Nesta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu o relator para a proposta de emenda à Constituição (PEC) que pede o fim da escala de trabalho 6x1, principal bandeira de reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), demonstrando que a questão deve entrar em pauta antes das eleições gerais de outubro.
Em razão disso, o Correio do Estado consultou os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul para saber o posicionamento deles a respeito desse assunto polêmico, e a maioria se declarou a favor da discussão do tema, ressaltando que o Brasil já está preparado para debater a redução da atual escala de trabalho.
O cenário atual mostra um embate direto entre diferentes tipos de entidades de classe, enquanto as entidades sindicais (trabalhadores) intensificam o lobby pelo fim da escala 6x1, as entidades patronais (empresários) estabelecem uma forte articulação política contrária à proposta.
Do lado patronal, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um aumento de R$ 267 bilhões por ano nos custos da folha salarial e a extinção de até 600 mil empregos, impactando fortemente o agronegócio e o comércio, enquanto a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) defende a medida como um avanço civilizatório, pois trará melhoria da saúde mental (redução de burnout) e da qualidade de vida e potencial ganho de produtividade.
O coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional, deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB), é favorável à mudança na escala 6x1 e pensa que o Brasil já está mais do que preparado para fazer essa discussão.
“No entanto, dentro dessa proposta há a sugestão de se adotar uma escala 4x3, o que é impossível, por mais que o País tenha avançado. Por isso, acredito que não vai passar essa proposta, enquanto a escala 5x2 é plausível e pode, sim, ser aprovada. Entretanto, o assunto ainda vai ter muita discussão dentro da Câmara dos Deputados, mas acredito que devemos chegar a um acordo”, projetou.
O deputado federal Marcos Pollon (PL) também é favorável à redução de escala, no entanto, acredita que o texto da PEC é grosseiro, erra inclusive na matemática básica do cômputo de horas semanais.
“A propósito, além de reduzir a escala, é preciso repassar ao empregador meios para suportar o custo da redução, bem como aumentar o salário, este valor poderia ser obtido zerando as emendas e retirando as regalias dos políticos. Para isso não precisa de PEC, inclusive, fiz um projeto de lei tratando disso”, analisou.
Já a deputada federal Camila Jara (PT) disse que desde o começo se posicionou favorável à PEC, que reduz a jornada de trabalho sem reduzir salários. Ela reforçou que as mulheres cumprem jornada dupla, pois, ao terminarem o expediente laboral, elas começam um terceiro turno, cuidando da casa e da família.
“O fim da escala 6x1 vai equilibrar a vida e o trabalho. A proposta vai impactar a vida de todos os brasileiros porque vai melhorar a saúde física e mental, além de garantir tempo para as famílias e gerar mais e melhores empregos”, assegurou.
O deputado federal Geraldo Resende (PSDB) também é favorável à mudança da escola laboral 6x1. “Sou a favor de discutir e construir uma proposta consensual”, avisou.
Por sua vez, o deputado federal Vander Loubet (PT) ressaltou que sua posição é a mesma do PT no Congresso Nacional, ou seja, 100% a favor dos trabalhadores.
“Por isso, defendemos o fim da escala 6x1. A resistência de setores empresariais que vemos hoje nessa questão é a mesma resistência que ocorreu em outros episódios históricos na luta dos trabalhadores por direitos no Brasil, como férias remuneradas, 13º salário, licença-maternidade, e o Brasil não quebrou, como afirmavam que aconteceria, nem vai quebrar agora”, garantiu.
Ele completou que é importante ressaltar que há estudos socioeconômicos e experiências práticas de empresas que mostram que a redução da jornada gera mais qualidade de vida para o trabalhador e que isso se converte em melhoria e aumento de produtividade dos trabalhadores.
Para o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), uma proposta vem sendo amplamente aclamada e liderou a participação popular no primeiro semestre de 2025: a jornada 4x3.
“Se quisermos que a 4x3 seja uma conquista estrutural e não um experimento incerto, precisamos construir as bases. O debate não deve ser conduzido como disputa ideológica, mas como política pública de longo prazo. O Brasil pode ir além da 6x1, mas deve fazê-lo com planejamento. A 4x3 pode representar um avanço histórico – desde que seja resultado de maturidade econômica, não de precipitação normativa”, declarou.
O deputado federal Beto Pereira (PSDB) também se posicionou de forma favorável ao fim da escala 6x1. “Sou favor ao fim da escala 6x1. Mas essa mudança precisa ser amplamente debatida com os representantes das classes empresarial e industrial. É crucial garantir que os empregadores não sejam sobrecarregados com mais custos que possam impactar negativamente seus negócios, resultando em demissões ou até no fechamento de empresas”, declarou.
Ele vê que muitos trabalhadores já enfrentam uma rotina desgastante, com horários rígidos de entrada, pouco tempo para descanso e intervalos cada vez mais curto de almoço. “Ao fim do expediente, lidam com o estresse do transporte coletivo lotado e trânsitos com congestionamentos nas grandes cidades. Essas condições afetam diretamente sua qualidade de vida, comprometendo a saúde e o bem-estar, além de reduzir o tempo valioso que podem dedicar à família. Portanto, é fundamental buscar um equilíbrio que beneficie tanto empregadores quanto empregados, promovendo um ambiente de trabalho melhor e produtivo”, afirmou.
O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) não retornou até o fechamento desta edição.

