O deputado estadual Pedro Kemp (PT), solicitou ao governo do estado a criação de um laboratório para análise da qualidade da água em Mato Grosso do Sul. O parlamentar apontou pesquisas que indicam que a água consumida pelo sul-mato-grossense pode ter presença de agrotóxico.
"Agora queremos que o governo do estado responda oficialmente para a Assembleia Legislativa se vai implantar um laboratório público para fazer análise da água que é consumida pela população", frisou Kemp.
Durante a sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), Kemp demonstrou preocupação com a qualidade da água que a população sul-mato-grossense está consumindo, por estudos indicarem a presença de agrotóxicos sendo substâncias cancerígenas.
A fala de Kemp ocorreu após a casa receber representantes do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, na terça-feira (04).
O parlamentar ainda apresentou um requerimento ao secretário de estado de saúde, Maurício Simões Corrêa, solicitando informações com ações efetivas da pasta para supervisionar a qualidade da água no estado.
"Algumas pesquisas já deram conta de que há uma presença significativa de agrotóxicos na água que a população do nosso estado está consumindo", alertou Kemp.
Segundo Kemp, inclusive em rios de Campo Grande foram identificados indícios de agrotóxicos na água. E chegou a mencionar que em Dourados existe uma pesquisa conduzida por uma universidade e a Embrapa que indicam a contaminação das águas do rio Dourado, responsável pelo abastecimento do município.
"E também alguns rios que estão nas aldeias indígenas e aquela água está contaminada por agrotóxicos", frisou Kemp.
Ainda, durante sua colocação, destacou a importância de que o estado possua um laboratório para realizar o levantamento da água em Mato Grosso do Sul. "Não temos no estado um laboratório publico que faça a análise da água".
Monitoramento
A pesquisa realizada pela Embrapa, Monitoramento dos Resídios de Agrotóxicos, que analisou o rio Dourado em 2022, e foi conduzida pelo pesquisador Rômulo Penna Scorza Júnior, foi capaz de realizar um diagnóstico que apontou o nível de exposição aos agrotóxicos comumente utilizados nos sistemas de produção agropecuários nas proximidades da bacia hidrográfica.
Foram colhidas um total de 90 amostras de águas em três locais do Rio Dourado, estabelecidos em intervalos quinzenais ou mensais. A pesquisa encontrou 33 diferentes agrotóxicos na água.
"Observou-se a ocorrência de 33 diferentes agrotóxicos e/ou seus produtos de degradação, de forma individual ou em associação com outros, em pelo menos uma amostra analisada em 2022. Esses 33 compostos podem ser separados quanto a sua classificação: 16 herbicidas, 7 inseticidas, 3 fungicidas e 7 produtos de degradação".

Presença de substâncias na água
- Houve um pequeno aumento do número total de agrotóxicos detectados em 2022
- Os agrotóxicos e/ou produtos de degradação atrazina, DEA, 2-hidroxiatrazina, clorantraniliprole, epoxiconazole e tebuconazole ainda foram frequentes nas amostras de
- 2022.
- Os herbicidas bentazona, clomazona e imazetapir, bem como o inseticida fipronil, tornaramse frequentes em 2022 e não eram em 2021.
- O agrotóxico que apresentou a maior concentração individual em amostras de 2022 foi a
- atrazina e, em 2021, foi a bentazona.
- Observou-se, nas amostras de 2022, diminuição da ocorrência do produto de degradação da
- atrazina, o 2-hidroxiatrazina.
- Observou-se aumento da ocorrência dos agrotóxicos bentazona, clomazona, fipronil e
- imazetapir nas amostras de 2022.
- Foram detectados os agrotóxicos e/ou produtos de degradação em 2022 (frequência ≥ 5%) e que não ocorreram em 2021: fipronil dessulfenil, mesotriona, metsulfurom-metílico, sulfentrazona e triclopir (que foi incorporado ao programa de monitoramento apenas em
- 2022).
- Não foram detectados os agrotóxicos carbendazim e tiodicarbe em 2022, enquanto estes
- foram detectados em 2021 com frequências ≥ a 5%.
Outro lado
Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), informou que análises da água do Rio Santo Antônio, são realizadas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).
Leia a nota na íntegra:
Atualmente o monitoramento da qualidade da água ocorre normalmente. Os municípios coletam as amostras e enviam para o Lacen/MS para análise de parâmetros básicos. Enquanto as coletas de amostras para análises de resíduos de agrotóxicos na água ocorrem da mesma forma, porém são consolidadas no
Lacen/MS e enviadas para a Fiocruz/RJ. As análises contemplam parâmetros exigidos em legislação vigente.A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, por meio da coordenaria de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica, desenvolve ações através da gerência de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano – VIGIAGUA, que abrange o monitoramento mensal dos 79 municípios do Estado, a fim de garantir a qualidade da água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido na legislação vigente, a Portaria Nº 888, de 04 demaio de 2021, que altera o anexo XX da Portaria de consolidação GM/MS nº 5,
de 28 de setembro de 2017. Neste sentido, o programa VIGIAGUA, que é estruturado a partir dos princípios
do SUS (Sistema Único de Saúde), realiza no estado:
- Análises semanais de qualidade da água dos 79 municípios, de acordo com o Plano de Amostragem para parâmetros básicos (Cloro, Coliformes Totais, Escherichia coli, Turbidez e Flúor) pelo Laboratório Central de Saúde Pública – Lacen/MS;
- Prestadoras de abastecimento de água: Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul - SANESUL (atuação em 68 municípios e respectivos distritos) - Águas Guariroba (atuação em Campo Grande/MS) - Sistemas Autônomos de Água e Esgoto - SAAE (10 municípios);
- As análises são realizadas de duas formas:Controle: Realização de análises diárias, mensais e semestrais pela Prestadora de Abastecimento de Água para Consumo Humano;
- Vigilância: Realização de análises de parâmetros básicos no Laboratório Central de Saúde Pública – Lacen/MS, localizado em Campo Grande/MS, e as análises dos resíduos de agrotóxicos em água são realizadas na Fiocruz/RJ.