Política

condenado

Nome de Jamilson vai aparecer nas urnas, mas votos não serão computados

Ministro do TSE indeferiu a candidatura do deputado do PP, mas ainda cabe recurso. Se a decisão for revertida, seus votos serão contabilizados para ele e a federação

Continue lendo...

Apesar da decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do Tribunal Superior Eleitoral, de indeferir a candidatura à reeleição do deputado estadual Jamilson Name (PP), o nome dele vai aparecer nas urnas neste domingo (4). Seus votos, porémm não serão computados nem divulgados pela Justiça Eleitoral, pelo menos por enquanto.

Segundo o advogado André Borges, que já foi juiz eleitoral, no caso de “registro indeferido por decisão monocrática, ainda recorrível: os votos ficam anulados sub judice. Se a decisão for revertida e o registro deferido, os votos passam a valer normalmente. Se o indeferimento for mantido, os votos são anulados definitivamente e não aproveitam à legenda/federação”. Ele faz parte da federação PP/União Brasil.

Se o candidato chegasse ao dia da eleição “com o registro deferido, eventual indeferimento posterior não retira os votos da legenda. Se chega com o registro indeferido, ainda que apenas por decisão monocrática recorrível, a manutenção posterior do indeferimento faz com que os votos sejam anulados também para a legenda”, explica o advogado.

Alexandre Ávalo, advogado que defende o deputado, já deixou claro que vai recorrer ao plenário do TSE contra a decisão monocrática do ministro Sebastião Reis Júnior. “Temos jurisprudência favorável a nosso favor, inclusive", afirmou nesta sexta-feira (2) logo após vir a público o indeferimento da candidatura.

Jamilson Name foi eleito pela primeira vez em 2018 e está concluíndo seu segundo mandato consecutivo de deputado estadual. Inicialmente foi eleito pelo PDT e na sequência, pelo PSDB. Na primeira disputa obteve 33.870 votos, ficando em terceiro lugar entre os mais bem colocados. Quatro anos depois, obteve 43.435 votos, o que lhe garantiu a quarta colocação. 

Nas duas eleições anteriores, Jamilson não contava com a rivalidade do tio, Jerson Domingos, que agora está dividindo os votos da família Name. Jerson Domingos se aposentou do cargo de conselheiro e está tentando voltar à Assembleia Legislativa, onde cumpriu cinco mandatos consecutivos, entre 1995 e 2015.

O ministro do TSE atendeu a pedido da Procuradoria-Regional Eleitoral e reverteu decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) que havia autorizado o registro da candidatua. 

Ele acatou argumento de que Jamilson tem envolvimento com o grupo criminoso investigado na Operação Omertà, na qual o deputado foi condenado em primeiro grau a oito anos de reclusão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com o reconhecimento expresso de que exercia “função de comando ou liderança” na estrutura delitiva.

A representação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que se baseou em decisões judiciais da Justiça Estadual, indicam que após a prisão das lideranças originárias do grupo, seu pai, Jamil Name (que morreu em 27 de junho de 2021 no presídio federal de Mossoró, RN), e seu irmão, Jamil Name Filho, o parlamentar assumiu “posição de maior proeminência no núcleo responsável pela exploração do jogo do bicho”. 

A partir desse momento, segundo a representação, o deputado passou a chefiar o segmento encarregado da geração de receitas ilícitas, gestão de caixa e dissimulação patrimonial, garantindo a estabilidade e a continuidade econômica do grupo.

Para viabilizar a reciclagem dos valores obtidos ilegalmente, o candidato empregou de forma sistemática a estrutura da empresa Pantanal Cap, da qual era gestor. Segundo os apontamentos da sentença criminal reproduzidos no julgamento, foram identificados a “disponibilização da estrutura física, comercial e administrativa da Pantanal Cap”, a “utilização das dependências empresariais como local de encontros relacionados à operacionalização da atividade ilícita” e a “ingerência sobre pessoal técnico para implementação de sistemas destinados ao jogo”. 

O parecer ministerial acolhido na decisão ressalta também a “utilização da estrutura de empresa da qual era gestor para mesclar recursos lícitos e ilícitos, operacionalizar a exploração de jogos de azar e promover a lavagem de dinheiro”.

