Política

PROJETO POLÊMICO

No PSDB de MS, anistia que pode alcançar Bolsonaro "perde" por 2 a 1

Governador Eduardo Riedel se manifestou favorável à anistia neste sábado (5), mas em seu partido, maioria dos deputados que podem votar o projeto é contra

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O Projeto de Lei que perdoa os condenados pelos atos de depredação e vandalismo nos prédios do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que é polêmico e divide opiniões dentro dos partidos. Dentro do PSDB em Mato Grosso do Sul, cujo governador Eduardo Riedel anunciou neste sábado adesão ao projeto que anistia os condenados pelo 8 de janeiro, e também a pessoas envolvidas na organização ou apoio às manifestações desde outubro de 2022, também há disputa. 

Dos três deputados tucanos de Mato Grosso do Sul, o placar é de 2 a 1 contra o projeto que anistia os envolvidos na tentativa de golpe de Estado, cuja redação abre brecha para livrar Jair Bolsonaro das acusações que recebeu recentemente. 

Levantamento do jornal O Estado de São Paulo, chamado “Placar da Anistia”, indica que Beto Pereira, que concorreu à prefeitura de Campo Grande no ano passado, e que teve apoio de Jair Bolsonaro (PL) é o único deputado federal tucano de Mato Grosso do Sul que apoia o projeto do deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ). 

Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende manifestaram-se contra o projeto no Placar da Anistia. Ambos têm formação em partidos de esquerda. Dagoberto foi por longo período do PDT, já Geraldo Resende, integrou o PPS, que hoje transformou-se no Cidadania. 

Na bancada federal, também há equilíbrio: Dagoberto, Geraldo Resende, Valder Loubet (PT) e Camila Jara (PT) são contra. Já Beto Pereira, Marcos Pollon (PL), Rodolfo Nogueira (PL) e Luiz Ovando (PP) são favoráveis. O placar é 4 a 4. 

A adesão de Riedel

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), na véspera da manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela anistia aos envolvidos na depredação e invasão da sede dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023, decidiu apoiar o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional.

Para se manifestar favorável ao projeto, Eduardo Riedel publicou nas redes sociais uma foto ao lado de líderes de outros partidos, como a senadora Tereza Cristina (PP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

O Correio do Estado apurou que, ao longo da semana, Jair Bolsonaro atuou fortemente para ampliar a adesão de governadores, sobretudo em meio aos preparativos da manifestação da Avenida Paulista deste domingo, na qual Tarcísio de Freitas é anfitrião. Telefonemas de Tarcísio de Freitas e Tereza Cristina foram fundamentais para fazer Riedel, que tem integrantes do PT em seu governo, e em seu partido deputados federais que não concordam com o projeto da anistia, a se manifestar. 

Eduardo Riedel fala em questão “humanitária” e em rever a “dosimetria das penas”. Mas o projeto vai muito além e perdoa todos os envolvidos. “Não dá para errar de novo e no mesmo lugar: tentar reparar excessos cometidos naquele momento com excessos no atual momento.”

Com esse posicionamento, Riedel reconsidera a condenação feita por ele próprio aos atos de vandalismo e depredação do patrimônio, que classificou como “inaceitáveis” à época. 

O projeto 

Um relatório do Supremo Tribunal Federal (STF) de janeiro deste ano apontou que 371 pessoas haviam sido condenadas por crimes relacionados ao 8 de janeiro de 2023. Outras 527 teriam admitido a prática de crimes relacionados e feito acordos com o Ministério Público Federal (MPF) para não serem processadas.

O texto do projeto de Sóstenes Cavalcanti prevê a anistia para pessoas direta ou indiretamente envolvidas no 8 de janeiro e até mesmo por atos anteriores.

Isso, em tese, beneficiaria Bolsonaro, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o suposto líder de uma organização que teria tentado dar um golpe de Estado que teria culminado com o 8 de janeiro.

Bolsonaro é réu crimes como de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Parecer

STJ decide que planos de saúde não podem limitar sessões de tratamento de pacientes autistas

De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal

12/03/2026 14h00

Foto: Arquivo

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A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade na quarta-feira, 11, que planos de saúde não podem limitar o número de sessões para tratamento de pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).

A tese confirmada pelo STJ afirma que é abusiva a limitação de sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional prescritas a esses pacientes. De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal.

"Segundo a jurisprudência do STJ, é abusiva a limitação do número de sessões de terapia multidisciplinar aos beneficiários com diagnóstico de transtorno do espectro autista", disse ele.

O caso foi levado ao STJ para questionar uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que limitou a 18 sessões anuais o tratamento de um paciente com autismo.

Ressalva sobre fraudes

Durante a análise do caso, os ministros divergiram em relação à necessidade de citar na ementa, que resume a decisão, uma ressalva quanto à ocorrência de fraudes na prescrição de tratamentos.

