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Ex-aliados, prefeito e deputado brigam por cavalgada na 3ª maior cidade de MS

Cassiano Maia e Ângelo Guerreiro protagonizam troca pública de acusações por organização de festa tradicional; divergências políticas começaram ainda na sucessão municipal de 2024

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Uma festa tradicional que deveria reunir cavaleiros, comitivas e moradores de Três Lagoas, terceira cidade mais populosa de Mato Grosso do Sul, acabou se transformando no centro de uma disputa entre dois antigos aliados políticos. O prefeito Cassiano Maia (PP) e o ex-prefeito e deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB) protagonizaram uma troca pública de acusações envolvendo a organização da 19ª Cavalgada de Arapuá, realizada no último fim de semana, nos dias 17 e 18 de outubro.

O episódio marcou uma nova etapa no rompimento entre os dois, que já acumulavam desentendimentos desde as eleições municipais de 2024.

Desta vez, porém, Cassiano decidiu responder diretamente ao antigo aliado e publicou um vídeo nas redes sociais, no sábado (17), no qual contestou as críticas de Guerreiro e expôs divergências que, até então, evitava abordar publicamente com a mesma intensidade.

O estopim foi a contratação do Sindicato Rural de Três Lagoas para organizar a cavalgada, tradicional celebração realizada no distrito de Arapuá.

Guerreiro questionou a mudança na condução do evento, anteriormente organizado por uma associação ligada à história da festividade, além dos recursos públicos destinados à realização da festa.

A resposta de Cassiano ultrapassou o assunto da cavalgada. Em uma gravação de mais de dez minutos, o prefeito defendeu o procedimento adotado pela administração municipal, contestou a postura do antecessor e apresentou sua versão sobre o desgaste político que afastou os dois antigos aliados.

Cavalgada vira motivo de disputa pública

A polêmica começou após Ângelo Guerreiro divulgar um vídeo em que criticou a decisão da Prefeitura de transferir a organização da festa para o Sindicato Rural.

O ex-prefeito lembrou que idealizou a cavalgada em 2005 e que, posteriormente, a Associação Ferradura passou a participar da realização do evento. Segundo ele, a entidade foi afastada da organização com a mudança de administração.

Guerreiro afirmou que o Sindicato Rural é uma instituição respeitada, mas questionou a experiência da entidade na realização da festividade.

"Ela não é dona, como a prefeitura também não é dona", declarou o deputado eleito ao tratar da cavalgada.

Apesar das críticas, Guerreiro incentivou a população a comparecer à celebração, mesmo sem sua participação à frente da organização.

Horas depois, Cassiano publicou um vídeo em resposta. O prefeito afirmou que o Sindicato Rural venceu um procedimento público e que outras entidades interessadas, incluindo a Associação Ferradura, poderiam ter participado da seleção.

Cassiano também acusou Guerreiro de tentar conservar influência sobre a festividade e de utilizar o evento como instrumento de promoção política pessoal. As afirmações representam a versão do atual prefeito e não comprovam, por si, qualquer irregularidade praticada pelo antecessor.

Durante a gravação, o prefeito ainda questionou as condições de higiene na preparação de alimentos durante edições anteriores da festa, mas não apresentou documentos que demonstrassem as supostas falhas.

Rompimento começou após eleição de 2024

Apesar da discussão recente sobre a cavalgada, a relação entre Cassiano Maia e Ângelo Guerreiro já estava desgastada havia aproximadamente dois anos.

Guerreiro governou Três Lagoas por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2024, e teve Cassiano como integrante de sua equipe administrativa. O atual prefeito passou por secretarias importantes, como Saúde e Finanças, antes de ser escolhido como sucessor político.

Com o apoio de Guerreiro, Cassiano venceu a eleição municipal de 2024 com 68,61% dos votos válidos. A parceria, entretanto, começou a apresentar sinais de desgaste ainda durante a campanha.

No vídeo divulgado no sábado, Cassiano afirmou que uma das primeiras divergências ocorreu após assumir o compromisso de estudar a redução da jornada diária dos servidores municipais de oito para seis horas.

Segundo ele, Guerreiro não concordou com a possibilidade e passou a se afastar da candidatura. O atual prefeito também relembrou que seu antecessor não compareceu às cerimônias de diplomação e posse.

O afastamento chegou a ser interrompido em outubro de 2025, quando os dois participaram de uma reunião de reconciliação na Câmara Municipal, articulada com a participação de lideranças políticas estaduais. A reaproximação, porém, não se sustentou.

Acusações de traição agravaram crise nas eleições de 2026

As divergências voltaram a ganhar força durante a campanha eleitoral deste ano. Em setembro, durante um comício, Ângelo Guerreiro acusou publicamente Cassiano de traição política.

