Política

DESCONVERSOU

Em meio a bolsonaristas, Cury evita polemizar com Flávio Bolsonaro

Mesmo defendendo a tese de que relação entre Flávio e Vorcaro precisa ser investigado, o pré-candidato à presidência disse que não tem juízo de valor a fazer sobre os vazamentos

O escritor e pré-candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) está em Campo Grande para cumprir agenda política e, durante coletiva de imprensa, evitou polemizar com o concorrente Flávio Bolsonaro (PL) ao citar os áudios vazados que confirmam relação próxima entre o atual senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do caso Master.

Nesta manhã de sábado, na Câmara Municipal de Campo Grande, o presidenciável do Avante participou do evento de posse do deputado estadual Lídio Lopes como presidente estadual do partido em Mato Grosso do Sul. Ao lado de Lídio e da prefeita Adriane Lopes (PP), Augusto Cury concedeu coletiva de imprensa, na qual detalhou sua visão sobre o caso Vorcaro e a família Bolsonaro.

“Em primeiro lugar, todo ato que expressa qualquer tipo de possibilidade de corrupção tem de ser investigado e punido. Mas eu não tenho juízo de valor para fazer, porque eu não presto todos os elementos que constituem aquele hábito. Nós podemos falar de coisas muito mais sérias”, comentou.

“Agora, esse escândalo que ocorreu pode abalar, sim, vários atores políticos. Reitero, que o meu objetivo não é crescer na popularidade em cima da desgraça dos outros. Meu objetivo é fazer uma política totalmente diferente do que tem sido feito neste período. Eu estou profundamente triste com os últimos líderes políticos. A direita e a esquerda representam a beleza da democracia, jamais deveria servir de base para construir inimigos a serem abatidos”, complementou o pré-candidato.

Vale destacar que esta é a primeira vez que Augusto Cury se arrisca na vida política. Até pouco tempo, o pré-candidato era somente conhecido por sua vida na psiquiatria e literatura, sendo um dos escritores mais lidos do mundo, com estimativa de cerca de 40 milhões de livros vendidos em 70 países.

“Eu espero que eu seja conhecido como um líder político, que vai chamar os grandes profissionais das universidades, da iniciativa privada e também políticos sem histórico de corrupção para construir um projeto no Brasil para atender de maneira rápida, média e também a longo prazo, nos próximos 25 anos”, pontuou o escritor sobre a expectativa para sua vida política.

Suas obras focam em desenvolvimento pessoal, psicologia e gestão da emoção, com os livros “O Vendedor de Sonhos” (adaptado para o cinema), “Pais Brilhantes”, “Professores Fascinantes” e “Armadilhas da Mente” como os maiores destaques. Nas redes sociais, Cury acumula mais de 8 milhões de seguidores.

Outras opiniões

Em Campo Grande, nesta sexta-feira (15), o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, também evitou atacar diretamente Flávio Bolsonaro, depois que vazou o áudio dele pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mas afirmou que o Brasil vive uma “desordem institucional” causada pela falta de liderança do governo federal.

Em entrevista coletiva, ele defendeu que a eleição deste ano deve ser pautada por “competência” e não por disputas pessoais envolvendo adversários políticos.

Questionado sobre a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e as recentes revelações sobre o caso do Banco Master, além das reportagens envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Caiado procurou se distanciar da polêmica e afirmou que “cada um responde pelos seus atos”.

“Eu tenho 40 anos de vida pública e nunca fui envolvido em nada. Cada um responde pelos seus atos. O que eu quero deixar claro é que as pessoas vão ter segurança da minha governança”, declarou.

Outro que opinou sobre o caso entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro foi o governador Eduardo Riedel (PP). Aliado do senador, o chefe do Executivo estadual de Mato Grosso do Sul disse que cabe ao filho de Jair Bolsonaro esclarecer os fatos contidos no áudio vazado.

“Agora cabe ao candidato Flávio esclarecer os fatos com muita transparência, com muita assertividade, o que aconteceu, o que está em andamento. Eu acho que este é um dever dele como pré-candidato”, disse Eduardo Riedel.

O governador também procurou contemporizar a situação pela qual o aliado passa, afirmando que existe uma guerra de narrativas que, segundo ele, está posta.

“Qualquer fato que envolva suspeita, que envolva discussão, vira uma guerra muito mais de narrativa do que dos fatos em si. Eu acho que a gente tem de olhar os fatos”, afirmou Eduardo Riedel.

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