Política

PROVOCAÇÃO

"Chora, negrada vitimista", diz Sérgio Camargo após sair da Fundação Palmares

Ele se filiou ao Partido Liberal (PL) para concorrer como deputado federal por São Paulo

Ana Clara Santos

03/04/2022 - 19h00

O ex-presidente da Fundação Palmares Sérgio Camargo (PL) se manifestou no Twitter após ter deixado a instituição. Ao compartilhar uma foto com Jair Bolsonaro (PL) e recortes de notícias, Camargo escreveu: "Chora, negrada vitimista".

As manchetes recortadas exibem a notícia da exoneração de Sérgio Camargo, que deixou a Palmares para lançar a pré-candidatura a deputado federal por São Paulo.

Camargo se filiou ao PL, mesmo partido do presidente da República. Na imagem compartilhada no Twitter de Camargo, há escrito: "sou o terror dos afromimizentos e libertei a Palmares kkk. A batalha continuará na Câmara Federal".

Na manhã deste domingo, em novo tuíte, ele disse que vai "detonar o discurso e as pautas da militância vitimista". "Chega dessa porcaria! Negros não precisam ser vítimas. Negros não precisam ser de esquerda. Negros são livres", escreveu.

Não é a primeira vez que Camargo publica frases racistas e agressivas. Desde que assumiu o posto de presidente da Fundação Palmares, ele foi criticado por lideranças de movimentos negros por essas manifestações.

A mais recente foi em fevereiro deste ano, Camargo foi alvo de diversos pedidos judiciais depois de afirmar que o refugiado congolês Moïse Kabagambe, espancado até a morte no Rio, era "vagabundo morto por vagabundos mais fortes".

O ex-presidente da Fundação Palmares, que se define como "negro de direita, antivitimista, inimigo do politicamente correto, livre", nega a existência do racismo estrutural e chamou movimentos negros de "conjunto de escravos ideológicos da esquerda".

Racismo estrutural existe e é o termo usado para reforçar o fato de que existem sociedades estruturadas com base na discriminação que privilegia algumas raças em detrimento das outras. 

No Brasil, nos outros países americanos e nos europeus, essa distinção favorece os brancos e desfavorece negros e indígenas.

Segundo dados da Pnad, negros (definidos pelo IBGE como pretos e pardos) têm maiores dificuldades de acesso à moradia: 7 em cada 10 que moram em casas com inadequação são pretos ou pardos. 

A desigualdade também é sentida na vulnerabilidade: mulheres negras têm 64% mais riscos de serem assassinadas quando comparadas com mulheres brancas.

Já um estudo divulgado pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), mostra que trabalhadores negros recebem salário 17% menor que o de brancos que têm a mesma origem social, em média.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, por sua vez, aponta que oito a cada dez pessoas mortas pela polícia em 2019 eram negras.

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