Entre os sete partidos que disputam o governo de Mato Grosso do Sul, o PRTB do pré-candidato Renan Contar, o capitão Contar, deputado estadual, é uma das legendas que menos vai captar recursos financeiros do Fundo Eleitoral, o conhecido Fundão, que devem ser destinados aos custos de campanha eleitoral.
Até agora, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) calculou a soma geral que as legendas devem receber, isto é, em nível nacional, ainda não há prognóstico regional.
O PRTB de Contar, por exemplo, vai receber R$ 3,1 milhões do Fundão, quantia que deve ser distribuída aos candidatos da sigla em todo o país.
Para se ter ideia do quão miúdo é o valor a ser destinado ao PRTB, o União Brasil, da pré-candidata Rose Modesto, vai receber 782,5 milhões.
A quantia perto da casa bilionária, será repartida aos concorrentes de todo o país, incluindo para custear a campanha da deputada federal sul-mato-grossense.
Ainda seguindo o raciocíno que aponta a distância elástica que há entre o recurso que o Fundão vai repassar ao PRTB de Contar às outras legendas tidas como grandonas em nível nacional, o PT, que lançou, em MS, a pré-candidatura ao governo, de Giselle Marques, advogada, deve captar um pouco mais do que meio bilhão de reais.
Ainda no campo das comparações, os R$ 3,1 milhões destinados para quitar as campanhas de todos os candidatos do PRTB pelo Brasil afora, equivalem à metade do valor que Contar poderia gastar em seu primeiro turno, em torno de R$ 6,2 milhões.
Ou seja, o PRTB nacional, ainda que entregasse todo o recurso do Fundão para bancar a campanha eleitoral de Contar, não conseguiria alcançar o valor permitido que cada candidato ao governo de MS pode gastar.
Campanha mais cara
Candidados ao governo de Mato Grosso do Sul, nesta eleição de 2022, podem, por norma eleitoral, gastar em suas campanhas algo perto de R$ 2 milhões a mais do investido quatro anos atrás, em 2018, ano da reeleição do governador Reinaldo Azambuja, do PSDB.
Na eleição de outubro, caso houver segundo turno, conforme indica pesquisa divulgada pelo Correio do Estado, os dois candidatos que seguirem para o confronto final, podem gastar R$ 9,3 milhões cada um - soma dos dois turnos (R$ 6,2 milhões no primeiro e, R$ 3,1 milhões no segundo turno).
Na eleição de 2018, ano que Reinaldo Azambuja, do PSDB, reelegeu-se governador, ele obteve 677.310 mil votos (52,35% dos votos válidos). O tucano poderia ter gastado, conforme as regra das eleições na época, até R$ 7,3 milhões.
Pelas prestações de contas entregues à justiça eleitoral, a campanha de Reinaldo consumiu R$ 5,7 milhões, R$ 2,5 milhões dos quais foram doados pelo seu partido, o PSDB.
O QUE OS PARTIDOS VÃO RECEBER PARA CUSTEAREM SUAS CAMPANHAS, EM OUTUBRO
Soma total deve ser repartida aos concorrentes ao Planalto, Senado, governos estaduais, deputados federais e estaduais (Em milhôes de reais)
Dinheirama do Fundão
Na eleição deste ano, o valor global do conhecido Fundão, bateu recorde, e a quantia a ser distribuída alcançou R$ 4,9 bilhões, cifra que pode bancar as campanhas para Presidência da República, governos estaduais, senadores, deputados estaduais e federais.
O recurso passa a ser transferido às legendas a partir dos registros das candidaturas, cujo prazo termina dia 15 de agosto.
Fundão é a principal fonte de recursos das campanhas eleitorais e foi criado em 2017. Já em 2015 por força de determinação do STF (Supremo Tribunal Eleitoral) sai de cena as doações de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais.
De acordo com o divulgado pelo TSE, quase a metade da bolada do Fundão, vai para seis partidos, que são: União Brasil, PT, MDB, PSD, Progressistas e o PSDB. (ver lista completa nesta página).
Entre as legendas que mais devem captar recurso do Fundo Eleitoral, dinheiro público, estão, segundo a pesquisa do Correio do Estado, os principais pré-candidatos que podem chegar ao segundo turno. Siglas como MDB, PSD, PSDB e União Brasil, aparecem lá em cima, embolados na pesquisa.
A reportagem do Correio do Estado tentou apurar com os principais partidos que disputam o governo de MS, mas ninguém quis manifestar-se oficialmente, se já ao menos presumiam o valor do repasse do Fundão e sua importância.
Disseram, apenas, que nessas eleições, devido ao período econômico atual, os recursos do Fundão, deve bancar quase toda a campanha.
Além do Fundão, os candidatos e partidos podem, para juntar dinheiro às campanhas, à chamada vaquinha virtual, que funciona por meio da internet e de aplicativos eletrônicos controlados por empresas especializadas na oferta desse tipo de serviço, desde que devidamente credenciadas pelo TSE.
“Hoje, as pessoas estão preocupadas mais em sobreviverem devido à crise econômica, braba, não só aqui em MS, mas em todo território nacional, imagina, então, a aposta fica por conta do Fundão”, afirmou um dos membros de partidos que concorrem ao governo e aguarda o repasse.
Uns mais, outros menos
O Fundo Eleitoral é dividido entre as siglas com base nos votos recebidos nas eleições gerais mais recentes, 2018, no caso, e o tamanho das bancadas na Câmara e no Senado.
O União Brasil, que tem 81 das 513 de deputados federais e sete senadores após a fusão do PSL com DEM, cresceu mais que as outras legendas, daí conquistou a melhor fatia.