Política

Dark Horse

Riedel diz que cabe a Flávio Bolsonaro esclarecer relação com Daniel Vorcaro

Governador de MS diz que Flávio deve esclarecer, com "muita transparência e assertividade", o pedido feito ao banqueiro para financiar filme sobre Jair Bolsonaro; Eduardo Riedel ainda falou em "guerra de narrativas"

Continue lendo...

Aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas próximas eleições, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), disse que cabe ao filho de Jair Bolsonaro esclarecer os fatos contidos no áudio enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro, no qual pede mais dinheiro para concluir o financiamento do filme "Dark Horse", para o qual o dono do Banco Master já havia enviado mais de R$ 60 milhões.

“Agora cabe ao candidato Flávio esclarecer os fatos com muita transparência, com muita assertividade, o que aconteceu, o que está em andamento. Eu acho que este é um dever dele como pré-candidato”, disse Eduardo Riedel.

O governador também procurou contemporizar a situação pela qual o aliado passa, afirmando que existe uma guerra de narrativas que, segundo ele, está posta.

“Qualquer fato que envolva suspeita, que envolva discussão, vira uma guerra muito mais de narrativa do que dos fatos em si. Eu acho que a gente tem de olhar os fatos”, afirmou Eduardo Riedel.

Os fatos

Sobre os fatos revelados na quarta-feira (13), o site The Intercept Brasil publicou áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro, dono do Banco Master e preso por suspeita de fraude em um esquema que levou à liquidação do banco.

Flávio Bolsonaro, em cima de um cavalo escuro durante a Expogrande, em 9 de abril; ele pediu dinheiro para o filme Dark Horse/Gerson Oliveira

Após a publicação dos áudios, o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, investimentos para custear as gravações de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem do The Intercept Brasil informa que o repasse total acordado seria de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido de fato liberados entre fevereiro e maio de 2025.

Por causa dos atrasos nos pagamentos restantes, Flávio teria enviado mensagens para Vorcaro cobrando a liberação dos recursos.

Em uma das mensagens, que teria sido enviada um dia antes da primeira prisão do banqueiro, Flávio trata Vorcaro com aparente proximidade, chamando-o de “irmão” e dizendo: “Estou e estarei contigo sempre”.

CPI

O governador Eduardo Riedel disse que os pontos envolvendo a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro devem ser colocados em “pratos limpos” e ainda defendeu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os crimes praticados por meio do liquidado Banco Master.

“Até onde eu vi, também tem um pedido de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master. Se for para ajudar a esclarecer os fatos, que seja”, afirmou o governador de Mato Grosso do Sul.

Na sequência, Riedel voltou a falar em “narrativas”. “Só que, no ambiente pré-eleitoral, as narrativas vêm predominando, né? Mídia social, narrativa de A, de B, de C. Isso não ajuda em nada no esclarecimento dos fatos e só confunde a opinião pública”, complementou.

A fraude do Master

A polêmica envolvendo o Banco Master ganhou destaque no mercado financeiro devido a investigações sobre fraudes estruturadas na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e debêntures com lastros inflados ou inexistentes. Embora a instituição não tenha passado por uma liquidação extrajudicial clássica — como ocorreu com outros bancos envolvidos em escândalos passados —, o Banco Master, sucessor do antigo Banco Máxima, enfrentou severas reestruturações regulatórias do Banco Central e auditorias rigorosas após a descoberta de manobras contábeis que mascaravam rombos bilionários e inflavam artificialmente o patrimônio líquido da instituição.

O epicentro do escândalo que gerou os calotes envolve os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) — fundos de pensão de servidores públicos municipais e estaduais de diversas regiões do país. Gestores desses fundos foram seduzidos por promessas de alta rentabilidade e direcionaram bilhões de reais em recursos previdenciários para fundos de investimento (FIPs e FIDCs) estruturados pelo Banco Master ou por parceiros. Foram fundos de investimento como esses que destinaram mais de R$ 60 milhões para o filme sobre Jair Bolsonaro, para uma conta no Texas, nos Estados Unidos, administrada pelo advogado do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que vive naquele país há mais de um ano e perdeu o mandato de deputado federal.

Somente em Mato Grosso do Sul, o valor total do calote estimado nos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de prefeituras e institutos municipais é de R$ 15,7 milhões.

Esses recursos foram aplicados principalmente em Letras Financeiras e títulos estruturados da instituição, com vencimentos longos — previstos para 2033 e 2034 —, que acabaram virando “pó” após o Banco Central decretar a liquidação do banco.

