Política

DEPUTADO FEDERAL

"É a primeira oportunidade de me defender", diz Trutis, sobre decisão do STF

Deputado federal tornou-se réu nesta sexta-feira por suposto atentado ocorrido em 2020

Eduardo Miranda

16/08/2022 - 16h15

Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram tornar o deputado federal Loester Trutis (PL) réu por ter supostamente simulado um atentado contra si em fevereiro de 2020. Para o deputado, porém, a decisão será a primeira vez que ele terá oportunidade de se defender desde o incidente.

“Recebo com tranquilidade a decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. É a primeira grande oportunidade que terei para me defender”, afirmou Trutis.  

 

O parlamentar, candidato à reeleição, disse ter “plena confiança na Justiça, a qual acreditamos que atuará sem qualquer tipo de ativismo, para que os fatos sejam realmente esclarecidos”.

À época do suposto atentado, o deputado divulgou por meio das redes sociais que dispararam tiros contra seu carro no caminho que seguia rumo a cidade de Sidrolância, a uns 70 quilômetros de Campo Grande. Ele afirmou que revidou aos tiros.

A Polícia Federal instaurou inquérito e, em relatório, afirmou que o deputado fez uma “comunicação falsa de crime”.

Enquanto relatora do inquérito, a ministra do STF, Rosa Weber, sustentou a tese defendida pela PF na época, de Trutis teria explorado a questão do atentado “politicamente”.

Agora, porém, Rosa assumiu uma postura um pouco mais diferente em seu voto, e evitou fazer qualquer tipo de pré-julgamento. E se limitou a afirmar que até o momento, as provas apresentadas pela Polícia Federal, dão suporte à narrativa da denúncia, e que agora, com a abertura do processo, o deputado federal terá oportunidade de se defender“em ambiente contraditório e em paridade de armas”.

INQUÉRITO DA PF

Inquérito da Polícia Federal concluiu que Trutis teria forjado, em 16 de fevereiro de 20920, um atentado contra si. Por causa disso, ele foi indiciado por falsa comunicação de crime. porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo.

Porteriormente, em outubro de 2021, a Procuradoria-Geral da República acompanhou a versão da Polícia Federal e o denunciou pelos mesmos crimes.  

Na época, a Polícia Federal alegou que “o veículo descrito pelo deputado Loester como autor dos disparos, foi exaustivamente procurado e não foi localizado”. Os dados do GPS do veículo, que era alugado, foram essenciais para a Polícia Federal concluir o inquérito na ocasião.  

 

A VERSÃO DO DEPUTADO

Procurado, o deputado Loester Trutis enviou a seguinte nota:  

“Recebo com tranquilidade a decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. É a primeira grande oportunidade que terei para me defender.

É importante esclarecer que a aceitação da denúncia está muito distante de significar qualquer comprovação de culpa. Ao contrário, é o início da nossa defesa. Temos plena confiança na Justiça, a qual acreditamos que atuará sem qualquer tipo de ativismo, para que os fatos sejam realmente esclarecidos.

Sustentamos e provaremos que o delegado responsável pelo inquérito tentou induzir os ministros a erro, e impossibilitou a ampla defesa ao inviabilizar a produção de provas, tendo liberado o veículo e permitido a formatação do GPS, fazendo assim, com que informações importantes sobre o incidente se perdessem, o que inviabiliza qualquer forma de escrutínio.

A própria ministra Rosa Weber, relatora do processo, afirma que as provas produzidas até agora “dão suporte à narrativa da denúncia”, e que agora, “em ambiente contraditório e em paridade de armas”, elas poderão ser confrontadas com as provas e argumentações defensivas que apresentaremos.

Espero de parte da imprensa de Mato Grosso do Sul, que reserva grande espaço para acompanhar todos os passos da narrativa da acusação, também nos dê espaço semelhante para que possamos nos defender, e cumpra os princípios do bom jornalismo, permitindo também o contraditório e a busca da verdade. Reafirmo: agora, na Justiça, terei essa grande oportunidade para me defender.

Continuo firme com os propósitos do meu mandato de deputado federal, como o parlamentar que mais trouxe recursos para a segurança pública de Mato Grosso do Sul, e que não tem medo de enfrentar criminosos. Também continuarei trabalhando por todos os municípios de Mato Grosso do Sul, como têm comprovado os prefeitos e entidades beneficentes”.

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