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URGENTE

Moro deixa ministério: "Presidente me quer fora do cargo"

Ex-ministro diz que troca de diretor-geral da PF foi interferência política
24/04/2020 10:45 - Bruna Aquino


 

Sérgio Moro pediu demissão do cargo  de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (24). Os rumores que Moro poderia deixar o cargo esquentou quando o ex-ministro soube de fato da exoneração do ex- diretor-geral da Polícia Federal (PF) Maurício Valeixo. 

“Pra mim essa é uma sinalização que o presidente me quer fora do cargo, tive outras divergências durante a minha permanência aqui, mas essas divergências ficam para outra ocasião, eu não tinha como aceitar essa decisão, respeito a lei e o Estado de Direito”, disse o ex-ministro. 

Depois do discurso sobre o ministério, Moro agradeceu a permanência no cargo. "Eu agradeço a nomeação do presidente, fui fiel a essa nomeação, vou começar a empacotar as minhas coisas e enviar minha carta de demissão, não tem como eu continuar dessa forma sem autonomia, espero que independente da minha saída, seja feita uma escolha técnica sem escolhas pessoais, a Polícia Federal vai resistir a essa interferência se houver”, disse.

Quando foi nomeado ministro da Justiça Moro teria recebido carta-branca principalmente na Polícia Federal. As informações foram destacadas por Moro durante a coletiva de imprensa. “Final de 2018 recebi o convite, já falei diversas vezes, fui convidado para ser ministro, o que foi conversado com o presidente, é que pedimos um compromisso em combate a corrupção e o crime organizado, foi me prometido carta-branca para nomear todos os assessores desses órgãos, principalmente a Polícia Federal”, disse. 

O ex-ministro esclareceu que não fez condições quando assumiu o cargo, mas que colocou na mesa apenas uma prioridade. “A única condição eu pedi, já que eu estava abandonando a magistratura por 22 anos, pedi apenas que se algo acontecesse, minha família não seria desamparada e teria uma pensão e gostaria de dizer que o presidente concordou com todas as sugestões”, contou.

Moro aproveitou a oportunidade para destacar o trabalho que realizou antes de ministro e destacou os trabalhos contra a criminalidade. “Tivemos número recorde de apreensão de drogas no Paraguai, nossa prioridade por ser fronteira, reforçamos as equipes de segurança e usamos das forças armadas, com isso conseguimos bons resultados na criminalidade, mais de 10 milhões de brasileiros deixaram de ser assassinados”, pontuou.

ASSUNTO ANTIGO
A troca de comando da PF já teria sido cobrada por Bolsonaro desde o ano passado, conforme explicou Moro. “Eu disse que não tinha problema nenhum em trocar o comando da Polícia Federal, mas precisava de uma causa para a substituição e isso não aconteceu, mas eu tinha a carta-branca, mostrando que isso seria uma intervenção política que tira a credibilidade do ministério, isso aconteceu no passado”, contou. 

Moro também explicou que em conversa com Bolsonaro não seria a troca apenas do diretor-geral mas de superintendentes sem consulta dele. 

O ex-ministro disse que conversou com Bolsonaro citando que seria uma intervenção política e ele teria confirmado o atual cenário. “O presidente tem preferência por alguns nomes da indicação dele, já foi ventilado um delegado que passou mais tempo no Congresso do que na ativa da Polícia Federal. O grande problema não é quem colocar, mas, porque trocar, o presidente me disse mais uma vez,  expressamente, que ele queria uma pessoa direta a ele para que trocassem informações, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação", declarou.

Ele também pontuou que o diretor-geral concordou com a exoneração, mas não por livre e espontânea vontade, mas sim devido à pressão que estava sofrendo por parte da presidência.  

BIOGRAFIA

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro se notabilizou por comandar a maior investigação contra a corrupção no Brasil, a Operação Lava Jato. 

A carreira de Moro começou em 1996 após a faculdade. Recém-formado, com 24 anos, foi aprovado no concurso para juiz e seu destino foi a sede da Justiça Federal na cidade de Curitiba. Na vara previdenciária, chegou a ser conhecido como o “juiz dos velhinhos”, por sua tendência a julgar a favor deles e contra o INSS.

Sérgio Moro teve uma passagem rápida por Curitiba, mas já era considerado ser um juiz de “linha dura”. Em 1998, ele foi transferido para Cascavel e lá sua fama de juiz prosseguiu com o julgamento de diversos casos.

Ainda em 1998, Sérgio Moro foi selecionado em um concurso da Associação dos Juízes Federais do Brasil para fazer um curso de questões constitucionais - o Programa de Instrução para Advogados da Harvard Law School, nos Estados Unidos.

INVESTIGAÇÕES

Em 12 de junho de 2003, Sérgio Moro assumiu a Primeira Vara especializada em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, em Curitiba. A criação da vara respondia a uma demanda crescente, sobretudo no Paraná, de processos de lavagem de dinheiro, entre eles o caso das contas CC5, que analisava remessas ilícitas de dinheiro para o exterior, que foi a sua primeira grande experiência com o crime de colarinho branco.

Em 2007, depois de passar em segundo lugar no concurso para professor do Departamento de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná, o professor passou a dar aulas de Direito Processual Penal, duas vezes por semana, da disciplina que é obrigatória para o último ano do curso de Direito.

A FAMOSA LAVA JATO 

Sérgio Moro, juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, chegou ao momento de maior destaque em sua carreira quando no dia 11 de julho de 2013, autorizou a escuta telefônica de um doleiro. Era o início de uma sucessão de denúncias e delações que levou o juiz a desbaratar o maior esquema de corrupção da história do Brasil, a Operação Lava Jato.

Em Curitiba, o juiz Sérgio Moro conduz os processos da operação Lava Jato, o mais abrangente e eficaz processo da justiça contra a corrupção no país. A Operação levou à prisão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de corrupção passiva e branqueamento de capitais.

Em abril de 2016, Sérgio Moro foi eleito “uma das cem personalidades mais influentes do mundo” pela revista americana Time, onde aparece na mesma categoria de líderes internacionais. “Essa seleção honra muito a magistratura brasileira”, disse ele à imprensa em jantar de gala em Nova Iorque, ao qual compareceu com a esposa a advogada Rosângela Wolff Moro.

MINISTRO DA JUSTIÇA 

Apesar de em diversas entrevistas afirmar categoricamente que não se envolveria em política, Sérgio Moro foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar o cargo de Ministro da Justiça com total carta-branca após a operação Lava Jato.

Moro aceitou o convite em novembro de 2018 e tomou posse como Ministro da Justiça no dia 1º de janeiro de 2019 onde ficou por 1 ano, 3 meses e 24 dias. 



*Com informações da Ebiografia

 

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!