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VEREADOR ELEITO

Estreante na Câmara Municipal da Capital, Tabosa promete mandato independente

Sindicalista ainda não definiu se será opositor e diz que guerra ou paz dependerá do prefeito
03/12/2020 10:00 - Flávio Veras


O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande (Sisem), Marcos Tabosa (PDT), foi eleito vereador por Campo Grande com 2.199 votos nas eleições municipais de 2020. 

Conhecido no meio político em virtude de sua atuação sindical, Tabosa afirmou que a guerra ou a paz dentro da Câmara de Vereadores da Capital na próxima legislatura dependerá única e exclusivamente da postura do prefeito eleito, Marcos Trad (PSD).

Segundo ele, a principal bandeira do vereador é a função de fiscalizar o Executivo Municipal, portanto, esta será o seu “estandarte” nos próximos quatro anos. 

Ao Correio do Estado, Tabosa falou que sua atuação política na Capital começou bem antes de ele entrar no sindicalismo, em meados de 2000, quando desenvolvia projetos comunitários.  

Posteriormente, foi assessor parlamentar na Câmara, mas seu despertar para o meio ocorreu em 2009, quando foi eleito presidente do sindicato. Apesar de conquistar uma cadeira na Casa de Leis municipal, ele afirmou que não sairá do sindicalismo.  

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“Vou alinhar as duas funções, como presidente e parlamentar. Quando assumi esse posto, a organização estava com R$ 200 mil em dívidas, mas quitamos elas e estruturamos o sindicato, que hoje possui até um trio elétrico. Não posso abandonar todo esse trabalho, pois ele converge com a minha atuação agora como vereador”, explicou.

 
 

o governo Trad nos últimos quatro anos, Tabosa afirmou que sua atuação contra ou a favor ao atual prefeito nos próximos anos dependerá da postura dele. 

“Se o Marcos quiser paz, ele terá, mas se partir para guerra também a terá. Estou pronto para qualquer um dos dois cenários que se desenhar. A palavra oposição é muito forte, tentarei atuar na construção de pontes, entre os interesses do funcionalismo público e a população geral com o governo municipal. Porém, essa articulação dependerá do chefe do Executivo Municipal”, alertou.

O parlamentar prometeu ainda fiscalizar e rever os contratos das concessionárias de serviços públicos. 

“Vamos ficar de olho no Consórcio Guaicurus, na Águas Guariroba, na Solurb, no Programa de Inclusão Profissional (Proinc), nas Organizações Sociais (OSS), entre outras. Por exemplo, existem evidências de que as OSSs são utilizadas para corrupção e lavagem de dinheiro, como aconteceu no Rio de Janeiro. Temos notícias de que essa seria uma ideia do prefeito Trad, iremos lutar para que isso não ocorra, pois o que o município precisa é de servidores concursados, e não terceirizações, que podem onerar ainda mais os cofres públicos”, exemplificou.

Improbidade

Mesmo eleito, Tabosa ainda não foi diplomado vereador, porém já se vê em meio a um imbróglio jurídico. Ele foi condenado em primeira instância pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por improbidade administrativa. 

Segundo uma ação civil pública promovida pelo Ministério Público Estadual (MPMS), o sindicalista é acusado de ser responsável por fraudes na folha de ponto do trabalho de servidores da saúde no ano de 2015.

Autor da sentença, o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos de Campo Grande, ainda determinou que ele, além de outro indiciado, seja obrigado a ressarcir a administração pública em R$ 1,49 milhão em razão do prejuízo ao erário.

Conforme a denúncia, gerentes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram coagidos a assinarem a folha de frequência por oito horas trabalhadas, tendo na verdade trabalhado apenas seis horas.

Em contrapartida, o sindicalista se defende alegando que ele não tinha ingerência sobre um documento oficial da Prefeitura de Campo Grande. 

“Eu nunca fui secretário municipal de Saúde, nem superintende de Recursos Humanos, nunca gerenciei uma UBS, ou seja, nunca fiz parte da máquina pública. Portanto, esse processo me causou estranheza, pois nunca fui responsável por esses setores e não tinha acesso a esses documentos.

Apesar de Tabosa ter estranhado tal fato, ele foi denunciado justamente pelo poder que um sindicato tem de fazer acordos, indicou o Ministério Público.