Política

LAVAGEM DE DINHEIRO

Acusação contra conselheiro do TCE completa um ano sem análise do STJ

O MPF denunciou Ronaldo Chadid e a sua chefe de gabinete, Thais Xavier, por suspeita de terem lavado R$ 1,6 milhão

A denúncia de lavagem de dinheiro feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o conselheiro Ronaldo Chadid, do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), completou um ano ontem sem que os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tenham analisado.

Na tarde de ontem, a Corte Especial do STJ adiou, pela terceira vez consecutiva, a análise, remarcando agora para o dia 5 de junho próximo, sendo que nas outras vezes a denúncia entrou na pauta no dia 21 de fevereiro e no dia 6 de março deste ano.

O que causa mais estranheza é que, normalmente, a Corte Especial do STJ não leva tanto tempo para analisar uma denúncia do MPF, ainda mais uma que foi apresentada no dia 10 de maio de 2023, pedindo que o conselheiro Ronaldo Chadid e sua chefe de gabinete, Thaís Xavier Ferreira da Costa, virem réus no processo de lavagem de dinheiro.

No primeiro adiamento, no dia 21 de fevereiro, a Corte Especial retirou da pauta a denúncia porque o ministro Og Fernandes, que deveria presidir o julgamento, não compareceu, obrigando o colegiado a transferir a análise para o dia 6 de março.

Já no segundo adiamento a sessão foi suspensa depois que o ministro Luís Felipe Salomão pediu vistas logo que o relator, ministro Francisco Cândido de Melo Falcão Neto, e a revisora, ministra Fátima Nancy Andrighi, votaram pelo recebimento da denúncia.

Agora, no terceiro adiamento, o motivo foi o fato de a pauta anterior necessitar de mais tempo para a defesa fazer a sustentação oral, portanto, a presidente, ministra Maria Thereza de Assis Moura, decidiu adiar todas as pautas para o próximo dia 5 de junho.

RÉUS

A Corte Especial do STJ voltará a se reunir para dar sequência no julgamento para decidir única e exclusivamente se receberá ou não a denúncia contra o conselheiro da Corte de Contas e sua então chefe de gabinete, ou seja, se uma maioria simples dos demais ministros acolher a denúncia, será aberto o processo contra ambos.

Ronaldo Chadid está afastado da função de conselheiro do TCE-MS desde o dia 8 de dezembro de 2022, quando a Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagraram a “Operação Terceirização de Ouro” para desarticular organização criminosa especializada na fraude de certames licitatórios e no desvio de recursos públicos identificados nas operações “Lama Asfáltica” e “Mineração de Ouro”.

Ele e os ex-presidentes da Corte de Contas, conselheiros Iran Coelho das Neves e Waldir Neves Barbosa, que também foram afastados na mesma operação, são monitorados até hoje por tornozeleiras eletrônicas e estão proibidos de frequentar o TCE-MS.

O MPF denunciou Ronaldo Chadid e Thaís Xavier por lavagem de R$ 1,6 milhão, montante resultante da apreensão de R$ 890 mil em dinheiro na casa do conselheiro e de R$ 730 mil em espécie na casa da chefe de gabinete dele.

A PF ligou o dinheiro à suposta propina que Chadid teria recebido de uma empresa de coleta de lixo para o julgamento de uma demanda que poderia encerrar o contrato do empreendimento com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, sendo que a empresa citada com envolvimento no esquema negou tudo.

No entanto, o conselheiro e sua chefe de gabinete não conseguiram comprovar a origem da vultosa quantia e nem demonstrar os gastos excessivos com pagamentos em dinheiro vivo feitos em Campo Grande.

Diante disso, o MPF baseou a denúncia como sendo um desdobramento da “Operação Mineração de Ouro”, que apura supostos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro dentro do TCE-MS.

A Corte de Contas entrou na mira durante a “Operação Lama Asfáltica”, que apontou o favorecimento de empresas em contratos fraudulentos.

JULGAMENTO

Mesmo correndo em segredo de Justiça, o Correio do Estado conseguiu apurar que, na última sessão da Corte Especial do STJ, a defesa de Ronaldo Chadid disse que a denúncia se baseia apenas em suposições e não apresenta provas do pagamento de vantagens ilícitas e de suposta lavagem de dinheiro, enquanto a representante de Thaís Xavier alegou inocência da cliente e que ela não sabia da existência do dinheiro.

Porém, antes de proferir o voto, o ministro Francisco Falcão citou várias vezes as compras que teriam sido feitas pelo conselheiro em dinheiro vivo para justificar o recebimento da denúncia. 

Ele disse que Chadid adquiriu um terreno no condomínio de luxo Terras do Golfe, em Campo Grande, no valor de R$ 230 mil, um veículo Mini Cooper, avaliado em mais de R$ 308 mil e um pagamento superior a R$ 80 mil para reforma de apartamento, além das compras de eletrodomésticos e celulares.

“A denúncia atende aos requisitos legais exigidos e descreve crimes antecedentes. Ampla defesa assegurada. Existência de elementos indiciários suficientes ao recebimento da inicial acusatória, aditamento da denúncia, possibilidade de manutenção das cautelares impostas e aqui eu estou recebendo a denúncia”, votou Francisco Falcão, que foi acompanhado pela ministra Nancy Andrighi.

Ele ainda acrescentou o relatório da PF sobre o caso, onde costa a seguinte análise:

“Entendemos que, diante dos elementos colhidos, Ronaldo Chadid praticou o crime de lavagem de dinheiro ao manter tal dinheiro ocultado em poder de Thaís Xavier, estando demonstrado, a nosso ver, que se trata de produto de corrupção dele. Uma grande parte do dinheiro encontrado na mala apreendida na residência de Thaís Xavier estava em envelopes timbrados do TCE-MS, tratando-se de mais um elemento, a nosso ver, a confirmar que a origem do dinheiro seja a corrupção de Ronaldo Chadid no referido órgão”.

A Corte Especial é composta por 15 ministros, porém, a presidente do STJ, ministra Maria Thereza de Assis Moura, declarou-se impedida e não vai participar da votação. 

Portanto, faltam colher os votos de 12 ministros, sendo que para atingir a maioria para tornar réus Ronaldo Chadid e Thaís Xavier são necessários apenas mais seis votos.

ASSINE O CORREIO DO ESTADO

Crise

Nelsinho Trad aponta preocupação com crise no Paraguai e possíveis reflexos em MS

Presidente do país vizinho renunciou ao cargo em meio à crise

05/11/2026 15h44

Nelsinho Trad

Nelsinho Trad Saulo Cruz/Agência Senado

Continue Lendo...

Eleições 2026

Eleitor que faltou no 2º turno tem até 8 de janeiro para justificar o voto

Pessoas, de 18 a 69 anos, que viajaram, mudaram de cidade, ficaram doentes ou por qualquer outro motivo deixaram de votar, devem justificar o voto

05/11/2026 10h25

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica Paulo Ribas

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).