O ex-prefeito afirmou que havia ajudado a construir a trajetória do sucessor e reclamou da falta de apoio em sua candidatura à Assembleia Legislativa.

 "Mas, após três dias da eleição, o primeiro a ser apunhalado e traído fui eu", afirmou Guerreiro durante o discurso.

A declaração ocorreu depois de Cassiano se aproximar politicamente do ex-deputado estadual Eduardo Rocha (PSDB), adversário de Guerreiro na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Os dois concorreram pelo mesmo partido, mas o apoio do prefeito ficou com Rocha. Apesar disso, Guerreiro saiu vitorioso das urnas em 4 de outubro, conquistando 37.704 votos, dos quais 27.004 foram registrados em Três Lagoas.

Naquele momento, a acusação de traição feita pelo ex-prefeito já havia tornado pública a ruptura. A novidade no episódio da cavalgada foi a reação direta de Cassiano, que passou a contestar abertamente o antigo aliado nas redes sociais.

Prefeito também questiona problemas da gestão anterior

Além da divergência sobre a festa, Cassiano utilizou a gravação para criticar situações administrativas que, segundo ele, foram herdadas do governo de Guerreiro.

O prefeito mencionou problemas de iluminação pública, manutenção de áreas verdes e instalação de aparelhos de ar-condicionado em escolas municipais sem a adequação necessária da rede elétrica.

Cassiano afirmou que sua administração vem trabalhando para solucionar essas questões, por meio de intervenções nas unidades escolares e modernização da iluminação pública.

Ao rebater o antecessor, também contestou a ideia de que sua eleição representaria a continuidade de um comando político exercido por Guerreiro.

"Você não aceita e não ajuda as pessoas que te sucedem", afirmou Cassiano durante o vídeo.

As críticas sobre a gestão anterior não foram acompanhadas, na manifestação, de documentação suficiente para verificar individualmente todas as situações apontadas.

Festa reuniu mais de 8 mil pessoas

Enquanto a disputa política ganhava repercussão, a 19ª Cavalgada de Arapuá aconteceu normalmente.

Segundo balanço divulgado pela Prefeitura de Três Lagoas na segunda-feira (19), o evento reuniu mais de 8 mil pessoas durante os dois dias de programação e contou com a participação de mais de 300 cavalos.

A festa teve apresentações musicais, cavalgada, churrasco e atividades tradicionais. Cassiano também participou do percurso acompanhado de familiares.

Prefeitura Três Lagoas

O encerramento da celebração, entretanto, não colocou fim à divergência política. O episódio reforçou o afastamento entre dois nomes que estiveram no mesmo grupo durante anos e hoje ocupam posições distintas na política de Três Lagoas.

Com Guerreiro eleito para retornar à Assembleia Legislativa em 2027 e Cassiano à frente da Prefeitura, a disputa também passa a envolver a relação institucional entre o município e seu futuro representante no Legislativo estadual.

O que dizem Cassiano Maia e Ângelo Guerreiro

O Correio do Estado procurou o prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, e o ex-prefeito e deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro para obter esclarecimentos sobre a troca pública de críticas, as divergências envolvendo a Cavalgada de Arapuá e o rompimento político entre os antigos aliados.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno de nenhum dos dois. O espaço permanece aberto para manifestações.

Real Time Big Data

Flávio tem 52% dos votos válidos e Lula, 48%, em empate técnico

Este foi o primeiro levantamento divulgado pelo instituto depois da realização do primeiro turno

20/10/2026 08h33

No levantamento divulgado em 1º de outubro, antes do primeiro turno, Flávio tinha 51% dos votos válidos e Lula, 49%

No levantamento divulgado em 1º de outubro, antes do primeiro turno, Flávio tinha 51% dos votos válidos e Lula, 49%

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 52% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 48%, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira, 20. Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

No levantamento divulgado em 1º de outubro, antes do primeiro turno, Flávio tinha 51% dos votos válidos e Lula, 49%. O cálculo exclui votos brancos, nulos e entrevistados que não sabem ou não responderam.

Considerando os votos totais, Flávio oscilou de 46% para 48%, enquanto Lula permaneceu com 45%. A diferença numérica entre os candidatos passou de um para três pontos porcentuais. Os que pretendem votar em branco ou anular permaneceram em 5%, e os que não sabem ou não responderam passaram de 4% para 2%.