Ao dar provimento ao recurso, o ministro Sebastião Reis Júnior divergiu do entendimento do TRE-MS, que havia aprovado o registro da candidatura pelo placar de 5 a 1, sob a tese de que a condenação dizia respeito exclusivamente ao núcleo econômico, sem prova do uso direto de armas de fogo por parte de Jamilson.

O relator enfatizou que, “em estruturas complexas, a divisão de tarefas constitui justamente característica de sua organização”, de modo que “o agente responsável por proporcionar sustentação econômica, lavagem de capitais, infraestrutura empresarial e continuidade operacional pode desempenhar papel tão estruturalmente relevante quanto aquele encarregado de outras atividades”.

O ministro observou ainda que restringir o impedimento apenas aos casos com uso de aparato militar “implicaria ignorar as afrontas às estruturas democráticas nacionais praticadas sem o auxílio de aparato bélico”.

Ele concluiu que a proibição constitucional alcança “todo e qualquer grupo criminoso organizado” com a finalidade de “proteger a integridade do sistema eleitoral e partidário, impedindo que organizações criminosas participem do processo eleitoral e se infiltrem nas estruturas de poder do Estado”.
 

(Colaborou Welison Lucas)

Eleições

Mais de 2 milhões vão às urnas neste domingo em Mato Grosso do Sul

Eleitores do Estado decidirão 24 deputados estaduais, 8 deputados federais, dois senadores, governador e presidente

03/10/2026 09h00

Presidentes das seções tinham até sexta-feira para retirar as urnas

Presidentes das seções tinham até sexta-feira para retirar as urnas Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

O primeiro turno das eleições deste ano acontece neste domingo e mais de 2 milhões de sul-mato-grossenses vão às urnas decidir os novos deputados estaduais, deputados federais, senadores e governador que vão representar Mato Grosso do Sul pelos próximos quatro anos, além de votar no presidente da República.

Em Mato Grosso do Sul, as seções eleitorais funcionarão das 7h às 16h. Quem estiver na fila da seção no momento do encerramento terá o direito de votar assegurado. O eleitor deve organizar o deslocamento para chegar antes das 16h.

O voto é obrigatório para eleitores alfabetizados, com idade entre 18 anos e 70 anos, enquanto é facultativo para maiores de 16 anos e menores de 18 anos, maiores de 70 anos e analfabetos. O cidadão não poderá votar se estiver com sua inscrição eleitoral cancelada ou suspensa.

Serão seis votos e a sequência começará por deputado federal, seguirá para deputado estadual, primeiro senador, segundo senador, governador e terminará com a escolha para presidente da República.

A escolha de dois candidatos diferentes para o Senado será um dos pontos que exigirão mais atenção dos eleitores no domingo de eleições gerais. Se o eleitor repetir o mesmo candidato nas duas etapas destinadas ao cargo, o segundo voto será considerado nulo, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por isso, para ajudar a não esquecer o número do candidato no momento da votação, é recomendável que o eleitor leve sua colinha em papel, visto que também não é permitido entrar na cabine de votação com celular ou qualquer outro aparelho tecnológico, como câmeras, filmadoras, relógios inteligentes e outros equipamentos capazes de registrar o voto.

Considerando os que vão concorrer a vice-governador, Mato Grosso do Sul tem 425 nomes que vão disputar algum cargo nestas eleições, sendo 253 para deputado estadual, 124 para deputado federal, 10 para senador, 8 para vice-governador e 8 para governador. Além disso, outros 13 candidatos poderão ser escolhidos para presidente da República.

Serão eleitos 24 deputados estaduais, 8 deputados federais, 2 senadores e, obviamente, o governador e o presidente. Para que o governo do Estado e a Presidência sejam resolvidos no primeiro turno, é preciso que o candidato tenha 50% mais 1 voto dos votos válidos, porcentual que não considera os votos brancos, nulos e as abstenções.

Presidentes das seções tinham até sexta-feira para retirar as urnas

ELEIÇÃO EM NÚMEROS

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o eleitorado em MS soma 2.024.884 pessoas aptas a votar espalhadas pelos 79 municípios do Estado. Campo Grande é o responsável pela maior parte desse eleitorado, com 640.427 pessoas, o que corresponde a 31,6% do total de eleitores, seguido por Dourados (8,2%) e Três Lagoas (4,3%).

