Política

Janela de oportunidade

Assembleia vai ao CNJ para "apressar" decisão sobre conselheiros do TCE-MS

Casa tem interesse em vaga de Waldir Neves, um dos conselheiros afastados; dois deputados já até se colocam na disputa

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A demora do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em definir se os três conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, Waldir Neves, Iran Coelho das Neves e Ronaldo Chadid, viram réus por acusações de crimes como peculato (desvio de dinheiro público), fraude em licitação e corrupção, está fazendo com que a Assembleia Legislativa cresça o interesse pela vaga de um destes conselheiros afastados de suas funções há mais de 1 ano e meio. 

Ao mesmo tempo, o Poder Legislativo cobra celeridade do STJ por outros motivos: o primeiro é o mais objetivo: atender cobrança de prefeitos e setores da sociedade, que cobram um andamento da Corte de Contas, que tem apenas sete conselheiros e está com três deles sem nem poder pisar dentro do tribunal. E o segundo o de abrir a negociação por mais uma vaga na corte, indicada pela própria Assembleia.

A vaga que poderia ser aberta em caso de andamento do processo judicial é a de Waldir Neves, ex-deputado federal e estadual pelo PSDB, o único dos afastados que entrou na corte por indicação política (os outros dois ocupam vagas técnicas). Caso o afastamento de Neves seja prorrogado até o julgamento do processo contra ele, por exemplo, ou que ele venha a antecipar sua aposentadoria em meio às denúncias, uma nova vaga surge ainda neste legislatura. 

Por enquanto, a única indicação para o Tribunal de Contas é do substituto do atual presidente Jerson Domingos, que se aposenta em meados de 2026. Para esta vaga, porém, já existe um compromisso firmado ainda durante a eleição do atual governador Eduardo Riedel (PSDB), juntamente com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB), para indicar o também tucano Sérgio de Paula, ex-secretário da Casa Civil. 

Até o momento, não há nenhum fato ou incidente que possa levar o atual grupo político que está no poder de recuar de tal compromisso. E é aí que entram os afastamentos dos três conselheiros. 

No caso de Neves, a única vaga por indicação política, uma nova negociação poderia ser aberta na Assembleia Legislativa. E para ela já existem dois candidatos: o atual primeiro secretário da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa (PSDB) e o deputado estadual Márcio Fernandes (MDB). Corrêa tem forte apoio do sistema S, enquanto Fernandes tem muita simpatia dos colegas. Ambos não parecem muito dispostos a encarar mais uma campanha para reeleição em 2026, e preferem continuar no poder, só que com um cargo de conselheiro do Tribunal de Contas. 

Assembleia no CNJ

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa faz a sua pressão. Ontem, o presidente da Comissão Temporária de Acompanhamento de Inquérito dos Conselheiros Afastados do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), deputado Coronel David (PL), enviou ofício ao presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão. 

No ofício assinado por David, ele lembra que as denúncias feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra os três conselheiros ainda não foram recebidas, e especificamente no caso da acusação de corrupção contra o conselheiro Ronaldo Chadid, a sessão que votaria a admissibilidade do processo já teve sete adiamentos. 

“Ainda há inúmeras reclamações das prefeituras sobre os julgamentos de contas feitos pelos auditors fiscais substitutos e existe uma grande insegurança jurídica acerca da competência deles (os auditores que substituem os conselheiros) para o julgamento das contas”, argumenta David. 

A acusação

O retorno dos três conselheiros ao cargo antes do julgamento parece difícil. Ao longo da investigação os pareceres e argumentos foram todos em sentidos contrários, uma vez que os crimes pelos quais eles são acusados: peculato e fraude em licitação (Waldir Neves e Iran Coelho das Neves) e corrupção e lavagem de dinheiro (Ronaldo Chadid) são práticas que eles deveriam coibir como conselheiros. 
 

Chadid é acusado de receber dinheiro para julgar favorável à Solurb em processo envolvendo a prefeitura de Campo Grande. Teve mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo encontrado com ele e sua ex-secretária. 
Já Neves e Iran levaram adiante contrato milionário com empresa de informática que era pivô para cabide de emprego e desvio de dinheiro público por meio de serviços simulados. 

Saiba

Desde dezembro de 2022, três conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul estão afastados, após acusações de crimes.

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Política

Bolsonaro desconversa sobre Tereza Cristina ser sua vice em 2026

Questionado sobre a possibilidade de uma possível chapa para as eleições presidenciais, ele disse que MS não tem muito potencial político, mas exaltou a senadora

02/04/2025 17h29

Jair Bolsonaro (PL) e Tereza Cristina (PP) em 2022

Jair Bolsonaro (PL) e Tereza Cristina (PP) em 2022 Foto: Isac Nóbrega / PR

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desconversou sobre a possibilidade da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) ser sua vice em uma possível chapa para as eleições presidenciais do ano que vem. Bolsonaro está inelegível, mas segue afirmando que irá concorrer ao pleito.

Em entrevista a uma rádio de Campo Grande nesta quarta-feira (2), ao ser questionado sobre essa possibilidade, o ex-presidente não deu uma resposta direta.

"A Tereza está no PP, um partido que eu integrei e o partido tem toda a liberdade para lançá-lo a qualquer cargo", disse o ex-presidente,

Ele ressaltou que ela foi uma "grande ministra da Agricultura" e elogiou a senadora, mas afirmou que Mato Grosso do Sul não é um estado com muito potencial no campo político.

"Ela tem minha idade, faz parte do jogo político. A gente lamenta que Mato Grosso do Sul não tem tanto potencial eleitoral, como São Paulo e Minas Gerais por exemplo, mas a Tereza Cristina é uma pessoa que pode, num jogo de xadrez, jogar em qualquer posição", concluiu o ex-presidente sobre o assunto.

