Política

ELEIÇÕES 2022

Tentando recuperar "tempos de ouro", MDB busca postura humilde em MS

Após seguidas derrotas e escândalos, partido aposta em discurso brando e abre portas a quem quiser apoiar Puccinelli

Após sofrer declínio nas últimas eleições, o MDB adotou discurso humilde para tentar retornar ao comando do Estado. Investigações, prisões e racha interno fizeram com que o então PMDB descesse degrau por degrau de um pedestal antes sustentado pelos principais cargos eletivos e pelas maiores bancadas.  

Nos “tempos de ouro”, a sigla tinha sob seu comando o governo do Estado, com André Puccinelli, e a Prefeitura de Campo Grande, com Nelsinho Trad (hoje senador pelo PSD), base aliada consolidada na Câmara Municipal com a maioria das cadeiras e o comando da mesa diretora, assim como na Assembleia Legislativa. 

Até no Senado, ocupava duas das três cadeiras destinadas aos eleitos por Mato Grosso do Sul, à época com a dobradinha Simone Tebet e Waldemir Moka.  

As chapas eram sempre encabeçadas por nomes da legenda. Mas o vento começou a tomar novos rumos em 2012, quando o escolhido para disputar a sucessão de Nelsinho foi o então secretário de Obras de Puccinelli, deputado federal licenciado Edson Giroto.

Ele chegou a ir para o segundo turno, mas acabou derrotado por Alcides Bernal (PP). Era o fim da hegemonia de mais de uma década no comando do maior colégio eleitoral do estado.  

O MDB estava no Executivo municipal desde 1993. Dois anos depois, com o fim de oito anos à frente do Estado, novamente o partido se viu enfraquecido com a candidatura de Nelsinho à sucessão de Puccinelli.  

Algumas correntes não queriam o ex-prefeito como candidato, e as rachaduras começaram a ser expostas, mas, por fim, após ameaça de troca de partido, ele conseguiu viabilizar o próprio nome.  

No entanto, não chegou sequer ao segundo turno, disputado por Reinaldo Azambuja (PSDB) e Delcídio do Amaral (PT).  

Em 2016, contrariando a expectativa da direção nacional, o MDB ficou fora da disputa pela Prefeitura de Campo Grande. 

Pouco antes do início da campanha eleitoral, Puccinelli, que estava sem mandato desde 2014 e era nome cogitado para tentar voltar ao comando da cidade, já era investigado pela Polícia Federal e teve o apartamento em que morava alvo de mandado de busca e apreensão na 2ª fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Fazendas de Lama.  

Na época, outras opções, como o ex-ministro Carlos Marun, Simone Tebet, Waldemir Moka e até a ex-secretária de Assistência Social Tânia Garib, foram citadas para encabeçar chapa, porém, a decisão final foi não concorrer ao Executivo.  

No pleito de 2018, mais uma vez, a Lama Asfáltica atrapalhou os planos eleitorais do MDB sul-mato-grossense. Dias antes da convenção que oficializaria Puccinelli candidato à corrida estadual, ele foi preso na Operação Papiros de Lama.  

Na esperança de que a situação fosse revertida, a direção chegou a manter a candidatura, mas, diante da recusa da Justiça em soltá-lo, ficou inviável não substituí-lo. 

Simone foi declarada pré-candidata e duas semanas depois voltou atrás. Coube ao presidente regional, Junior Mochi, assumir a missão. Novamente a sigla não avançou para o segundo turno.  

Reinaldo Azambuja (PSDB) concorreu com o juiz aposentado Odilon de Oliveira (PDT) e levou a melhor, sendo eleito para o seu segundo mandato. Puccinelli permaneceu preso por cinco meses. Em 2020, o deputado Marcio Fernandes foi o escolhido pelo MDB para concorrer à cadeira de prefeito e ficou em 6° lugar, com 3,01 % dos votos válidos.

NOVOS PLANOS

Agora, a estratégia é aceitar apoio de quem estiver aberto a receber o MDB e focar na pré-campanha de Puccinelli, que já está percorrendo Mato Grosso do Sul e Campo Grande.  

Tanto que a pré-candidatura da senadora Simone Tebet à Presidência da República está praticamente sendo ignorada pelos correligionários.

Em evento emedebista na semana passada, alguns deles chegaram a dizer que o nome da filha de Ramez Tebet pode não ser consagrado nas convenções.

“Tem muita coisa ainda até as convenções que pode ser alterada e mudada, então, nós somos do MDB e, obviamente, pelo partido ser uma instituição federal, se o partido tem candidatura e se confirmar a candidatura própria nas convenções, nós não temos como negar [apoio]. Entretanto, é muito clara a posição do André de que ele precisa pensar em Mato Grosso do Sul”, disse Mochi na ocasião.

“O palanque nosso aqui é o palanque do André Puccinelli e de quem quiser subir no palanque dele, é claro que o MDB tem na candidatura da Simone a candidatura do partido, mas isso não significa que esse palanque será exclusivo, porque nós temos, entre os companheiros, gente que defende uma candidatura e gente que defende outra, e o André está muito tranquilo em relação a isso”, completou o ex-senador Moka.

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