As mulheres são maioria, representando 52,8% (1.069.380) do eleitorado sul-mato-grossense, contra 47,2% (955.504) de homens. Por faixa etária, os adultos de 35 anos a 44 anos lideram a proporção, com 19,8% (401.457). Mesmo que não sejam obrigadas, as pessoas com 70 anos ou mais representam quase 10% do eleitorado, com 202.096 aptos.

Com 8.415 eleitores, a Escola Padre Thomaz Ghirardelli, localizada no Dom Antônio Barbosa, concentra o maior número de votantes em Campo Grande. A escola está localizada na 53ª zona eleitoral, que contempla 26 seções.

Os demais locais com maior número de votantes no Estado são o Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), com 7.893 eleitores, além da Escola Estadual Teotônio Vilela, situada no Núcleo Habitacional Teotônio Vilela, com 7.885 eleitores.

A Capital conta com 2.242 urnas eletrônicas, uma para cada seção eleitoral. Em todo o Estado, são 7.106 urnas. A Justiça Eleitoral conta com 908 urnas de contingência, ou seja, equipamentos de reserva, disponíveis para eventuais substituições durante a votação.

Quanto às pessoas envolvidas nestas eleições, serão 27.960 mesários, cerca de 1.800 servidores da Justiça Eleitoral e 3.500 agentes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar, do Comando Militar do Oeste (CMO), da Polícia Civil e da Guarda Municipal, que serão coordenados pelo Centro Integrado de Comando e Controle (Cicc).

ATENÇÃO

A preparação do eleitor para ir votar tem que começar antes de sair de casa, com a conferência do local de votação. O endereço e a seção eleitoral podem ser consultados pelo aplicativo e-Título ou pelo portal do TSE. A verificação antecipada ajuda a evitar que o eleitor se dirija ao lugar errado.

Também é necessário separar um documento oficial com foto. São aceitos carteira de identidade (RG), Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passaporte, carteira de trabalho física, certificado de reservista e carteira de categoria profissional reconhecida por lei. Não é obrigatório apresentar o título eleitoral impresso, desde que a identidade seja comprovada.

Quem pretende utilizar o e-Título como identificação deverá conferir se o aplicativo apresenta sua fotografia. Caso esteja sem foto, será preciso mostrar outro documento oficial com a imagem. Certidões de nascimento e de casamento não são aceitas como prova de identidade para votar.

Ao chegar à seção, o eleitor deverá apresentar o documento aos mesários e seguir os procedimentos de identificação. Quem tem biometria cadastrada passará pela conferência das impressões digitais. Se o reconhecimento não funcionar, a equipe fará a verificação dos dados conforme os procedimentos da Justiça Eleitoral.

A ausência de cadastro biométrico, por si só, não impede o voto. Segundo o TSE, quem estiver com o título regular poderá votar mediante a apresentação de documento oficial com foto.

Antes de seguir para a cabine, o eleitor deverá deixar o celular no local indicado pelos mesários, mesmo que tenha utilizado o aparelho para apresentar o e-Título. (Colaborou Daniel Pedra).

Entrevista

"A segurança do sistema eletrônico de votação envolve diversas etapas"

O desembargador detalha o esquema de fiscalização e segurança para o dia da eleição, orienta os eleitores sobre denúncias e crimes eleitorais e explica a auditoria das urnas

03/10/2026 08h40

Carlos Eduardo Contar - Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS)

Carlos Eduardo Contar - Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) Foto: Divulgação

Continue Lendo...

No comando do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o presidente acompanha os preparativos para garantir a segurança da votação e a liberdade de escolha dos eleitores, com fiscalização em todo o Estado.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, ele falou sobre o combate à compra de votos e à boca de urna, a atuação das forças de segurança, os canais de denúncia, as regras para manifestações políticas e os procedimentos de auditoria das urnas eletrônicas.

Qual é a principal preocupação da presidência do TRE-MS para o dia da eleição?

A principal preocupação é garantir que o eleitor possa exercer seu direito ao voto de forma livre, segura e tranquila, sem nenhum tipo de pressão ou interferência indevida.

A Justiça Eleitoral está mobilizada para prevenir e fiscalizar situações que possam comprometer a liberdade do voto, como boca de urna, captação ilícita de sufrágio, propaganda irregular e outras condutas vedadas pela legislação. Igualmente, é fundamental que o eleitor saiba que a fiscalização estará presente em todo o Estado e que as denúncias podem ser encaminhadas pelos canais oficiais, permitindo que as autoridades competentes adotem as providências necessárias.