A sugestão de incluir esse ponto foi feita pelo ministro Raul Araújo, que destacou que o tema tem preocupado planos de saúde.

A ministra Daniela Teixeira, por sua vez, argumentou que a inclusão da ressalva no resumo da decisão poderia ser usada pelas operadoras para questionar sistematicamente a prescrição de tratamentos, prejudicando os pacientes.

A ministra defendeu que a corte tem de presumir a boa fé dos usuários e que, caso haja alguma fraude, o tema deve ser tratado na esfera criminal. "Vai caber ao plano de saúde comprovar que é uma fraude e não ao usuário", disse.

Por fim, a ementa original, sem a ressalva sobre fraudes, foi aprovada por 5 votos a 3.

Acesso ao cuidado

Famílias de pacientes autistas relatam com frequência batalhas judiciais com planos de saúde em busca de tratamento adequado. Reclamações relacionadas à falha na assistência cresceram significativamente nos últimos anos.

Em 2022, uma lei aprovada no Congresso definiu que os planos de saúde devem oferecer tratamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde que haja comprovação científica

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou os requisitos para autorizar tratamentos fora do rol, como prescrição por médico ou dentista e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reação à decisão do STJ

As principais entidades representativas de operadoras de planos de saúde divulgaram nota sobre a decisão do STJ.

A FenaSaúde destacou que respeita a decisão do tribunal e que não defende a limitação de tratamento, "mas sim o combate a práticas excessivas ou irregulares, bem como a estrita observância de protocolos fundamentados na medicina baseada em evidências".

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirmou que aguarda a publicação do acórdão para analisar os parâmetros determinados pela Justiça.

"A entidade reforça que a análise detalhada do conteúdo será fundamental para avaliar os critérios definidos pelo STJ, bem como seus desdobramentos para a aplicação das regras de cobertura no âmbito da saúde suplementar", diz a nota.
 

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BRASIL

Simone Tebet confirma disputa ao Senado por São Paulo

Ministra afirmou que aceitou convite do presidente Lula após conversas políticas e decisão familiar

12/03/2026 10h58

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão Marcelo Victor

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, confirmou nesta quinta-feira (12) que pretende disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa concedida no XCVI Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento (Conseplan), realizado no Bioparque Pantanal.

Durante a conversa, a ministra afirmou que a decisão foi tomada após uma série de articulações políticas e conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo Tebet, o convite para que disputasse o Senado pelo maior colégio eleitoral do país surgiu no início do ano.

“Essas conversas foram caminhando e, no dia 27 de janeiro, em uma viagem ao Panamá com o presidente Lula, discutimos política no Brasil…Na semana passada, em um encontro mais reservado em São Paulo, ele pediu claramente que eu pudesse ser candidata ao Senado por São Paulo”, relatou.

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão. Segundo ela, o diálogo ocorreu na quarta-feira (11), quando recebeu o apoio da família para seguir com o projeto político.

“Depois de explicar a situação para minha mãe, ontem eu decidi cumprir a missão. Política é missão. Vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que considero muito importante para o Brasil”, afirmou.

Tebet também destacou a relação que mantém com São Paulo. De acordo com a ministra, foi no estado onde obteve a maior votação quando disputou a Presidência da República em 2022, além de possuir vínculos familiares e acadêmicos com a região.

“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde eu fiz meu mestrado, é onde eu tive uma projeção política, é onde eu vou sempre visitar as minhas filhas, tenho uma relação muito próxima de São Paulo, meu pai e meu marido são nascidos lá, meus avós vieram do Líbano e começaram a sua vida no interior de São Paulo também”.

Apesar da futura candidatura em São Paulo, a ministra ressaltou sua ligação com Mato Grosso do Sul, onde iniciou a trajetória política. Natural de Três Lagoas, ela lembrou que o estado foi responsável por projetar sua carreira em nível nacional.

“Mato Grosso do Sul me deu o privilégio de ser a primeira mulher prefeita da minha cidade, reeleita, deputada estadual, vice-governadora e senadora. É o estado que me levou ao cenário nacional”, disse.

Segundo Tebet, a definição sobre filiação partidária e outros detalhes da candidatura ainda devem ser discutidos nas próximas semanas, dentro do prazo da chamada janela partidária. Ela afirmou que a ida para São Paulo ocorrerá com apoio político de Alckmin.

“Agora começa uma nova etapa. Temos uma janela temos pelo menos até o dia 2 de abril, para tomar todas as outras decisões”, concluiu.

Já nos bastidores, a movimentação política indica que Tebet pode deixar o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para se filiar ao Partido Social Democrático (PSB). A possível mudança ocorre porque, em São Paulo, o MDB não deve integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. 

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