Política

REVIRAVOLTA?

Pollon pressiona cúpula nacional do PL e pode travar escolha de Contar ao Senado

Deputado federal reage à decisão da direção nacional, pressiona Valdemar e pode fazer partido recuar a 22 dias da convenção

A 22 dias da convenção partidária estadual marcada para o dia 1º de agosto em Campo Grande, o que parecia uma decisão irreversível da direção nacional do PL sobre a segunda vaga ao Senado pelo partido em Mato Grosso do Sul ganhou um novo e inesperado capítulo.

Uma semana após a legenda anunciar o ex-deputado estadual Capitão Contar como pré-candidato, a escolha teria voltado à estaca zero, depois de uma dura ofensiva do deputado federal Marcos Pollon com a cúpula do partido, em Brasília (DF), na tarde de quarta-feira.

Conforme apuração exclusiva do Correio do Estado, Pollon esteve reunido com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e com o secretário-geral da legenda, senador Rogério Marinho, em um encontro marcado por cobranças, críticas e forte pressão política.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o deputado deixou claro que não aceitaria passivamente a decisão da Executiva nacional e, durante a conversa, lembrou que foi o deputado federal mais votado de Mato Grosso do Sul, questionou os critérios adotados para a escolha de Capitão Contar e cobrou explicações sobre o processo que levou à definição anunciada pela direção nacional.

Nos bastidores, interlocutores afirmam que Pollon também demonstrou indignação com informações envolvendo a distribuição dos recursos do partido destinados à chapa de deputados federais.

O parlamentar teria reclamado que números divulgados anteriormente deram margem à interpretação de que ele controlaria cerca de R$ 15 milhões do fundo eleitoral, situação que, conforme o deputado, provocou desgaste político dentro da legenda.

A reação provocou desconforto entre dirigentes nacionais. Diante do clima de tensão, Valdemar Costa Neto evitou sustentar a decisão anunciada há uma semana e adotou um discurso conciliador, defendendo a unidade do partido e afirmando que há espaço para todos os grupos da legenda.

A condução das negociações passou então para Rogério Marinho, que decidiu interromper qualquer definição definitiva sobre a chapa de MS.

De acordo com fontes do partido, o secretário-geral informou que a decisão será discutida com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda à Presidência da República, antes de qualquer anúncio oficial.

Com isso, a indicação de Capitão Contar deixou de ser tratada como definitiva e voltou ao campo das negociações políticas.

A reviravolta ocorre justamente após o Correio do Estado revelar que Pollon havia perdido sua principal esperança de reverter a decisão da Executiva nacional em razão da crise envolvendo a ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, e o senador Flávio Bolsonaro.

Naquele momento, aliados avaliavam que a escolha de Contar estava consolidada, entretanto, a ofensiva pessoal do deputado em Brasília alterou o ambiente interno do partido.

Ainda de acordo com interlocutores, a firmeza de Pollon surpreendeu integrantes da direção nacional e fez com que a cúpula reconsiderasse a condução do processo.

Apesar disso, nenhuma decisão foi revista oficialmente. Integrantes da Executiva afirmam que o nome de Capitão Contar continua sendo uma possibilidade, sobretudo pelos resultados dos levantamentos da Quaest e da Paraná Pesquisas, utilizadas como base para a escolha inicial.

Ao mesmo tempo, reconhecem que a pressão exercida por Pollon impediu que o assunto fosse encerrado. A expectativa agora é de que Rogério Marinho converse com Flávio Bolsonaro ainda nesta semana para definir quem ocupará a segunda vaga do PL ao Senado em MS.

Enquanto isso, a disputa que parecia encerrada voltou a incendiar os bastidores da legenda e expôs que, longe de um consenso, o PL ainda vive uma intensa queda de braço entre os seus principais líderes no Estado.

Enquanto a direção nacional ainda busca uma solução para o impasse, o relógio eleitoral corre contra os dois pré-candidatos.

O presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja, que já tem assegurada a primeira vaga da legenda ao Senado, convocou para o dia 1º de agosto, na sede do partido, em Campo Grande, a convenção estadual que homologará os candidatos da sigla para as eleições deste ano.

Com a convenção marcada para daqui a 22 dias, a direção nacional terá de definir quem acompanhará Reinaldo Azambuja na chapa majoritária.

Até lá, a disputa entre o deputado federal Marcos Pollon e o ex-deputado estadual Capitão Contar segue aberta, mantendo o clima de tensão nos bastidores do PL.

O Correio do Estado procurou o deputado federal Marcos Pollon para que comentasse as informações sobre a reunião com a cúpula nacional do PL e a pressão exercida para reabrir a discussão sobre a segunda vaga ao Senado.

No entanto, até o fechamento desta edição, o parlamentar não havia retornado aos contatos da reportagem.

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