Política

Defesa

Barroso e Pacheco defendem necessidade de fonte de recursos para piso da enfermagem

Os dois se reuniram por cerca de uma hora no gabinete de Barroso nesta terça-feira

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luis Roberto Barroso e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defenderam nesta terça-feira (6) a necessidade de uma fonte de recursos para viabilizar a lei que estabeleceu remuneração mínima para enfermeiros e auxiliares e técnicos de enfermagem.

Os dois se reuniram por cerca de uma hora no gabinete de Barroso, que é relator no Supremo da ação suspendeu a lei. O encontro foi fechado.

Em nota divulgada após a reunião, o Supremo informou que os dois defendem a importância da necessidade do piso, mas "concordaram com a necessidade de uma fonte de recursos perene para viabilizar os salários num patamar mínimo".

"Três pontos foram colocados como possibilidades: a correção da tabela do SUS; a desoneração da folha de pagamentos do setor; e a compensação da dívida dos estados com a União", diz a nota.

Após o encontro, Pacheco afirmou que o piso nacional da enfermagem passa a ser "prioridade absoluta do Congresso", e que a correção da tabela do SUS -que depende do Poder Executivo- parece ser o "caminho mais viável". Segundo ele, a tabela já deveria "ter sido corrigida há muito tempo, considerando a defasagem".

"À guisa de exemplo, se somente as internações no Sistema Único de Saúde forem corrigidas em 50%, seria possível compensar o piso nacional dos enfermeiros. E ainda continuaria gerando prejuízo para os hospitais", afirmou à imprensa.

"Eu acho que é um caminho, que é o caminho mais viável. Eu espero muito a colaboração do Poder Executivo, a compreensão do dilema que nós estamos enfrentando e do que, repito, passa a ser prioridade nacional e do Congresso Nacional, que é fazer valer o piso nacional da enfermagem."

O presidente do Senado disse que vai procurar os ministros da Economia e da Saúde o mais rápido possível, e que sentiu de Barroso "absoluta disposição de dar solução para o problema", de modo que se abriu nesta terça um processo de conciliação.

Questionado sobre a possibilidade de o Congresso legalizar os jogos de azar para custear o piso da enfermagem, Rodrigo Pacheco afirmou que isso não está sendo deliberado e que um assunto como esse precisaria ser "muito bem discutido".

A decisão de Barroso será analisada em sessão do plenário virtual do STF que se inicia na próxima sexta-feira (9).

O julgamento virtual, em uma plataforma na qual os ministros depositam seus votos, vai durar uma semana e poderá ser interrompido caso algum integrante do Supremo peça para analisar a causa no plenário físico.

Também pode ser interrompido no caso do pedido de vista de algum ministro, que paralisaria o tema. Barroso suspendeu no último domingo (4) o piso salarial nacional da enfermagem.

O magistrado determinou a suspensão "até que seja esclarecido" o impacto financeiro da medida para estados e municípios e para os hospitais. A norma fixou o salário mínimo de R$ 4.750 para os enfermeiros. Técnicos em enfermagem devem receber 70% desse valor, e auxiliares de enfermagem e parteiros, 50%.

Barroso deu 60 dias para que os entes da federação, entidades do setor e os ministérios do Trabalho e da Saúde se manifestem sobre a capacidade para que o piso seja cumprido. "A medida cautelar se manterá vigente até que a questão seja reapreciada à luz dos esclarecimentos prestados", decidiu.

A lei foi aprovada pelo Congresso após grande pressão da categoria. O presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a legislação, que agora está suspensa, em 4 de agosto.

A decisão foi dada em ação apresentada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços. O ministro afirmou que a entidade apresentou "alegações plausíveis" de possíveis "demissões em massa" com a nova lei.

"Embora ainda não haja dados oficiais sobre as demissões no setor, tendo em vista que a lei sequer completou seu primeiro mês de vigência, as entidades representativas do setor são unânimes em afirmar que a dispensa de funcionários será necessária para o equacionamento dos custos", afirmou.

Segundo o magistrado, "a previsão parece guardar coerência com o impacto estimado pela Câmara dos Deputados para o setor privado hospitalar, que é de R$ 10,5 bilhões, considerando as entidades com e sem fins lucrativo".

Além disso, ele também citou possível "prejuízo à manutenção da oferta de leitos e demais serviços hospitalares, inclusive no SUS (Sistema Único de Saúde)."

Assine o Correio do Estado

Crise

Nelsinho Trad aponta preocupação com crise no Paraguai e possíveis reflexos em MS

Presidente do país vizinho renunciou ao cargo em meio à crise

05/11/2026 15h44

Nelsinho Trad

Nelsinho Trad Saulo Cruz/Agência Senado

Continue Lendo...

Eleições 2026

Eleitor que faltou no 2º turno tem até 8 de janeiro para justificar o voto

Pessoas, de 18 a 69 anos, que viajaram, mudaram de cidade, ficaram doentes ou por qualquer outro motivo deixaram de votar, devem justificar o voto

05/11/2026 10h25

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica Paulo Ribas

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).