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Aborto em casos de estupro: CFM recorre de decisão do STF

Conselho Federal de Medicina busca anulação da suspensão de resolução que restringe o aborto em casos de estupro e pede redistribuição do processo

O Conselho Federal de Medicina (CFM) recorreu nesta segunda-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu uma resolução da entidade que restringe o aborto em casos de estupro.

O CFM argumenta que o processo deveria ser julgado pelo ministro Edson Fachin, relator da ação sobre o aborto legal.

A resolução do CFM, publicada no mês passado, proíbe médicos de realizar o procedimento de “assistolia fetal”, que induz a parada cardíaca do feto antes de sua retirada do útero, em gestações com mais de 22 semanas, mesmo em casos de violência sexual.

O método é essencial para abortos após 20 semanas, e sua proibição dificulta a interrupção da gestação.

O Conselho justificou a medida afirmando que o procedimento é “profundamente antiético e perigoso em termos profissionais”, e que interromper uma vida potencialmente viável fere princípios fundamentais da medicina e da vida em sociedade.

Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a resolução, alegando que o CFM “abusou do poder regulamentar” ao criar barreiras para o aborto legal.

Moraes destacou que, nos casos de estupro, a legislação penal não impõe limitações circunstanciais, procedimentais ou temporais para a realização do aborto.

Moraes também determinou que a resolução não pode ser usada para justificar processos disciplinares contra médicos, interrompendo todos os processos judiciais e administrativos baseados na resolução até que o STF julgue o tema.

Segundo ele, a decisão visa proteger as situações fáticas relacionadas à controvérsia.

O caso será julgado no plenário virtual do STF a partir do dia 31 de maio, onde os ministros registrarão seus votos online, sem debate em tempo real.

 

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