O montante está distribuído entre municípios de diferentes portes no estado, sendo identificados os seguintes valores principais por instituto de previdência:

  •  Fátima do Sul: R$ 7 milhões
  •  São Gabriel do Oeste: R$ 3 milhões
  •  Jateí: R$ 2,5 milhões
  •  Angélica: R$ 2 milhões
  •  Campo Grande (IMPCG): cerca de R$ 1,2 milhão a R$ 1,4 milhão

Embora os valores individuais de cada prefeitura sul-mato-grossense pareçam menores se comparados aos rombos bilionários de estados como o Rio de Janeiro (R$ 970 milhões) ou o Amapá (R$ 400 milhões), o impacto local para esses municípios de MS é grande.

Esses milhões representam uma fatia expressiva do caixa previdenciário local, obrigando as prefeituras a realizarem aportes extraordinários e revisões atuariais profundas para garantir o pagamento futuro das aposentadorias dos servidores públicos municipais, sobretudo em municípios pequenos, como Jateí, que tem pouco mais de 4 mil habitantes.

Quando a maquiagem contábil e a real insolvência dos ativos subjacentes vieram à tona, esses fundos de pensão viram seus investimentos derreterem, resultando no congelamento dos resgates e em perdas irreparáveis para a aposentadoria de milhares de servidores.

As investigações apontaram um modus operandi baseado em conflito de interesses e fraudes de avaliação de risco. O banco emitia papéis podres; agências de classificação de risco (ratings), supostamente enviesadas, validavam esses ativos; e consultorias financeiras credenciadas recomendavam a compra aos institutos de previdência, muitas vezes mediante o pagamento de propinas e propiciando o chamado “vazio patrimonial”.

Esse cenário gerou um efeito cascata de inadimplência (calote), que obrigou intervenções administrativas e acendeu o alerta máximo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na Polícia Federal sobre o uso de instituições financeiras de médio porte para dilapidar o patrimônio público previdenciário.

Tratativas

Ministro iraniano Araghchi deve viajar ao Paquistão para discutir acordo com os EUA

Araghchi também concedeu uma entrevista à televisão estatal iraniana oferecendo a perspectiva de Teerã sobre o possível acordo

13/06/2026 13h30

Abbas Araghchi

Abbas Araghchi Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viajará ao Paquistão neste domingo, 14, com uma delegação para realizar discussões técnicas relacionadas ao acordo emergente entre Teerã e Washington, informou o Al-Arabiya, um dos principais canais internacionais de notícias em língua árabe.

Na sexta, 12, Araghchi também concedeu uma entrevista à televisão estatal iraniana oferecendo a perspectiva de Teerã sobre o possível acordo com os Estados Unidos.

O ministro classificou o acordo como um meio de consolidar o que ele descreveu como o "sucesso do Irã no campo de batalha". Ao longo da entrevista, Araghchi enfatizou repetidamente que as negociações de 60 dias e qualquer acordo mais amplo não prosseguiriam se o memorando não fosse implementado pelos Estados Unidos.

Ele também defendeu repetidamente o processo de negociação como tendo sido aprovado por consenso pelas instituições de tomada de decisão do Irã, particularmente o Conselho Supremo de Segurança Nacional, que, segundo ele, supervisionou cada estágio do processo.

"O resultado do entendimento será bom para os interesses nacionais do Irã e estabilizará as conquistas no campo", disse.

Justiça eleitoral

Ministério Público Eleitoral determina que Soraya Thronicke devolva valor milionário

Parecer vê irregularidades na prestação de contas da campanha presidencial de 2022 e cobra devolução de R$ 4,8 milhões

13/06/2026 09h30

Senadora Soraya Thronicke

Senadora Soraya Thronicke Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A prestação de contas da campanha presidencial de 2022 da senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke, quando ainda era do União Brasil, voltou ao centro das atenções da Justiça Eleitoral, após parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral recomendar a desaprovação das contas e a devolução de cerca de R$ 4,87 milhões aos cofres públicos.

O parecer foi assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa e encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pelo julgamento da prestação de contas da chapa formada por Soraya Thronicke, que atualmente é pré-candidata à reeleição no pleito deste ano pelo PSB, e o então candidato a vice-presidente Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, foram identificadas irregularidades em receitas e despesas que, somadas, comprometem a regularidade, a transparência e a confiabilidade das contas da campanha presidencial. 

O órgão aponta inconsistências em R$ 3,2 milhões referentes às receitas arrecadadas e em R$ 4,8 milhões relacionados às despesas realizadas durante a disputa eleitoral. 

Principais falhas 

Entre os problemas apontados está o envio fora do prazo de relatório financeiro referente ao recebimento de R$ 2 milhões do Fundo Partidário. 

Os recursos foram repassados à campanha após o primeiro turno das eleições, mas a comunicação à Justiça Eleitoral ocorreu somente depois do prazo legal de 72 horas e já após a realização do segundo turno. 
Para o Ministério Público Eleitoral, a falha prejudicou a transparência e o controle social sobre o financiamento da campanha. 

O parecer também registra a omissão de R$ 1,2 milhão em receitas estimáveis em dinheiro na prestação de contas parcial. 

