A neutralidade do presidente Jair Bolsonaro (PL) acerca do confronto entre Capitão Contar (PRTB) e Eduardo Riedel (PSDB), pelo governo de Mato Grosso do Sul, no segundo turno (30 de outubro), deve favorecer na hora do voto a ele mesmo e a Riedel, segundo interpretação do doutor em Ciência Política Daniel Miranda.
Na manhã de ontem, Bolsonaro gravou um vídeo, em Brasília, ao lado da senadora eleita aqui em MS, Tereza Cristina, e do doutor Luiz Ovando, reeleito deputado federal, ambos pelo PP, simpatizantes do mandatário.
No primeiro turno, Bolsonaro havia dito que era apoiador de Eduardo Riedel, mas, depois, a três dias da eleição, no debate promovido pela Rede Globo, afirmou que respaldava a candidatura de Contar.
“MS é um estado que terá segundo turno, e os dois candidatos nos apoiam. E, assim sendo, por dever de lealdade, e, como dizem, o bom ensinamento político, nós ficaremos neutros em Mato Grosso do Sul e torcemos para que a população bem escolha o melhor para representar”, afirmou no vídeo o presidente.
CIENTISTA POLÍTICO
O cientista político, que viu o vídeo logo que divulgado, assim entendeu: “Em primeiro lugar, foi uma vitória de Riedel via Tereza Cristina, porque eu não esperava que Bolsonaro voltaria atrás no apoio, embora a palavra de Bolsonaro não seja algo em que é possível confiar”.
Miranda sinalizou como enxergou a transição no apoio do presidente: “Eu penso que pesou a cobrança da aliança feita no primeiro turno, pois foi uma traição, querendo ou não. E traição em rede nacional de televisão. E ele, Bolsonaro, está priorizando à sua reeleição”.
Ainda de acordo com o cientista político, “neste sentido, a estratégia de neutralidade é ótima para ele, pois haverá dois candidatos buscando o apoio do eleitorado bolsonarista”.
Miranda, também professor, acrescentou: “Se ele [Bolsonaro] declara apoio a um somente, isso poderia restringir seu palanque no Estado”.
NÚMEROS
Em MS, Jair Bolsonaro obteve 52,70% dos votos válidos e o adversário Lula 39,04% (588.323 votos computados), já na briga de Contar contra Riedel, o resultado foi arrochado: Contar obteve 26,71% (384.275) e Riedel 25,16% (361.981).
REFLEXO
O cientista político crê que a neutralidade de Bolsonaro deva influir na votação do segundo turno.
“Eu penso que modifica, sim. A minha expectativa, e a de Contar também, eu acho, era um apoio renovado no 2° turno e, dado que Bolsonaro teve quase 800 mil votos e Contar quase 400 mil, uma declaração de apoio clara, explícita, que pudesse ser usada e circulada nas redes sociais e grupos de Whats pelo Contar faria a votação dele crescer sem dúvida nenhuma”.
Seguiu o cientista político: “Agora, com a neutralidade, Riedel terá a tranquilidade de usar o nome de Bolsonaro e se apresentar como bolsonarista sem poder ser ‘desmentido’ por Contar. Não sei quanto e nem sei se suficiente para vencer, mas foi uma vitória dele, sim, como expliquei acima: como Riedel manteria sua posição pró-Bolsonaro no 2° turno se o próprio Bolsonaro declarasse apoio a Contar?”.
Finalizou o professor: “Neutralidade, neste caso, beneficia Riedel, que já tem a máquina, Contar só conta com Bolsonaro mesmo”.
Outra questão que pode ajudar o candidato do PSDB é o fato de a senadora eleita Tereza Cristina (PP) ter sido escolhida como a chefe de campanha de Bolsonaro, em MS. E Tereza, que teve perto de 890 mil votos no primeiro turno, por reiteradas vezes, disse que apoia Eduardo Riedel.
COMPASSO DE ESPERA
Em MS, candidatos e partidos que ficaram fora do segundo turno – André Puccinelli (MDB), Rose Modesto (União Brasil), Giselle Marques (PT), Marquinhos Trad (PSD) e Adônis Marcos (Psol) – ainda não manifestaram apoio a nenhum dos candidatos.
Puccinelli avisou que ainda nesta semana deve tratar do assunto. O PT já agendou uma reunião interna para debater a questão no sábado à tarde.