Como será organizado o esquema de fiscalização no Estado para combater boca de urna, distribuição de santinhos e abordagem irregular de eleitores?

A fiscalização será realizada pelos juízos eleitorais responsáveis pelo exercício do poder de polícia em suas respectivas áreas de atuação. A estrutura foi definida pelo TRE-MS para permitir o acompanhamento das situações que possam configurar irregularidades eleitorais.

Foi realizada reunião tanto no Tribunal Eleitoral como nas zonas eleitorais com as Polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Rodoviária Estadual, a Guarda Municipal e o Exército; ficou deliberado que cada local de votação terá, no mínimo, dois agentes de segurança durante todo o tempo, além das viaturas que estarão circulando pelas localidades.

Cada um dos municípios do Estado terá também a presença de, no mínimo, um juiz e um promotor de Justiça auxiliando na fiscalização.

Compra de votos costuma ser uma das denúncias mais graves durante o período eleitoral. Como o eleitor deve agir caso presencie esse fato?

O eleitor não deve aceitar nem participar desse tipo de situação. Deve comunicar o fato às autoridades competentes e, sempre que possível, preservar elementos que possam contribuir para a apuração, como fotos, vídeos, áudios, mensagens, links, horário e local da ocorrência.

A legislação considera ilícita a oferta, promessa, doação ou entrega de vantagem pessoal ao eleitor com a finalidade de obter seu voto. É importante destacar que, para a caracterização da captação ilícita de sufrágio, não é necessária a efetiva aceitação da vantagem pelo eleitor.

Como a estrutura do TRE-MS funcionará na prática neste domingo?

Utilizando o poder de regulamentação que lhe é próprio, o TRE editou a Resolução nº 881/2026, pela qual descentralizou a fiscalização, atribuindo aos juízos eleitorais competências específicas para o exercício do poder de polícia.

A estrutura permite que as situações sejam acompanhadas diretamente em cada uma das zonas eleitorais. Em Campo Grande, a fiscalização da propaganda é coordenada pela 54ª Zona Eleitoral. Também foram designadas zonas eleitorais para coordenar as ações em Corumbá, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã.

As zonas responsáveis acompanham os atos de campanha, recebem denúncias e podem adotar as providências cabíveis diante de eventuais irregularidades, e também são auxiliadas pelas demais zonas eleitorais.

Haverá alguma estrutura especial de plantão para analisar denúncias de propaganda irregular ou desinformação?

A Justiça Eleitoral dispõe de canais específicos para receber essas comunicações. O aplicativo Pardal é destinado às denúncias de propaganda eleitoral irregular, enquanto o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade) recebe alertas sobre conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto que possam afetar a integridade das eleições.

O Siade possui uma equipe do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] responsável por analisar os alertas e, quando necessário, encaminhá-los às plataformas digitais ou aos órgãos competentes.

No caso de propaganda eleitoral irregular, as denúncias seguem o fluxo previsto pela Justiça Eleitoral e podem ser encaminhadas aos juízos responsáveis pelo exercício do poder de polícia. As regras para o uso de inteligência artificial [IA] também estão previstas na regulamentação eleitoral.

Conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA devem observar regras de identificação e existem restrições específicas para conteúdos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatas, candidatos ou pessoas públicas próximos ao período da votação.

Além do exposto, todos os membros do Tribunal Eleitoral estão de plantão permanente no fim de semana das eleições para atenderem a qualquer reclamação e demanda trazida pelos eleitores e pelos candidatos.

Quais são as consequências para o eleitor que tentar entrar na cabine de votação com celular, relógio inteligente, câmera ou outro equipamento eletrônico?

Lembremos: é proibido portar, na cabine de votação, celular, máquina fotográfica, filmadora, equipamento de radiocomunicação ou qualquer instrumento que possa comprometer o sigilo do voto, mesmo que esteja desligado. Antes de entrar na cabine, esses aparelhos devem ser desligados e depositados em local próprio, à vista da mesa receptora.

Depois de votar, o eleitor recupera seus pertences. Se houver recusa em entregar o aparelho, o eleitor não será autorizado a votar naquele momento. O presidente da mesa deverá registrar a ocorrência em ata e, se necessário, acionar a força policial, sem prejuízo da comunicação ao juiz eleitoral.