De acordo com a Procuradoria, a ausência dessas informações dificultou a fiscalização da movimentação financeira durante o período eleitoral e configura irregularidade relevante para o julgamento das contas.
A principal inconsistência, porém, envolve despesas com produção de programas de rádio, televisão e vídeos eleitorais. 

A área técnica do TSE concluiu que não houve comprovação suficiente da destinação de R$ 4,56 milhões em recursos públicos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário.

O montante está relacionado a contratos firmados com a empresa D22 Comunicação SPE Ltda., responsável pela produção do material de campanha. 

Subcontratos 

Conforme o parecer, a empresa realizou subcontratações de fornecedores, mas não apresentou documentação considerada suficiente para comprovar que os pagamentos efetuados pela campanha foram efetivamente repassados às empresas que prestaram os serviços.

“O órgão técnico considerou não haver prova nos autos de que os subcontratados tenham recebido pelos serviços prestados”, registra o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral.

Outra irregularidade apontada envolve notas fiscais emitidas em nome da campanha sem comprovação do respectivo pagamento ou da assunção da dívida pelo partido. Nessa situação, o valor questionado alcança
R$ 310,9 mil.

Para o Ministério Público Eleitoral, a situação caracteriza o recebimento de recursos de fonte vedada e exige o recolhimento da quantia ao Tesouro Nacional. 

Também foi identificado um saldo remanescente de R$ 563,27, referente a créditos não utilizados para impulsionamento de conteúdo na internet, valor que deveria ter sido devolvido ao Tesouro Nacional ao fim da campanha.

Senadora Soraya Thronicke Fac-símile do parecer do vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa

Desaprovação 

Diante das irregularidades, o Ministério Público Eleitoral defendeu a desaprovação das contas da chapa presidencial e pediu que Soraya Thronicke e Marcos Cintra sejam obrigados a devolver R$ 4.562.469,53, por despesas consideradas sem comprovação adequada, além de recolher
R$ 310.914,37 relativos a recursos de fonte vedada e R$ 563,27 referentes às sobras de campanha. Os valores somam aproximadamente R$ 4,87 milhões.

A defesa dos candidatos sustenta que a documentação apresentada é suficiente para demonstrar a regular aplicação dos recursos e argumenta que as falhas apontadas não comprometem a fiscalização das contas. O processo ainda aguarda julgamento definitivo pelo TSE.

O parecer destaca que a campanha presidencial de Soraya movimentou
R$ 36,67 milhões em receitas e declarou despesas de R$ 42,43 milhões durante o processo eleitoral. 

Desse total, a maior parte dos recursos teve origem em fundos públicos destinados ao financiamento das campanhas, incluindo R$ 28,68 milhões do FEFC, mais conhecido como Fundo Eleitoral ou Fundão, e
R$ 4,94 milhões do Fundo Partidário.

Inconsistências 

Para a Procuradoria-Geral Eleitoral, a soma das inconsistências não pode ser tratada como meras falhas formais. 

O órgão sustenta que os problemas identificados afetam diretamente os mecanismos de controle e fiscalização previstos na legislação eleitoral, especialmente porque envolvem recursos públicos utilizados na campanha presidencial.

O Ministério Público Eleitoral também ressalta que a Justiça Eleitoral vem adotando entendimento mais rigoroso nos últimos anos em relação ao cumprimento das regras de transparência das campanhas. 

Nesse contexto, tanto o atraso na comunicação de receitas quanto as omissões verificadas nas prestações de contas parciais passaram a ser considerados elementos relevantes para a análise da regularidade das contas.

Além de pedir a desaprovação da prestação de contas, o vice-procurador-geral eleitoral solicitou acesso a documentos sigilosos anexados ao processo, entre eles, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Segundo o parecer, o conteúdo do material pode ter repercussão na análise das contas, por isso, o Ministério Público Eleitoral requer nova manifestação, caso o acesso aos documentos seja autorizado.

*Saiba 

Senadora prefere não falar sobre o parecer 

Por meio de sua assessoria de imprensa, a senadora Soraya Thronicke (PSB) informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre o parecer do Ministério Público Eleitoral que recomenda a reprovação de sua prestação de contas referente à campanha presidencial de 2022.

Em razão disso, a parlamentar afirmou que não vai se manifestar sobre o caso neste momento. Soraya tem protagonizado uma série de episódios que ampliaram sua exposição no cenário político nacional nos últimos anos.

Entre as principais controvérsias está o embate com o religioso frei Gilson, em abril deste ano, quando ela o classificou como “falso profeta” e criticou declarações feitas pelo frei sobre o papel da mulher na família. A discussão repercutiu nas redes sociais e dividiu opiniões entre apoiadores e críticos da parlamentar.

Outra marca da trajetória recente da senadora foi o rompimento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, de cuja base política fez parte após ser eleita em 2018. Desde então, passou a fazer críticas ao bolsonarismo.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).