Bolsonaro afirmou ainda que a conversa que tem com Tereza Cristina sobre as eleições do ano que vem são centradas em possíveis candidatas ao Senado.

Ele já tem um possível nome que irá apoiar como pré-candidata, sendo a vice-prefeira de Dourados, Gianni Nogueira, esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira, conhecido como "gordinho do Bolsonaro".

"A Gianni é uma possível pré-candidata, gosto muito dela, conversei várias vezes com ela, é muito parecida com a Michelle [Bolsonaro], a maneira de falar, o conteúdo de suas conversas, é esposa de um grande amigo meu, o Rodolfo Nogueira, deputado federal, e está no radar da gente como possível candidata nossa ao Senado por Mato Grosso do Sul", disse.

Bolsonaro acrescentou, no entanto, que está aberto a ouvir outras sugestões de nomes.

"Temos uma pré-candidata ao Senado, mas talvez a Tereza queira apresentar uma candidata dela no futuro, vou conversar com o Ciro, temos conversado com o [Reinaldo] Azambuja, ex-governador, e podemos ter bons dois nomes, um do PL e outro de outro partido", disse.

Inelegível

Apesar de afirmar, em diversas oportunidades, que irá disputar a eleição para presidente da República, o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível.

Em junho do ano passado, por maioria de votos (5 a 2), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou a inelegibilidade do ex-presidente por oito anos, contados a partir das Eleições 2022, ou seja, até 2030.

Na ocasião, ficou reconhecida a prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros no dia 18 de julho de 2022, na qual ele fez ataques ao sistema eleitoral.

Walter Braga Netto, que compôs a chapa de Bolsonaro à reeleição, foi excluído da sanção, uma vez que não ficou demonstrada sua responsabilidade na conduta.

 

Política

Bolsonaro convida Riedel para manifestação na Paulista no domingo

Ex-presidente concedeu entrevista a uma rádio de Campo Grande e disse que governador será "bem recebido" na manifestação pela anistia

02/04/2025 15h30

Bolsonaro convidou Riedel para passeata, mas governador não se manifestou se irá ou não

Bolsonaro convidou Riedel para passeata, mas governador não se manifestou se irá ou não Foto: Clauber Cleber Caetano / Arquivo

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O ex-presidente Jair Bolsonaro convidou o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), para a manifestação que ocorrerá no próximo domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo. O convite foi feito durante entrevista a uma rádio de Campo Grande, nesta quarta-feira (2).

A passeata tem objetivo de pressionar parlamentares para votarem a favor da anistia aos envolvidos nos crimes do ato de 8 de janeiro de 2023.

"O governador está convidado a comparecer, o Riedel, vai ser muito bem recebido se puder comparecer", disse Bolsonaro. 

Ele disse ainda que o PSDB é um grande partido em Mato Grosso do Sul e que, sempre que possível, não abre mão de dialogar com os políticos da sigla.

Riedel ainda não se manifestou se irá ou não participar da manifestação.

O ex-presidente voltou a dizer que não houve tentativa de golpe e estendeu o convite a toda a população de Mato Grosso do Sul.

"Mato Grosso do Sul faz divisa com São Paulo, sei que está um pouco longe, mas quem puder comparecer na Paulista no domingo, não é apenas pela Debora, condenada injustamente a 14 anos de cadeia, uma tremenda injustiça, é pelo nosso futuro, pela nossa liberdade, e contra esse cara [Alexandre de Moraes] que tá aí e que não tem qualquer compromisso com a família, com a sua pátria e com seu povo, é por mim também, por todos nós", disse Bolsonaro.

A Débora que o ex-presidente se refere é Débora Rodrigues dos Santos, conhecida por ter pichado de vermelho a estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) com a frese "perdeu mané". Ela é ré por cinco crimes, mas ao contrário do que afirmou Bolsonaro, ainda não foi condenada e atualmente cumpre prisão domiciliar enquanto aguarda julgamento.

Débora responde no processo pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

A ação penal contra Débora estava sendo analisada em sessão virtual da Primeira Turma, com o placar de 2 a 0 pela condeção, mas o ministro Luiz Fux pediu vista do caso.

Projeto de lei da anistia

O projeto de lei articulado na Câmara dos Deputados propõe perdoar os crimes referentes atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O projeto prevê anistia a manifestantes, caminhoneiros, empresários e a todos os que tenham participado de manifestações “em qualquer lugar do território nacional”.

Bolsonaro estava na Flórida no momento dos ataques aos Poderes, mas um dos parágrafos amplia o perdão a quem tenha participado também do “financiamento, organização ou apoio de qualquer natureza”. O ex-presidente é réu no processo que tramita do STF.

“A anistia de que trata o caput compreende crimes políticos ou com estes conexos e eleitorais. Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política”, diz um parágrafo do documento.

Na Câmara dos Deputados, o PL ameaça uma obstrução caso o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não dê andamento ao projeto de lei.

“Só faremos obstrução caso o governo tenha feito alguma pressão ao presidente Hugo Motta, no sentido de não pautar a urgência. Vamos conversar e faremos a obstrução caso necessário”, disse o líder na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), ao Estadão.

Apesar das incertezas, o líder do PL diz acreditar que Motta vai ceder: “Honestamente, não acho que será necessário (entrar em obstrução completa). O Hugo Motta é um cumpridor dos seus compromissos”.

A expectativa do PL é de que Motta paute no Colégio de Líderes da quinta-feira (3) o pedido de urgência. 

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