Na política, nada é definitivo até que seja oficial, assinado e registrado no órgão competente. E, assim, inúmeras pré-candidaturas que estão postas podem, do nada, ir para a gaveta e não sair do papel.
Dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), não há figura mais forte que o ex-governador Zeca do PT em Mato Grosso do Sul, e ele é o nome lançado para participar da disputa pela chefia do Executivo estadual neste ano.
Contudo, o velho cacique da esquerda ainda deve esperar um tempo para cravar seu nome na corrida por votos em 2022, ao menos para o cargo de governador do Estado entre os anos de 2023 e 2026.
Negociações nacionais podem fazer com que haja um recuo de José Orcírio – este é o nome do ex-governador – para abrir espaço para outros nomes, que, apesar de tal hipótese soar estranha, podem, sim, aparecer ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no palanque regional.
A conjuntura pensada surge de uma reaproximação recente entre o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e a alta cúpula petista em torno da formação da chapa de Lula como presidente e Geraldo Alckmin, ex-tucano e rival dos petistas, como vice – a sigla pessedista deve ser o destino do ex-governador paulista.
Nem mesmo a rejeição dos mais apegados à ideologia partidária parece ser capaz de impedir esse namoro.
Assim, composições estaduais para tal são necessárias, como se prova na Bahia, onde Rui Costa, atual governador, deve desistir de se candidatar ao Senado em outubro e abrir caminho para o possível colega de aliança, Otto Alencar, concorrer à reeleição como senador – neste ano, há apenas uma vaga por estado ao principal parlamento brasileiro.
Em Mato Grosso do Sul, o mesmo pode ocorrer, mas em cargos diferentes: para que Marquinhos Trad “voe livre” em busca da cadeira de chefe do Executivo sul-mato-grossense, Zeca pode sair dessa briga e retomar os planos iniciais de apenas buscar uma vaga na Assembleia Legislativa, conforme apurado pela reportagem do Correio do Estado com fontes ligadas aos bastidores da política.
Ainda no ano passado, foi Kassab quem revelou a pretensão do partido de lançar Marquinhos ao governo, mostrando também que ele tem apoio irrestrito da sigla – poucos outros nomes foram citados pelo líder-mor além do irmão do meio do trio que lidera o clã Trad.
TRABALHO FORMADO
Recentemente, o Correio do Estado também conversou com o presidente do PT local, Wladimir Ferreira, que negou qualquer recuo de Zeca e confirmou o nome dele com apoio irrestrito da esquerda estadual, com bases já formadas para o trabalho.
“Ele é o nome mais forte que temos aqui e será nosso candidato. Ser um palanque eleitoral para Lula também influenciou nossa decisão, tomada em conjunto com a executiva nacional”, frisou o dirigente partidário.
Questões relacionadas ao estado de saúde do ex-governador o tiraram das disputas eleitorais de 2020. Após sair do governo em 2006, ele tentou retornar em 2010, sem sucesso, mas se elegeu em 2012 como vereador e em 2014 como deputado federal. Já em 2018, tentou o Senado e perdeu.
Palanque de Lula
Por ora, Zeca é quem figura ainda como o principal nome da esquerda sul-mato-grossense, um fato que demonstra que a mesma está envelhecida e precisa de renovação. Contudo, caso a esfera federal faça com que a ideia de sua candidatura seja abortada, poderemos ver em Mato Grosso do Sul um palanque “estranho”, com Marquinhos Trad e Lula lado a lado, dividindo o mesmo espaço e pedindo votos juntos.