Caso o eleitor tente “enganar” os mesários e leve algum destes aparelhos para a frente da urna, o ato é considerado crime de violação do sigilo do voto, previsto no art. 312 do Código Eleitoral, com pena de até dois anos.

Mas o eleitor pode levar – e é recomendável que leve – uma “colinha” com o número dos seus candidatos para não se confundir. Serão seis votos, o que representa um grande número para se decorar. Melhor prevenir.

Quais manifestações políticas individuais são permitidas ao eleitor no dia da votação?

A manifestação individual e silenciosa é permitida no dia da eleição. Pode o eleitor ir com a camiseta de seu partido, federação ou coligação, desde que não se agrupe com outros eleitores. Contudo, esta pessoa não pode querer influenciar outros eleitores.

Não são permitidas a arregimentação de eleitores, a abordagem para convencimento, as manifestações coletivas e a boca de urna.

A diferença, portanto, é que a manifestação individual e silenciosa expressa a preferência do próprio eleitor, enquanto a abordagem de terceiros ou a atuação coletiva invade a privacidade e a livre escolha de outros.

Como será a atuação conjunta do TRE-MS, Ministério Público Eleitoral e forças de segurança diante de flagrantes de crimes eleitorais neste domingo?

A atuação ocorre de forma integrada, respeitando as atribuições legais de cada instituição. A Justiça Eleitoral atua na organização, fiscalização e condução do processo eleitoral; o Ministério Público Eleitoral exerce suas atribuições na defesa da ordem jurídica e também na fiscalização; e as forças de segurança atuam na prevenção, manutenção da ordem e apuração de eventuais crimes.

Fora isso, há que se destacar que, assim como foi feito em outras eleições, estão previstos grupos que farão vistorias nos locais de votação antes do início do pleito, para coletar dados de candidatos que possam ter sujado as ruas com santinhos. Serão feitas diligências e lavradas atas e, posteriormente, os responsáveis poderão ser multados. E, no dia da eleição, a prisão em flagrante continua sendo possível normalmente.

Assim, quem for surpreendido praticando crime eleitoral, como boca de urna, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, transporte de eleitor, destruição de urna ou qualquer outro delito, poderá ser conduzido à autoridade policial.

Quais garantias de segurança e auditoria das urnas eletrônicas o TRE-MS oferece aos eleitores?

A segurança do sistema eletrônico de votação envolve diversas etapas de fiscalização e auditoria, realizadas antes, durante e depois da votação e, em todas elas, são convidados os partidos políticos, a sociedade civil e a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] para análise. Testes de segurança já estão sendo feitos desde o início do ano.

Especificamente para o dia da eleição, os Tribunais Regionais Eleitorais realizam, por amostragem, o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, além da verificação da autenticidade e integridade dos sistemas instalados nas urnas escolhidas ou sorteadas.

Como é feito? No sábado, são sorteadas urnas que já estão prontas para a votação, de forma aleatória em todo o Estado, e também se permite que a sociedade civil escolha outras. Sorteadas ou escolhidas, estas urnas que estavam prontas são trazidas ao TRE-MS, na presença de todos, e são preparadas outras novas para o dia e local da votação.

No dia da eleição, os fiscais, os partidos e a sociedade civil ficam fazendo testes nas urnas sorteadas para ver se alguma delas apresenta qualquer tipo de problema. Além disso, os trabalhos de auditoria são públicos e podem ser acompanhados por quem quiser.

No âmbito do TRE-MS, a Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica, responsável pelos procedimentos de auditoria previstos para as Eleições 2026, foi constituída pela Resolução TRE-MS nº 886/2026.

{ PERFIL } 

Carlos Contar

Iniciou a carreira como auxiliar e técnico judiciário. Ingressou no Ministério Público em 1986, como promotor de Justiça, e tornou-se procurador em 2001. Em 2007, assumiu como desembargador do TJMS pelo quinto constitucional.

Foi corregedor-geral, vice-presidente e presidente do Tribunal de Justiça no biênio 2021/2022. No TRE-MS, exerceu a vice-presidência e a Corregedoria Regional Eleitoral antes de assumir a presidência, com mandato até fevereiro de 2027. Também presidiu o Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel) no biênio 2025/2026.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).