataques aos dois lados são feitos por Siqueira, associando a imagem dos dois políticos como sendo “farinha do mesmo saco”. Contudo, ao menos em Mato Grosso do Sul, essa não deve ser a tônica morista, se for levada em conta o panorama oficial das campanhas eleitorais.
“Aqui não acompanharemos essa tese. Faremos uma campanha propositiva para o Sergio Moro. A executiva nacional imporá um conceito para a campanha do Moro tão logo as candidaturas presidenciais estejam consolidadas”, explica o presidente do Podemos sul-mato-grossense, Sérgio Murilo.
O Podemos abriga o ex-juiz atualmente e é a sigla pela qual Moro deve concorrer ao cargo de presidente em outubro.
Na política, é típico que se fale em campanha propositiva quando candidaturas não usarão de ataques contra os adversários ou quando não vão explorar à exaustão falhas dos rivais, preferindo falar sobre seus projetos para o governo e soluções para problemas que urgem por medidas de curto e longo prazo.
Ainda que se especule uma breve passagem de Moro do Podemos para um desembarque no União Brasil, por ora, o partido trabalha com ele como seu pré-candidato à Presidência.
O ex-juiz é o terceiro colocado em todas as pesquisas divulgadas desde que se lançou como pré-candidato em novembro do ano passado.
6 nomes favoritos
O projeto de terceira via para outubro é almejado por seis nomes que tentam se viabilizar como os principais deste nicho eleitoral. Atualmente, Moro e Ciro são os favoritos a tal posto – ambos migrando da esquerda e da direita.
Contudo, ainda correm por fora o tucano João Doria, governador do estado de São Paulo, e a emedebista Simone Tebet, senadora por Mato Grosso do Sul. Ambos tentam fazer seus nomes deslancharem, mas os números de intenções de votos são baixos.
Rodrigo Pacheco (PSD) e Alessandro Vieira (Cidadania) aparecem mais atrás na lista de candidatos, sem empolgar nas pesquisas.