Política

REPERCUSSÃO

Biden e europeus correm para reconhecer vitória de Lula

Casa Branca divulgou comunicado pouco mais de 30 minutos após oficialização do resultado

Ana Clara Santos

30/10/2022 - 20h34

O presidente dos EUA, Joe Biden, parabenizou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas eleições deste domingo (30), pondo fim a especulações sobre quando viria o reconhecimento da vitória por parte do governo americano.

Pouco mais de meia hora após o anúncio pelo Tribunal Superior Eleitoral, a Casa Branca enviou uma nota curta em que afirma que as eleições brasileiras foram justas —ao contrário de alegações feitas antes do pleito pelo atual presidente, Jair Bolsonaro.

"Envio meus parabéns a Luiz Inácio Lula da Silva por sua eleição como o próximo presidente do Brasil após eleições livres, justas e críveis. Estou ansioso para trabalharmos juntos para continuar a cooperação entre nossos países nos próximos meses e anos", diz a nota enviada pelo presidente americano.

Até aqui, a Casa Branca não havia informado se reconheceria o vencedor das urnas automaticamente, como pediam parlamentares democratas, que temiam que uma demora em reconhecer a derrota de Bolsonaro pudesse abrir caminho para que o atual presidente contestasse o resultado das urnas.

O pedido foi feito novamente em carta ao presidente na última sexta (28) por senadores e deputados de esquerda.

No mesmo dia, questionado, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, não respondeu se o governo faria um reconhecimento imediato, mas voltou a afirmar que confiava no processo eleitoral brasileiro.

Motiva o reconhecimento rápido por parte da Casa Branca um receio de tumulto no Brasil similar ao de 6 de janeiro de 2021 em Washington, quando uma multidão insuflada pelo ex-presidente Donald Trump invadiu a sede do Congresso para impedir a confirmação da vitória de Biden na eleição.

A manifestação rápida serve para mostrar a Bolsonaro que não haveria apoio internacional em caso de contestação do resultado, como deixou clara a diplomacia americana em uma série de recados ao longo dos últimos meses, via embaixada no Brasil ou comentários da Casa Branca, que reforçavam a confiança no sistema eleitoral.

O reconhecimento imediato também contrasta com a demora de Bolsonaro em parabenizar Biden por sua eleição contra Donald Trump —de quem o brasileiro é próximo— em 2020.

Na ocasião, depois de levantar suspeitas sem provas de que a eleição americana teria sido fraudada, Bolsonaro só parabenizou Biden 38 dias depois da projeção de vitória do democrata, uma das últimas lideranças mundiais a fazê-lo, depois inclusive de aliados de Trump, como Binyamin Netanyahu e Boris Jonhson, e até do líder chinês, Xi Jinping.

A rapidez no reconhecimento da vitória de Lula também foi adotada por líderes europeus. Poucos minutos após a oficialização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Franca, Emmanuel Macron, parabenizou o petista e disse que juntos os dois unirão " forças para enfrentar os muitos desafios comuns e renovar o vínculo de amizade entre nossos dois países".

Sob Bolsonaro, Brasília se distanciou de Paris após um série de discussões entre os presidentes brasileiro e francês.

Em uma das ocasiões, ainda em 2019, Bolsonaro ofendeu a mulher de Macron, Brigitte, e fez piadas com sua aparência. A relação enfraquecida entre os dois líderes se dá, principalmente, pelas pressões da França em torno das políticas ambientais do governo brasileiro.

O premiê e o presidente de Portugal, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, respectivamente, também precisaram de apenas alguns minutos para parabenizar a vitória de Lula.

Rebelo de Souza, aliás, entrou em conflito com Bolsonaro em julho, após o brasileiro desmarcar um almoço com o português. A justificativa estaria em um encontro de Rebelo de Souza com Lula dias antes.

Na mesma linha, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, publicou rapidamente em sua conta no Twitter que as eleições brasileiras foram "pacíficas e bem organizadas".

" Estou ansioso para trabalhar juntos e promover as relações UE-Brasil com seu governo e com as novas autoridades do Congresso e do Estado", acrescentou.

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