O senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD) foi escolhido na tarde desta segunda-feira (20) como o relator da comissão externa criada pelo Senado para acompanhar as investigações sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira,41 e do jornalista britânico Dom Philips, 57.
Os dois sumiram no dia 5 de junho, 15 dias atrás, logo depois de seguiram para a região do Vale do Javari, no Amazonas. Os corpos deles, já idenficados, foram achados semana passada, 12 dias depois do desaparecimento.
Dom e Bruno foram executados a tiros disparados de arma usada para caça.
Por meio de um vídeo gravado ontem à tarde, o senador, disse que os trabalhos da comissão será ativado já na quarta-feira pela manhã (22) com audiências com líderes indígenas da região do Javari, onde ocorreram os crimes.
https://player.vimeo.com/progressive_redirect/playback/722358012/rendition/360p/file.mp4?loc=external&oauth2_token_id=1289434942&signature=4519ba6f3c0deed1320aa4af7be324dee199a7001b188dd465b95988902607ccLogo que escolhido relator da comissão, Nelsinho Trad disse:
“Agradeço a confiança dos pares em nosso trabalho e me comprometo em assegurar a transparência na comissão instalada hoje [segunda]. Pretendemos levar ao conhecimento da população todos os desdobramentos dos assassinatos de Dom e Bruno, bem como as apurações sobre a criminalidade que se instalou na região Amazônica".
Nelsinho afirmou, também, que "dentro da comissão, serei ainda um interlocutor do Parlamento Amazônico, onde os oito países que o integram veem a Amazônia como um território compartilhado.”
Formação
A comissão será composta por nove integrantes, 3 da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania Justiça do Senado, 3 de Comissão do Meio Ambiente e 3 da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.
Nelsinho, como relator da questão, é o parlamentar responsável em apresentar parecer sobre matéria de competência do colegiado, no caso, o que descobrirem sobre o episódio que pôs fim a vida do jornalista e do indigenista.
O duplo assassinato
Nota divulgada pela Polícia Federal, no sábado passado (18), diz que Bruno Pereira, o indigenista, foi morto com dois tiros na região abdominal e torácica e um na cabeça.
Já Dom Phillips, o jornalista levou um tiro no abdômen/tórax. A munição usada no assassinato foi típica de caça, revelou a Polícia Federal. Por enquanto, ainda segundo a PF, ao menos oito pessoas estariam implicados nos crimes.
O britânico escrevia para o jornal The Guardian, mas já coloborou em edições do The New York Times, Washington Post e Financial Times. Ele produzia um livro, "Como salvar o Amazônia". Era casado e pai de três filhos.
E o indigenista Bruno era servidor de carreira da Funai, mas estava licenciado do cargo. Embora afastado, ele seguiu na região amazônica, a conhecida Vale do Javari. Denunciava grupos que invadiam terras indígenas e já tinha sido ameaçado de morte. Casado, Bruno tinha dois filhos.