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, Flávio registra 47% e Lula, 44%. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 4% não sabem ou não responderam.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.879.538 votos, correspondentes a 45,16%, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Regiões

Lula aparece numericamente à frente no Nordeste, com 62% dos votos totais, contra 31% de Flávio. O senador registra 53% no Sudeste, ante 40% do presidente; 62% no Sul, contra 28%; 50% no Norte, ante 45%; e 60% no Centro-Oeste, contra 30%.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores por telefone, com entrevistadores humanos, entre 15 e 19 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02952/2026.

FINANCIAMENTO ELEITORAL

Verba pública financia 93% das campanhas de deputados eleitos

Os oito vencedores de MS declararam R$ 14,83 milhões em despesas, com o gasto por voto variando de R$ 8,53 a R$ 49,24

20/10/2026 08h05

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon Foto: Runo Spada/Câmara dos Deputados

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Os partidos políticos sustentaram a maior parte da arrecadação das campanhas dos oito deputados federais eleitos por Mato Grosso do Sul. 

Dos R$ 18,9 milhões em receitas declaradas, aproximadamente R$ 17,58 milhões vieram das legendas, o equivalente a 93% do total, conforme levantamento feito pelo Correio do Estado com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As candidaturas declararam aproximadamente R$ 14,83 milhões em despesas. A arrecadação corresponde aos recursos recebidos pelas campanhas, enquanto as despesas representam os gastos informados à Justiça Eleitoral.

Entre as fontes utilizadas pelas legendas estão o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, e o Fundo Partidário, ambos abastecidos com dinheiro público.

Os partidos também podem transferir recursos privados arrecadados, o que exige identificar a origem dos repasses para determinar quanto veio efetivamente dos cofres públicos.

Para o cientista político Tércio Albuquerque, o peso do financiamento público aumenta a dependência dos candidatos em relação às direções partidárias.

Na avaliação dele, a distribuição dos recursos considera o potencial de eleição dos concorrentes, uma vez que o desempenho nas urnas beneficia também a legenda.

“Como o financiamento primordialmente é público, cria-se uma dependência”, afirmou, avaliando que o controle sobre a distribuição do dinheiro permite às direções partidárias direcionar os recursos conforme seus

interesses eleitorais.
O professor de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Daniel Miranda concorda que essa dependência aumenta, mas destaca que seus efeitos aparecem principalmente durante os mandatos.

De acordo com o docente, a disciplina partidária no Congresso Nacional, caracterizada pelo acompanhamento das orientações dos líderes pelas bancadas, está parcialmente relacionada ao controle dos recursos de campanha.

“Essa disciplina é, parcialmente, fruto de negociações, mas também da capacidade dos diretórios nacionais e regionais de decidirem quanto recurso vai para cada campanha”, explicou.

O deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon

DISTRIBUIÇÃO

Sobre a divisão interna do dinheiro, Tércio destaca as exigências legais de destinação de recursos para cotas. Fora dessas obrigações, afirma que pesam a força política dos candidatos e suas chances de conquistar uma cadeira, favorecendo aqueles que disputam sucessivas reeleições.

“Sempre são destinados em maiores volumes aos candidatos que estão em reeleições reiteradas com maior chance de eleger-se”, avaliou.

Daniel Miranda observa que os partidos têm autonomia para distribuir os recursos e que, mesmo dentro das cotas, há espaço para decidir quanto cada candidatura receberá. Como exemplo, cita a possibilidade de distribuir valores diferentes entre candidatas contempladas pelos recursos destinados às mulheres.

Na avaliação do professor, quem já exerce mandato costuma ter vantagem também pela influência sobre as estruturas responsáveis pelas decisões.

“Mandatários geralmente têm prioridade, não só por terem mandato, mas porque geralmente ocupam ou controlam diretórios, que decidem como o dinheiro vai ser distribuído”, afirmou.

Os dados ainda são parciais e podem ser atualizados. O prazo para apresentação das contas finais dos candidatos que disputaram somente o primeiro turno termina no dia 3 de novembro.

 

Deputados federais

Deputado                       Arrecadado    FEFC    F. Partidário    Privado    % público
Marcos Pollon (PL)           2,50 mi    1,50 mi    1,00 mi             2 mil            100%
Camila Jara (PT)                2,83 mi    2,81 mi       –                   10 mil           100%
Isa Marcondes (Rep.)         1,82 mi    1,72 mi    85 mil              17 mil           99%
Rose Modesto (União)       3,05 mi    1,50 mi    1,49 mi            60 mil           98%
Beto Pereira (Rep.)            1,99 mi    1,71 mi    80 mil             203 mil           90%
Dagoberto Nogueira (PP)  2,98 mi    2,60 mi        –                  378 mil           87%
Mara Caseiro (PL)             1,78 mi    1,50 mi        –                  276 mil           84%
Rodolfo Nogueira (PL)      1,87 mi    1,50 mi        –                  375 mil           80%

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