Política

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Papa Francisco diz que Lula foi condenado injustamente e que Dilma tem 'mãos limpas'

O pontífice recebeu alta na manhã deste sábado (1º) do Hospital Universitário Gemelli, em Roma, onde estava internado desde a última quarta-feira para tratar uma bronquite infecciosa

Alanis Netto

01/04/2023 - 13h34

O papa Francisco disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condenado pela Justiça sem provas, e que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tem "mãos limpas", além de ter sofrido um processo de impeachment classificado por ele como injusto.

A declaração foi feita em entrevista exibida na quinta-feira (30) na rede argentina C5N. Ela foi gravada antes da internação de Francisco em um hospital em Roma, na quarta-feira (29), após queixas de dificuldade para respirar. 

O pontífice lembrou dos exemplos brasileiros quando perguntado sobre o "lawfare", termo usado para definir o uso do sistema de Justiça de determinado país para perseguição política de adversários. O sacerdote ainda citou outros países, como Equador, Argentina e Bolívia.

"O lawfare abre caminho nos meios de comunicação. Deve-se impedir que determinada pessoa chegue a um cargo. Então, o pessoal o desqualifica e metem a suspeita de um crime. Então, faz-se todo um sumário, um sumário enorme, onde não se encontra [a prova do delito], mas para condenar basta o tamanho desse sumário. 'Onde está o crime aqui?' 'Mas, sim, parece que sim...' Assim condenaram Lula", afirmou o religioso.

Quando o entrevistador afirmou que Dilma foi cassada em 2016 por um "ato administrativo menor", o líder da Igreja Católica rebateu, afirmando que a ex-mandatária é "uma mulher de mãos limpas, uma mulher excelente".

O papa ainda citou o "fumus delicti", termo jurídico em latim para conceituar a comprovação de um crime por meio de indícios suficientes de autoria, e ainda disse que "às vezes, a fumaça do crime te leva ao fogo, outras vezes é uma fumaça que se perde porque não há fundamento".

Por fim, quando o jornalista encerrou o assunto dizendo que "inocentes são condenados", o pontífice ressaltou que "no Brasil, isso aconteceu nos dois casos", referindo-se a Lula e a Dilma. Para ele, "os políticos têm a missão de desmascarar uma Justiça injusta".

Dilma perdeu o mandato em 2016 em processo de impeachment que tramitou na Câmara dos Deputados e no Senado. Ambas as Casas consideraram que a então presidente cometeu crime de responsabilidade pelas chamadas "peladas fiscais", com a abertura de crédito orçamentário sem aval do Congresso.

A decisão, no processo e no mérito, foi acompanhada sem contestação pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Em dezembro passado, Francisco já havia dito em entrevista a um jornal espanhol que o processo que levou Lula à prisão começou por uma notícia falsa. "Um julgamento tem que ser o mais limpo possível, com tribunais que não têm outro interesse senão fazer justiça", disse na ocasião.

O sacerdote ainda disse, à época, que notícias falsas sobre líderes políticos são gravíssimas. "Eles podem destruir uma pessoa", disse.
 

Papa Francisco deixa hospital na véspera da celebração de Ramos

O papa Francisco recebeu alta na manhã deste sábado (1) do Hospital Universitário Gemelli, em Roma, onde estava internado desde a última quarta-feira (29) para tratar uma bronquite infecciosa.

De acordo com o Vaticano, o pontífice vai presidir a celebração do Domingo de Ramos (2), na abertura da Semana Santa na praça São Pedro.

Ao deixar o hospital, por volta das 10h30 (hora local), Francisco comemorou bem-humorado: "Ainda estou vivo".

O papa foi acompanhado por equipe médica e já na sexta-feira (31) apresentava sinais de melhora. Após avaliar os resultados dos exames, os médicos decidiram pela alta, com a recomendação de repouso rigoroso.

O Vaticano informou que Francisco se sentia bem, comeu pizza e chegou a batizar um bebê que estava internado na ala oncológica pediátrica, que recebeu o nome de Miguel Angel.
 

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